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“Não posso nem quero substituir a escola”

Indicado ao Prêmio Veja-se na categoria Educação incentiva adolescentes a se interessar por história e ciências por meio de vídeos ágeis na internet

Em um cenário forrado de brinquedos coloridos, um jovem de barba rala e cabelos escuros, aparentando bem menos que seus 27 anos, destrincha em dez minutos os meandros da multifacetada guerra civil na Síria, um dos mais importantes e espinhosos temas da atualidade, daqueles capazes de dar nó na cabeça até de especialistas. Na explicação, o país árabe é comparado com um colégio de ensino médio no qual os alunos estão insatisfeitos com o “diretor” Bashar Assad, e os “arruaceiros” da turma representam o Estado Islâmico. O vídeo foi visto mais de 3,2 milhões de vezes no YouTube e citado em quatro questões do vestibular da Universidade Federal do Paraná. Os créditos da façanha vão para o paulista Felipe Mendes Castanhari, ex-designer gráfico e animador digital que, há seis anos, comanda o muito bem-sucedido Canal Nostalgia — seus 10 milhões de inscritos renderam ao morador de Osasco, na Grande São Paulo, o posto de sétimo youtuber mais influente do mundo. O Nostalgia começou como brincadeira, e até hoje seu carro-chefe são vídeos sobre desenhos animados, filmes, programas de TV e músicas que ficaram na cabeça dos que, como Castanhari, viveram a infância entre os anos 1990 e 2000. A partir de 2016, porém, o canal virou uma poderosa — ainda que pouco convencional — ferramenta de aprendizagem. A transformação se deu em janeiro do ano passado, quando, no meio da polêmica sobre a entrada em domínio público do manifesto nazista Minha Luta, Castanhari decidiu contar à sua maneira — com piadas, palavrões e imitações toscas — a trajetória de Adolf Hitler. Lacrou, como se diz no meio: soma 5,8 milhões de visualizações até agora. Seguiram-se vídeos sobre a I Guerra Mundial, a Guerra Fria e a ditadura militar no Brasil, entre outros.

Neste ano, Castanhari começou a prospectar um novo veio: os temas científicos. Um vídeo recente sobre a formação de buracos negros, por exemplo, custou cerca de 28.000 reais em produção, animações, trilha sonora e consultoria de roteiristas e astrofísicos (2,1 milhões de visualizações em três semanas). Sua briga cotidiana, afirma, é contra a desinformação. “Só falo sobre um assunto depois de estudar muito e submeter o texto a um especialista. Quero que meus vídeos possam ser exibidos daqui a muitos anos, em diferentes plataformas”, diz Castanhari, que rejeita o título de educador, mas coleciona elogios de professores, pesquisadores e estudantes de todas as idades. O youtuber nunca foi bom aluno. Quando começou a produzir os vídeos, lamentou não ter estudado o suficiente em sala de aula. “Não posso nem quero substituir a escola. Meu objetivo é fazer justamente com que meu público tenha vontade de estudar”, afirma Castanhari, que, além do roteirista e do pesquisador que compõem sua equipe fixa, contrata um ex-professor — seu favorito nos tempos de estudante — como consultor para os vídeos sobre história.

Conheça os três candidatos nesta categoria. A votação está encerrada.

Educação
Antônio Amaral – O professor estimula alunos de uma cidade do interior do Piauí a ser campeões em matemática Leia o perfil completo
Felipe Castanhari – Por meio de vídeos ágeis na internet, incentiva adolescentes a se interessar por história e ciências Leia o perfil completo
Flávia Rezek – Dirige uma escola pública que, apesar de situada em uma favela carioca conflagrada, está entre as quinze melhores do Brasil Leia o perfil completo