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Na final de 91, Elber quis ‘enterrar a cabeça’ após perder pênalti

Por Da Redação 1 jan 2012, 13h40

A imagem deixada pelo ex-atacante Elber no futebol foi extremamente positiva. Na Europa, atuou por equipes de peso como Bayern de Munique, da Alemanha, e Olympique de Lyon, da França, ganhou títulos, alcançou a posição de ídolo e ainda defendeu a seleção brasileira. Mas a carreira dos grandes atletas também é feita de tristezas.

Para Elber, disputar o Campeonato Mundial sub-20 em 1991, prestes a completar 19 anos, foi uma experiência altamente positiva. Na época jogador do modesto Londrina, ele marcou quatro gols e confirmou as expectativas de olheiros europeus, tanto que acabou negociado depois com o poderoso Milan, da Itália. Mas, na final contra Portugal, que irá se repetir na edição 2011 neste sábado, ele passou pela experiência amarga ao errar uma cobrança na derrota brasileira nos pênaltis.

Logo após seu arremate carimbar a trave, Elber teve um desejo: desaparecer do estádio da Luz, em Lisboa, o local da partida. ‘A minha vontade era fazer um buraco no campo para enfiar a minha cabeça, é uma sensação terrível’, definiu o ex-artilheiro.

Em entrevista exclusiva, Elber também falou sobre os destaques da atual seleção brasileira comandada por Ney Franco. O jogador que mais o impressionou foi o goleiro Gabriel, do Cruzeiro, pela coragem e personalidade nos momentos de decisão. O são-paulino Henrique, herói na semifinal contra o México, também recebeu elogios por apresentar velocidade e faro de gol.

Veja o bate-papo com Elber sobre a decisão do Mundial sub-20:

GE.NET – O que você lembra daquela decisão contra Portugal?

Elber: Foi um jogo maravilhoso, enfrentamos uma final na casa do nosso adversário, todos queriam e apostavam no confronto entre Brasil e Portugal. Poxa, você chegar naquele antigo estádio da Luz e ver mais de 120 mil pessoas… As pernas deram uma tremida. Agora, eu lembro que o jogo poderia ter sido definido no tempo normal ao nosso favor, tivemos um gol do Paulo Nunes legítimo que foi anulado de forma equivocada pela arbitragem.

GE.Net – Naquela decisão você perdeu uma cobrança na decisão por pênaltis (chutou no travessão). Na sequência da carreira, chegou a perder muitas outras?

Elber: Na verdade, perdi só mais uma. Eu jogava no Bayern de Munique e foi contra o Oliver Kahn (goleiro alemão que disputou a final do Mundial de 2002 contra o Brasil). Depois daquilo, eu vi que os pênaltis não eram muito a minha especialidade, então deixava para outros baterem. Eu preferia fazer gols mais difíceis (risos).

GE.Net – Mas você estava confiante para bater o pênalti?

Elber: Estava confiante, sim. Eu vinha fazendo um grande campeonato, marcando gols, era o artilheiro do time. É aquela coisa, a minha cobrança bateu na trave e saiu. Um pouco antes, um jogador de Portugal bateu da mesma forma, a bola tocou na trave e entrou. O futebol é feito desta forma.

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GE.Net – E qual o sentimento quando se perde um pênalti com mais de 120 mil pessoas no estádio?

Elber: A minha vontade era fazer um buraco no campo para enfiar a minha cabeça, é uma sensação terrível. Eu lembro que antes da cobrança, não conseguia ouvir nenhum tipo de barulho do estádio, eu estava surdo mesmo com todos gritando. Só depois de errar é que fui ouvir a torcida.

GE.Net – O que falar daquele adversário? Portugal mostrou ter um grande time com o Figo e o Rui Costa…

Elber: É verdade, mas lembro que o Roberto Carlos (lateral campeão mundial em 2002 com a seleção principal) ficou com a ingrata missão de marcar o Figo e não o deixou jogar. Mas Portugal mereceu o título, eles tiveram outros grandes jogadores, como o Peixe no meio-campo e o João Pinto, que mais para frente foi jogar no Atlético de Madri, da Espanha. Era realmente um time de muita qualidade.

GE.Net – Naquele campeonato você já era muito cobiçado, tanto que foi jogar na Suíça (no Grasshopper) mais para frente.

Elber: Na verdade, esse pessoal da Suíça já me procurou na concentração da seleção durante o Campeonato Mundial. Também queriam levar o meu pai para ver os jogos, mas ele avisou que deveriam conversar com os dirigentes do Londrina, onde eu jogava. Quando os dirigentes suíços foram conversar com o meu clube, descobriram que o Milan já estava negociando. Eu fui comprado pelo Milan e aí emprestado ao Grasshopper (de forma surpreendente, Elber praticamente não foi aproveitado no futebol italiano e só foi estourar na Europa em clubes da Alemanha).

GE.Net – Atualmente há a impressão de que o atleta sub-20 é mais preparado do que na sua época. Você concorda?

Elber: Sem dúvida. Na minha época, o jogador sub-20 ia para competições internacionais fazendo a primeira viagem da vida para fora do país, era o sonho de qualquer um ir para o exterior. Hoje em dia, os jogadores são muito mais condicionados, ganham ajuda psicológica, atuam em grandes times do país e já têm importância dentro dos elencos.

GE.Net – Deste time comandado pelo Ney Franco, qual jogador chamou mais a sua atenção?

Elber: Eu gostei muito do goleiro, o Gabriel, é um jogador muito corajoso pelo que vi nos jogos com a seleção brasileira. Eu já o indiquei até a alguns times internacionais. É um goleiro que sabe sair do gol, ele ajudou o time em momentos importantes.

GE.Net – Entre os jogadores de linha, quem está se destacando?

Elber: Tem o menino que joga no ataque, o Henrique. Acho que ele tem, inclusive, uma característica parecida com a minha, o faro de gol do atacante. Gostei muito do gol que ele fez contra o México (o segundo da semifinal disputada na quarta-feira). Quando a jogada saiu do lado direito, ele estava atrás do zagueiro e, de uma hora para outra, o Henrique se antecipou ao adversário. Você percebe que é um jogador veloz e com qualidade.

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