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Em Miami, Teixeira quer paz e tratamento para saúde

Por Sílvio Barsetti e Tiago Rogero

Rio – Ricardo Teixeira quer ficar recluso. Desde a semana passada en Miami, onde já moravam esposa e a filha mais nova, o ex-presidente da CBF – sempre avesso às entrevistas – espera encontrar a tranquilidade que tanto desejou nos dias conturbados de denúncias e críticas, à administração da entidade e ao futebol da seleção brasileira. Mas o cartola também precisa se tratar.

Internado no fim do ano passado com uma diverticulite (inflamação no intestino grosso), diabético, Teixeira foi submetido a uma cirurgia cardíaca há alguns anos. Na assembleia geral extraordinária da semana passada, comunicou aos dirigentes de federações que passaria por exames importantes, que determinariam seu real estado. Pouco mais de uma semana depois, renunciou.

Segundo o presidente da federação paraense, Antonio Carlos Nunes, o ex-presidente da CBF vai passar por uma cirurgia nos próximos dias. Recentemente, Teixeira ainda apresentava sequelas após cair do cavalo, em sua fazenda, no interior do estado do Rio de Janeiro. O cartola tinha de fazer fisioterapia, mas faltou às sessões e começou a andar com dificuldade.

Nos últimos meses, aumentaram as denúncias contra Teixeira. A que mais o atormentava diz respeito à propinas que ele teria recebido da empresa suíça de marketing esportivo ISL, numa transição envolvendo a Fifa.

A pessoas próximas, o ex-presidente confidenciou que não queria ver a filha mais nova crescer da mesma forma que os três filhos mais velhos, com denúncias e insinuações contra a integridade do pai. No Brasil, se desfez de vários bens e dispensou funcionários, como seguranças e motoristas. Dava sinais de que renunciaria.

Em todo o processo de renúncia, não ficou claro o quanto pesou a pressão do governo federal – Teixeira já não mantinha diálogo com a presidente Dilma -, ou a ameaça da Fifa em revelar documentos que comprovariam a corrupção do dirigente no caso da ISL.