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Sócrates, o ‘Doutor’ do futebol que perdeu o jogo para o álcool

Por Da Redação 4 dez 2011, 08h11

São Paulo, 4 dez (EFE).- O ‘Doutor’ Sócrates, que morreu neste domingo aos 57 anos, não conquistou títulos nas duas Copas do Mundo que disputou, mas tem lugar reservado entre os grandes do futebol por seu talento e o espetáculo que proporcionou ao Brasil nas Copas do Mundo da Espanha em 1982 e no México em 1986.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira morreu nesta madrugada de domingo no Hospital Albert Einstein em São Paulo, em consequência de um ‘choque séptico’ derivado de uma cirrose hepática, causada pelo excesso de álcool.

Ele morreu precisamente no dia em que o Corinthians, a equipe que marcou sua carreira esportiva, pode consagrar-se campeão brasileiro pela quinta vez na última rodada do Campeonato Brasileiro, que com certeza será homenageado por todas as torcidas do país.

Seu nome de filósofo grego sempre chamou a atenção no futebol, assim como seu porte físico de 1,91 metro e a elegância de seu jogo, especialmente sua habilidade em fazer passes de calcanhar, característica marcante de seu jogo.

Mas a qualidade nem sempre anda de mãos dadas com a sorte, constatação que o meia armador capitão Sócrates, dono da camisa 8, e os demais membros da constelação que o treinador Telê Santana levou aos estádios espanhóis e mexicanos nos mundiais de 1982 e 1986 aprenderam.

Ao lado de astros como Zico, Falcão, Júnior e Toninho Cerezo, Sócrates formou a melhor seleção brasileira depois da era Pelé, mas essa equipe de sonho, a favorita, saiu fora dos dois mundiais antes das semifinais e terminou os dois torneios em quinto.

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Na Copa do Mundo da Espanha, Sócrates que tinha a braçadeira de capitão marcou dois gols: um no primeiro jogo, vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a União Soviética, e outro no último e decisivo, o jogo dramático em que a equipe do ‘jogo bonito’ sucumbiu por 3 a 2 diante da Itália de Paolo Rossi, o carrasco da tarde, autor dos gols da ‘Azzurra’.

Em 1986, no México, fez mais dois: o da vitória de 1 a 0 na estreia diante da Espanha, de cabeça, e o primeiro da goleada 4 a 0 sobre a Polônia. Nas quartas de final teve a infelicidade de perder uma das cobranças de pênalti diante da França após o empate de 1 a 1, e o Brasil foi eliminado.

Foi sua despedida da seleção, mas não do futebol profissional, ao qual dedicou mais três anos antes de concentrar-se no exercício da medicina, profissão que estudou paralelo ao início da carreira de jogador de futebol no Botafogo de Ribeirão Preto. Daí o apelido de ‘Doutor’ que o acompanhou durante toda sua vida esportiva.

Sócrates nasceu em 19 de fevereiro de 1954 em Belém, capital do Pará. Ele defendeu as cortes do Corinthians, Flamengo e Santos, assim como do clube italiano Fiorentina.

No Corinthians fez história, não só por seu futebol, mas por liderar o movimento Democracia Corinthiana, um movimento político que defendia maior participação dos jogadores na gestão do clube.

Seu irmão caçula, o também meia Raí, teve tanto sucesso quanto Sócrates nos clubes do Brasil e no exterior em que jogou, mas na seleção não alcançou o mesmo prestígio do ‘Doutor’.

Seus conhecimentos de medicina não bastaram para impedi-lo de cair nas garras do alcoolismo. Neste ano, ele foi internado três vezes devido à crise aguda de cirrose hepática, até que essa terceira internação acabou sendo a derradeira e o ‘Doutor’ perdeu a batalha da vida para o álcool. EFE

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