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Sem seus ícones, Democracia tem homenagem ‘vazia’ no Corinthians

Por Da Redação 20 ago 2011, 15h26

A diretoria do Corinthians homenageou na manhã deste sábado alguns representantes da Democracia Corintiana, movimento histórico do clube, do início dos anos 1980. O evento no auditório do Parque São Jorge contou com maciça participação de torcedores, mas não teve a presença dos principais ícones do período: Sócrates, Wladimir e Casagrande.

Crítico da gestão de Andrés Sanchez na presidência, Sócrates já havia declinado do convite e também não poderia participar por ter sido internado, na sexta-feira, com hemorragia digestiva devido a hipertensão portal. Os outros dois, segundo o departamento cultural do Corinthians, não compareceram para visitar o ‘Doutor’ na UTI do Hospital Albert Einstein.

Adílson Monteiro Alves, diretor de futebol da época, lamentou a ausência dos três líderes da Democracia e também de outros representantes do período. ‘Entendo perfeitamente como foi montada essa cerimônia e sei da limitação de seus organizadores. Mas falta muita gente nesta mesa, muita gente que foi muito importante para que houvesse a Democracia Corintiana’, disse o ex-dirigente, pai de Duílio Monteiro Alves, atual diretor cultural e diretor adjunto de futebol. ‘Não estão aqui Biro-Biro, Wágner, Mauro, Zé Maria. Eu entendo ser impossível estarem todos aqui, mas também não estão aqui massagistas, roupeiros e médicos da época’, acrescentou o sociólogo corintiano, em apenas uma das muitas lembranças de nomes não convidados.

Além de Adílson, foram Waldemar Pires (presidente da época), Mário Travaglini (técnico da época) e três ex-jogadores: Juninho Fonseca, Ataliba e Zenon. Os dois últimos marcaram os pés na Calçada da Fama do Memorial e se disseram emocionados pelo reconhecimento do clube.

A Democracia Corintiana teve início em 1981, quando jogadores politizados como Sócrates, Wladimir e Casagrande ganharam voz nas decisões do clube, juntamente com o restante do elenco, em meio ao período do regime militar no Brasil. Tudo, desde horários trabalho a contratações, passou a ser decidido pelo voto, com participação do roupeiro ao presidente.

‘Todo mundo pensava que era uma bagunça, indisciplina. Se tivesse acontecido isso, não teríamos ganhado nenhum título. Pelo contrário, nós ganhamos (bicampeonato paulista 1982/1983)’, recorda-se o vitorioso ex-treinador Mário Travaglini. ‘Autoridade, você tem que saber gerir. Eu não era autoritário, eu dava a liberdade aos atletas. Eles eram os artistas’.

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