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Islândia, a seleção nanica que se tornou sensação da Euro

País de apenas 330.000 habitantes desbancou favoritos, calou Cristiano Ronaldo e chegou à segunda fase em sua primeira participação no torneio

Por Luiz Felipe Castro 23 jun 2016, 12h00

Irritado ao ver os jogadores islandeses celebrando o empate em 1 a 1 contra Portugal na estreia da Eurocopa, Cristiano Ronaldo não poderia ter feito uma previsão mais equivocada. “Isso mostra a mentalidade pequena de um time que não vai conseguir nada na competição”, vaticinou o craque. Duas rodadas depois, a Islândia, país nórdico de pouco mais de 330.000 habitantes, se tornou a sensação da Eurocopa, ao avançar as oitavas de final logo em sua primeira participação no torneio – terminando, inclusive, à frente de Portugal.

A vitória desta quarta-feira diante da Áustria, no último minuto da partida, enlouqueceu os cerca de 10.000 torcedores do país nórdico (cerca de 3% de todo o país) presentes no Stade de France e causou alvoroço na capital Reykjavík. Um dos técnicos da equipe (sim, o time tem dois treinadores), Heimir Hallgrimsson, brincou que o dia 22 de junho deveria se tornar feriado nacional no país. Mesmo que não consiga desbancar a favorita Inglaterra na próxima fase, a Islândia já conquistou o título de sensação da Eurocopa.

A revolução do futebol no país de 103 mil km², vizinho da Groenlândia e cercado de vulcões e neve, começou há cerca de 10 anos, quando o país investiu na formação de treinadores e na construção de campos de futebol (a maioria cobertos, para escapar do rigoroso inverno na “terra do gelo”). O sueco Lars Lagerback, o outro técnico da equipe, já é considerado um herói local. Ele assumiu a equipe em 2011 e, desde então, a Islândia subiu quase 100 posições no ranking da Fifa (é o 34º, à frente da própria Suécia, seleção que Lagerback dirigiu entre 2000 e 2009.

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Meia da seleção da Islândia faz selfie com a torcida após vitória sobre a Áustria
Meia da seleção da Islândia faz selfie com a torcida após vitória sobre a Áustria VEJA

Sob seu comando, a Islândia esteve perto de chegar à Copa do Mundo de 2014 no Brasil (perdeu na repescagem para a Croácia) e eliminou a poderosa Holanda na fase preliminar da Euro. Poucos, porém, esperavam tamanho sucesso na competição na França. O time se classificou em segundo no Grupo F, com cinco pontos, após empates em 0 a 0 com Portugal e 1 a 1 com a Hungria e vitória dramática sobre a Áustria por 2 a 1.

Até bem pouco tempo atrás, o futebol no país se resumia a um jogador: Eidur Gudjohnsen, atacante com passagens por Chelsea e Barcelona. Aos 37 anos, o veterano artilheiro segue na equipe, na reserva, desfrutando da primeira participação de sua seleção em um grande evento. Em 1996, aos 17 anos, Gudjohnsen entrou para a história do futebol como o primeiro atleta a atuar em uma partida oficial junto com seu pai. Ele, na verdade, substituiu o pai Arnor, então com 34 anos, em amistoso contra a Estônia. Na Euro-2016, não há parentes, mas não é exagero dizer que todos os atletas se conhecem muito bem.

A federação de futebol local tem apenas 100 atletas profissionais registrados (no Brasil, são quase 30.000). Após a façanha desta quarta-feira, o zagueiro Kari Arnason ressaltou a proximidade entre os atletas e os torcedores do país nanico. “Conseguir isso com seus melhores amigos é perfeito, maravilhoso”, disse o experiente defensor, de 33 anos. “Conheço, ou ao menos reconheço de outras partidas, 50% dos nossos torcedores. Isso faz tudo ser mais delicioso”, completou o zagueiro.

É bem provável que a participação da Islândia na Eurocopa termine na próxima segunda-feira, a partir das 13h (de Brasília), nas oitavas de final contra a Inglaterra. No entanto, dificilmente os torcedores e atletas islandeses irão esquecer as emoções vividas na primeira grande competição do país. A reação do narrador islandês Gummi Bem ao gol da vitória diante da Áustria, marcado por Arnor Traustason, é o melhor exemplo disso:

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