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A rainha ia ganhar um iate, mas o premiê achou ‘muito caro’

Presente de 72 milhões de euros, que seria financiado com dinheiro público, é considerado inapropriado diante da crise econômica enfrentada pela Europa

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse nesta segunda-feira que usar o dinheiro dos contribuintes para comprar um novo iate para a rainha Elizabeth II “não seria apropriado” nesta época de austeridade. Cameron descartou assim a sugestão do ministro da Educação e companheiro do Partido Conservador, Michael Gove, de presentear a rainha Elizabeth II com a embarcação, que seria financiada com dinheiro público e custaria pelo menos 72 milhões de euros (162,5 milhões de reais).

“Está claro que a situação econômica é difícil e que os recursos são poucos, por isso pensamos que atualmente este não seria o destino apropriado para o dinheiro público”, afirmou o premiê através de seu porta-voz oficial. As declarações de Cameron fortalecem às do número dois de seu governo, o liberal-democrata Nick Clegg, que também desprezou a proposta esta manhã. Por causa dos preparativos do Jubileu – a rainha completa 60 anos no trono em fevereiro -, o conservador Gove enviou uma carta ao ministro da Cultura e supervisor da celebração, Jeremy Hunt, e a Nick Clegg, onde sugere que a crise do Grã-Bretanha requer uma “comemoração em larga escala para encorajar o país”, segundo publicou o jornal The Guardian.

Clegg descartou a hipótese nesta segunda-feira por considerar que “um barco avaliado em vários milhões de libras não é uma prioridade nestes tempos de cortes”. Embora tenha se recusado a comentar diretamente o conteúdo da carta, ele respondeu às perguntas dos jornalistas sobre este assunto no final de um discurso em Londres. “Muita gente pode pensar que o Jubileu é uma ocasião maravilhosa para comemorar em comunidade e como país, mas suspeito que a maioria acredita que, por causa da escassez de dinheiro, esta festa não deveria figurar entre os primeiros postos da lista de prioridades às quais destinar os poucos recursos públicos”, afirmou o vice-premiê.

Jubileu – Michael Gove, ministro da Educação e conhecido monárquico, escreveu em sua carta que o Jubileu é “uma oportunidade imensa para reconhecer a contribuição significativa da rainha à vida da nação e da Commonwealth” (comunidade britânica de nações). Para o ministro, os eventos previstos e a festa que será realizada no palácio de Buckingham são “efêmeros” e a rainha merece um presente “mais tangível”. O político conservador defendeu que, além dos 72 milhões de euros que o iate iria custar, também deveriam ser enviados mais fundos para esta comemoração, para que não fique eclipsada pelos Jogos Olímpicos que começam dia 27 de julho em Londres.

Em resposta, o vice-presidente do Partido Trabalhista britânico, Tom Watson, garantiu que Gove está “fora da realidade”. “Os orçamentos das escolas estão sendo reduzidos e os pais devem estar se perguntando como Gove pôde ter tal ideia. Este não é momento para gastar 60 milhões de libras em um iate”, advertiu Watson.

(Com agência EFE)