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Onze vezes campeão nacional, Hélio Rubens deixa o comando do Franca

Foram 48 anos dedicados ao Franca, clube de basquete da cidade em que nasceu, metade como jogador, metade como treinador. O ciclo de Hélio Rubens, detentor de onze nacionais pela equipe francana, porém, chega ao fim após decisão anunciada nesta segunda, em carta escrita pelo próprio técnico.

Apesar da má campanha de Franca no NBB, onde foi apenas a 10colocada na fase de grupos e foi eliminada sem vencer o São José, nos playoffs, a decisão do treinador tem maior ligação com a política do Franca. Com eleições marcadas para o final do mês, Rubens gostaria de deixar a nova diretoria decidir o melhor nome para dirigir a equipe.

Com 71 anos, Hélio Rubens descartou sua aposentadoria. Além do heptacampeonato nacional como técnico, Rubens garantiu o título por quatro vezes como jogador do Franca. Somados a outros três títulos treinando outras equipes, tornou-se o maior vencedor da história da competição.

Como técnico da seleção, Rubens levou o ouro no Pan de Winnipeg-1999, um ano antes de sua primeira saída do comando do Franca, para onde voltou em 2005.Confira a íntegra da carta de Hélio Rubens, informando sua saída do comando de Franca:

Ao finalizar o meu contrato com o Franca Basquetebol Clube, em 30 de junho próximo, estarei me desligando da função de treinador da equipe, deixando a diretoria à vontade para a contratação do meu substituto.

Depois de 24 anos como jogador e outros 24 como técnico, sinto-me honrado e orgulhoso por ter participado de todos os títulos conquistados pelo basquete desta cidade, notabilizada como a capital brasileira desta modalidade esportiva, justamente por ostentar o maior número de títulos conquistados na história do país.

Em verdade, essa longa e bem sucedida participação, eu tenho como o maior troféu da minha vida, seja pelo seu caráter afetivo, seja pela valorização profissional.

O meu agradecimento sincero e profundo e as minhas homenagens aos presidentes que se sucederam na vida do basquete de Franca, na pessoa do Sr. Juca Vilhena, o precursor desta gloriosa era. Todos eles se identificaram pelo ideal de servir à comunidade através do esporte, destituídos de quaisquer interesses particulares, pessoais ou políticos.

Em especial, desejo invocar a memória do Prof. Pedroca, cujo espírito público, desprendimento, competência, impressionante capacidade de trabalho, idealismo e grande amor pela causa da educação e do esporte, foi para todos nós um exemplo de vida a ser seguido.

O meu agradecimento a todos os meus assistentes técnicos e jogadores que estiveram sob o meu comando e que demonstraram no seu desempenho o espírito de luta, obediência, determinação, disciplina, companheirismo, sempre na busca do melhor resultado.

Deixo o meu reconhecimento à importância dos meios de comunicação da cidade, quando voltados para a informação correta, com análises e críticas fundamentadas na verdade do esporte como lazer ao público e representação oficial do município.

O meu agradecimento a todas as entidades patrocinadoras do nosso basquete ao longo desses 50 anos, com as quais tive a honra de participar diretamente nas reuniões visando à confirmação dos contratos, na condição de avalista técnico das equipes representativas que se sucederam.

O meu agradecimento a nossa torcida, representada por toda a população da cidade. São milhares de torcedores que se identificaram com a equipe, sempre presente nos jogos, motivando a todos com sua vibração. Ao público, sempre foi dedicado o nosso trabalho.

O meu eterno agradecimento a toda minha família que, pelo seu apoio incondicional, muita paciência e compreensão, alicerçados nos conceitos da religião, da moral, dos bons costumes e alegria de viver, colaboraram decisivamente para o meu equilíbrio emocional no cumprimento da missão a mim reservada.

Por fim, esteja eu onde estiver, desejo do fundo do meu coração que seja mantida esta fantástica e inigualável tradição, assim como preservada a belíssima história do nosso basquete.