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Os campeonatos estaduais enfim terminaram. Ainda bem…

Após quatro meses e meio, temporada finalmente começa para valer no Brasil

Por Da Redação 16 Maio 2011, 07h26

Quem acaba fracassando nos estaduais sai favorecido: times eliminados dessas competições chegam ao Brasileiro mais inteiros

Chega de tempo perdido. Passados quatro meses e meio, os grandes clubes brasileiros enfim estão livres da disputa dos campeonatos estaduais. Tradicionais no futebol brasileiro, esses torneios foram, durante décadas, as atrações centrais do calendário nacional. Hoje, porém, são muito mais um problema para clubes realmente poderosos do que uma fonte de receita, prestígio e glórias. Do período de disputa (absolutamente inconveniente, atrapalhando todas as competições mais importantes) à falta de bons frutos aos clubes (arrecada-se pouco com bilheterias e premiação), os estaduais hoje representam o retrocesso no futebol.

Por ainda promover esses campeonatos e reservar boa parte do ano a eles, o futebol brasileiro vive uma situação única no mundo. Enquanto os países de maior sucesso no esporte realizam seus campeonatos nacionais no decorrer de uma temporada completa e inteira, o Brasil só inicia sua principal competição depois de cinco meses de trabalho nos clubes. Resultado: os times já começam o campeonato desgastados. Pior: o início do Brasileirão coincide com a reta final das duas competições que realmente importam no primeiro semestre – a Copa do Brasil e a Copa Libertadores. Nesse contexto, os estaduais são ainda mais nocivos.

O Brasileirão deste ano começa com um exemplo perfeito para ilustrar o problema. Com o técnico mais vencedor dos últimos anos (Muricy Ramalho ganhou quatro das cinco edições passadas) e os dois maiores craques em atividade no país (Neymar e Ganso), o Santos teria tudo para entrar como favoritíssimo à conquista do campeonato. Mas o calendário cheio de falhas faz com que o clube paulista inicie sua campanha deixando o Brasileirão em segundo plano. Esgotado e cheio de desfalques por causa da disputa do Paulista – Ganso, que se machucou no estadual, entre eles -, o time deve se concentrar na reta final da Libertadores.

Relação custo-benefício – Apesar de um reforço de 500.000 reais na premiação dada ao campeão paulista neste ano – para 2,5 milhões -, o torneio dificilmente compensará o esforço que o Santos dispensou a ele. Afinal, o campeonato não dá vaga em nenhuma outra competição mais importante, e de pouco terá adiantado a vitória contra seu rival Corinthians se a equipe de Muricy for eliminada no meio da semana contra o Once Caldas, pela Libertadores. Se o ganhar o Paulistão não tem um grande impacto no caixa do clube, vencer o torneio continental garante um lucro multimilionário, com vaga no Mundial e na Libertadores de 2012.

Como o campeonato é por pontos corridos, começar a campanha poupando jogadores ou dando pouca atenção às primeiras rodadas pode ser fatal para as chances de título. E quem acaba fracassando nos estaduais sai até favorecido: times eliminados dessas competições chegam ao Brasileiro mais inteiros e descansados, com mais tempo para treinar. Como se tudo isso não bastasse, ainda há o impacto do resultado nos estaduais entre os torcedores. Quem perde uma final contra seu arquirrival – como o Atlético-MG contra o Cruzeiro, ou o Grêmio contra o Inter – tem só uma semana para juntar os cacos antes de ir à luta no Brasileirão.

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