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Escutas telefônicas revelam possível manipulação na Série B de 2009

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram à Polícia Federal indícios de que uma partida do Campeonato Brasileiro da Série B de 2009 teria sofrido manipulação de resultados. O jogo entre Ceará e São Caetano, realizado no dia 16 de junho daquele ano e vencido pelo Vozão por 2 a 1, teria sofrido participação direta do árbitro da partida, João Alberto Gomes Duarte, após o pagamento de suborno.

As informações sobre a investigação foram divulgadas nesta quinta-feira pelo jornal cearense ‘O Povo’, que colocam um agente federal como o principal suspeito do episódio. Marcílio Telles de Queiroz estaria vazando informações referentes a investigações realizadas pela Polícia Federal e teria em uma das conversas grampeadas uma discussão sobre o confronto em questão.

O diálogo com uma pessoa ligada à Prefeitura do Estado consiste em troca de informações sobre a manipulação do resultado da partida. A defesa de Telles já informou ao Tribunal a veracidade dos fatos e confirmou que a conversa se trata de um caso envolvendo suborno no futebol. Entretanto, o Ministério Público acredita que o tema abordado possa estar codificado pelos suspeitos, o que esconderia o vazamento de informações confidenciais.

Em contrapartida, a juíza que analisa o caso afirmou que trabalhará com as duas hipóteses. A suspeita sobre o Vozão paira na incrível ascensão da equipe na Série B daquele ano. Antes da partida contra o São Caetano, o time ocupava a lanterna do campeonato, com apenas três pontos em seis jogos disputados. Após esta vitória, o time conquistou oito triunfos em dez partidas jogadas e terminou o ano garantindo o acesso à Primeira Divisão do Brasileiro.

Já o árbitro João Alberto Gomes Duarte, acusado de ter recebido suborno para facilitar a vitória do Ceará, está aposentado desde 2010 e tem a sua carreira marcada por uma denúncia de manipulação envolvendo um duelo entre Gama e Vila Nova. O árbitro alegou na época que uma quantia em dinheiro teria sido oferecida antes do confronto. Sem apresentar provas, o juiz foi afastado do quadro de arbitragem, mas teve sua reintegração confirmada posteriormente.