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Jeremy Lin, o novo fenômeno da NBA

Formado em Harvard, filho de taiwaneses, bom moço e bom de bola, Jeremy Lin é alçado à condição de astro americano e mundial em apenas duas semanas

Há uma semana, Kobe Bryant, maior estrela da NBA, afirmou na prévia do confronto de seu Los Angeles Lakers contra o New York Knicks que não sabia nada sobre o novo fenômeno dos ginásios americanos, Jeremy Lin. Trinta e oito pontos e sete assistências depois, Jeremy Lin deixava a quadra do Madison Square Garden com a vitória, aplaudido de pé por Woody Allen e ouvindo elogios do próprio Kobe. Era apenas um dos primeiros capítulos da história que dominou o noticiário esportivo no mês de fevereiro.

Jeremy Shu-How Lin é americano, nascido em Palo Alto, Califórnia e tem 23 anos, mas tem olhos puxados – é filho de taiwaneses. Começou a jogar basquete no colégio em Palo Alto, mas nem mesmo os bons resultados e sua habilidade foram suficientes para conseguir uma bolsa de estudos nas principais universidades esportivas. Sem bolsa, Lin foi estudar, então, em Harvard, onde disputou campeonatos nacionais e se formou em economia, com excelentes notas.

Em 2010, Lin começou a aparecer de forma não convencional: apesar de ficar de fora da seletiva para iniciantes – o draft, em que as 30 equipes da NBA contratam um jogador jovem de destaque vindo das universidades -, assinou contrato com o Golden State Warriors e se tornou o primeiro estudante de Harvard a atuar na NBA desde a temporada 1953/54. No Warriors, jogou cerca de dez minutos e foi dispensado.

Foi para o Houton Rockets, dispensado novamente, e chegou a Nova York como uma das últimas opções do Knicks. Passou um mês no banco de reservas e teve sua primeira chance no dia 4 de fevereiro. Com o desfalque das estrelas Carmelo Anthony e Stoudemire, o técnico Mike D’Antoni promoveu a estreia de Lin, que marcou 25 pontos, deu sete assistências e foi o grande destaque na vitória sobre o New Jersey Nets. Ele ainda foi jogador fundamental nas duas vitórias seguintes, sobre o Utah Jazz e o Washington Wizards.

Mas na quarta vitória consecutiva, diante do Lakers de Kobe Bryant, surgiu a “Linsanidade” – jogo de palavras entre o nome do jogador e “insanidade”, em inglês. O ex-reserva cativo Lin teve atuação brilhante e virou estrela da NBA.

E o melhor momento de Lin ainda estava por vir: na partida diante do Toronto Raptors, no Canadá, comandou o jogo como um veterano e marcou de três pontos a cesta da vitória por 90 a 87, a dois segundos do fim do jogo. O lance, um dos momentos mais memoráveis desta temporada, elevou de maneira assustadora a popularidade do jogador, arrancando elogios até do presidente Barack Obama, que já estuda utilizá-lo como propaganda eleitoral na eleição presidencial.

A camisa 17 do Knicks, item inexistente na loja do clube há duas semanas, passou a ser vista por todos os cantos de Nova York, principalmente no Madison Square Garden.

Além de Obama, Lin ganhou milhares de fãs, principalmente no continente asiático e chegou a criar até um problema político na região. Meios de comunicação de Taiwan e da China pegaram carona no sucesso do jogador e reivindicam a “paternidade” de Lin, é filho de taiwaneses mas com bisavó chinesa, e chegou a dizer que gostaria de ser pastor no futuro.

Contramão – Há os que acreditam que a boa fase do jogador é passageira e que todo o sucesso instantâneo ocorre porque Lin joga em Nova York e está entre os 20% dos jogadores da NBA que não são negros. O campeão mundial de boxe Floyd Mayweather recentemente fez críticas ao jogador e ao marketing que o cerca. “É um bom jogador, mas toda essa publicidade é por que ele é asiático. Jogadores negros fazem o que ele faz toda noite e não têm o mesmo louvor.”

Lin manteve sua tranquilidade habitual e não entrou em confronto com o boxeador e apenas agradeceu o apoio dos fãs pelo mundo. Desde a estreia de Lin diante do New Jersey, o Knicks – que fazia péssima campanha -, venceu sete partidas consecutivas e é oitavo na conferência Leste, com 15 vitórias e 15 derrotas.