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Comitê da Rio 2016 prepara ofensiva contra o ‘marketing de emboscada’

Polícia Federal, PM e voluntários dos Jogos Olímpicos vão entrar em ação para evitar uso indevido da marca do evento - fonte de renda do COI

Em menos de dois meses, na virada do ano, a marca das Olimpíadas do Rio será anunciada durante a festa de Réveillon, na praia de Copacabana. A partir de 1º de janeiro de 2011 os patrocinadores dos Jogos Olímpicos Rio 2016 poderão, então, começar a colocar em prática suas ações de marketing relacionadas às Olimpíadas, ao menos no Brasil – as ações internacionais estarão liberadas apenas em 2012, após os Jogos de Londres.

A partir daí, a luta dos organizadores dos jogos será contra as marcas que quiserem se aproveitar dos jogos sem ter esse direito. “São as chamadas marcas de emboscada”, explica o diretor-geral do Comitê Rio 2016, Leonardo Gryner, referindo-se às empresas e campanhas que, de alguma forma, tentarão ‘surfar’ na onda dos jogos sem vínculo formal – ou seja, sem pagar por isso. Para evitar a disseminação dessas marcas, o Comitê já comprou toda a mídia exterior, de outdoors a busdoors, do Rio de Janeiro por um período de 90 dias, compreendido entre algumas semanas antes do início das Olimpíadas e o final das Paraolimpíadas.

A pirataria será combatida pela Polícia Federal, Polícia Militar e os voluntários que aderirem ao projeto. No Pan de 2007, muitos deles já trabalharam como protetores de marca. Isso significa desde fazer denúncias ao ver produtos pirateados até andar de rolo de fita adesiva em punho, tapando o símbolo dos Jogos ao encontrá-lo associado a marcas não autorizadas. Não vai faltar gente se oferecendo para a função: estão previstas cem mil pessoas trabalhando no Comitê durante as Olimpíadas, sendo 70 mil voluntários.

A definição dos patrocinadores ainda não terminou. O Comitê Olímpico Internacional (COI) tem o direito de reservar patrocinadores em 20 categorias. Usou 11 delas em Londres e provavelmente usará 12 no Brasil. Até o momento, oito estão confirmados para o Rio: Coca-Cola, Visa, Omega, Atos Origin, Panasonic, Dow Chemical, Samsung e Procter & Gamble. Cada um vai pagar cerca de cem milhões de dólares pelo direito de usar a marca no período entre 2012 e 2016.

Na seara doméstica, os patrocinadores escolhidos pelo Comitê Rio 2016 têm que ser aprovados pelo COI, categoria por categoria, e respondem por boa parte do orçamento dos Jogos: do custo estimando de 2,8 bilhões de dólares, 570 milhões serão custeados justamente pelas cotas de patrocínio.