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Para o 1º técnico de Marta, é natural que prefiram ela a Neymar

"A seleção feminina apresenta um jogo mais cuidadoso e com garra", afirma Tota. "O time masculino joga como clube, não seleção"

Por Marina Rappa 9 ago 2016, 17h53

Após um belo início nos Jogos Olímpicos, a seleção feminina de futebol enfrenta nesta terça-feira, às 22h, a África do Sul – com presença de sua maior estrela, Marta Vieira da Silva. A atleta, de 30 anos, viu seu nome ser o mais gritado pela torcida brasileira não só durante suas partidas, mas também nas da seleção masculina. Quem tenta explicar o motivo é Tota, primeiro técnico de Marta e hoje professor aposentado de Educação Física em Dois Riachos (AL), cidade onde a craque nasceu. “A equipe masculina em campo está apresentando um jogo despreparado e infantil. Não tem raça e muito menos maturidade. A seleção feminina tem um estilo mais cuidadoso e com garra. As meninas têm muitas chances de trazer a medalha”, afirma em entrevista à VEJA.

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Marta, que começou a jogar quando ainda era uma “menina raquítica” aos 9 anos, chegou a cinco prêmios de melhor jogadora do mundo. De Alagoas, foi para o Rio de Janeiro, competir pelo Vasco, chegou à seleção brasileira, aos 17 anos já disputou uma Copa do Mundo Feminina, e, desde então, sempre com a mesma determinação, passou por clubes do Brasil, Estados Unidos e Suécia. Agora, lidera o time exaltado pelos brasileiros por apresentar o “verdadeiro futebol”, segundo Tota. “Elas têm raça, e o futebol é isso: raça, técnica e vontade. Quem não tem, não adianta. O time masculino está jogando como clube, não seleção”, explica o professor.

Tota admite que, mesmo com a idade e o que considera um curto período restante de carreira, Marta ainda segue como ele a conheceu: “Ela está em um bom momento, não no melhor, mas desde que eu a acompanho, toda vez que entra em campo desempenha um bom trabalho”, afirma o ex-técnico orgulhoso. O brio vem das lembranças. “Quando eu era professor da Marta dava ajuda com chuteiras, roupas de treino. Até a documentação dela para viajar para o Rio de Janeiro fui eu que providenciei”. Mesmo assim, afirma que o atual reconhecimento de Marta veio por trabalho próprio. “Aqui a gente só ajudou nos ofícios técnicos e no suporte; o resto foi garra dela.”

Carente de estrelas no futebol brasileiro, durante o último jogo da seleção masculina os torcedores no estádio repetiram o mantra dessa Olimpíada: “Marta é melhor que Neymar”. A “disputa”, que chegou a ser estampada na camisa de um pequeno torcedor, foi comentada por Tota. “Neymar é um craque brasileiro, claro, mas não está rendendo o tanto que podia. Nesses Jogos, Marta tem demonstrado mais maturidade e técnica”, disse. Hoje, o Brasil  espera ver o “verdadeiro jogo” das chuteiras de Marta.

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