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NBA terá greve nas duas primeiras semanas da temporada

Paralisação reflete impasse entre atletas e associação por redução de salários

O comissário da NBA, David Stern, anunciou nesta segunda-feira de forma oficial o cancelamento das duas primeiras semanas de jogos – até 14 de novembro -, depois que os donos das equipes e os jogadores não chegaram a um acordo sobre o novo convênio coletivo.

As duas partes se reuniram nesta segunda-feira durante mais de sete horas em um hotel de Nova York e, assim como aconteceu na reunião de domingo, não conseguiram reduzir suas diferenças e alcançar um acordo. “As duas partes estão muito separadas em quase todos os assuntos principais. Simplesmente há um mar que nos separa”, disse Stern. Por enquanto não há previsão para as conversas serem retomadas.

Mais duro foi o comunicado emitido pelo vice-comissário da NBA, Adam Silver, que lembrou que não haverá acordo até que se garanta aos 30 times igualdade de competitividade e uma compensação justa para os jogadores. “Apesar dos grandes esforços que fizemos, não foi possível alcançar um novo acordo com o sindicato que permita às 30 equipes concorrerem pelo título da liga”, destacou Silver.

Por sua parte, o presidente do sindicato dos jogadores, Derek Fisher, do Los Angeles Lakers, indicou que a situação não chegou a esse ponto por causa dos atletas. “Não escolhemos estar nesta situação. Não chegamos a um ponto no qual pudesse haver um acordo justo com a NBA”, declarou Fisher na saída da reunião.

Diante da possibilidade de uma greve completa, a NBA corre o risco de perder todos os avanços que alcançara na última temporada quanto a receitas e audiência de televisão. Além disso, a falta de competição nas duas primeiras semanas da nova temporada suporá também a perda de renda para os trabalhadores cujos postos dependem dos sete meses de competição.

As equipes, que desde 1º de julho têm estabelecido um fechamento patronal, sem permitir nenhuma atividade esportiva dentro de suas respectivas organizações, já reduziram seus elencos e podem promover mais demissões nos próximos dias. Outros setores trabalhistas e comerciais relacionados ao mundo da NBA sofrerão os efeitos da falta de jogos, em um momento no qual há nos Estados Unidos mais de 14 milhões de desempregados.

Para os donos das equipes da NBA, o problema é muito mais grave e profundo, dado que consideram que todo o sistema financeiro atual não funciona depois das perdas milionárias que tiveram com o antigo convênio coletivo.

Além disso, o êxodo das grandes estrelas aos mercados mais importantes do país foi outra das razões pelas quais as equipes com menos poder econômico se negaram a seguir com um sistema econômico que lhes é completamente prejudicial.

Os donos querem que a partilha da receita fique em 50%, em vez dos 57% que receberam os jogadores no antigo convênio coletivo, além de um teto salarial rígido, contratos de longa duração e rebaixamento dos salários atuais nas próximas duas temporadas. O sindicato dos jogadores rejeita todas essas reivindicações, exceto a redução dos vencimentos, que condiciona, porém, a futuras compensações.

Na história da NBA, houve apenas uma greve na história, na temporada 1998-99. Nessa ocasião, o acordo só foi alcançado em 6 de janeiro de 1999, o que reduziu substancialmente o número de partidas da temporada.

(com Agência EFE)