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Campeã dos 100m, Rosângela cogitou desistir do Pan

Por Amanda Romanelli

Guadalajara – Rosângela Santos não queria disputar o Pan. Cansada após uma temporada que começou em março e teve seu auge no Mundial de Daegu, na Coreia do Sul, em agosto, a velocista pensou em desistir do torneio em Guadalajara para descansar. Mas foi convencida a viajar para o México com um conselho valioso de seu técnico, Paulo Servo. “Ele me deu duas semanas de descanso e disse: ‘Vamos treinar para o Pan porque você vai ser feliz lá'”, lembra a atleta, que conquistou a medalha de ouro nos 100 metros, com o tempo de 11s22, a melhor marca de sua carreira.

A temporada, encerrada de maneira brilhante, marca o retorno de Rosângela ao atletismo. Vice-campeã mundial de menores em 2007, a precoce velocista esteve como reserva do revezamento 4x100m no Pan do Rio – tinha apenas 16 anos. Hoje, aos 20, sabe das dificuldades que superou para acabar com um jejum brasileiro de 28 anos.

“Eu estava quase dois anos parada por causa de lesões. Tinha pensado em abandonar o atletismo”, conta. “Foram problemas na coxa, estiramento no (músculo) posterior, lesão no joelho. Eu não contava com ajuda de fisioterapeuta, só tratava com gelo. Isso foi me deixando para baixo e eu não queria treinar, porque eu tentava e sentia muita dor”.

Rosângela admite que não veio para Guadalajara com muita expectativa. “Fiz um bom Mundial, cheguei perto da minha melhor marca pessoal e ajudei o 4x100m a bater o recorde sul-americano. Eu queria férias”. Mas, ao revelar o desânimo, contou com outro conselho fundamental. Este, da campeã olímpica Maurren Maggi. “Em uma conversa com ela, falei que não esperava muita coisa do Pan. E ela me disse que, quando a gente menos espera, é que chegam os melhores resultados”.

Vaidosa, a brasileira nascida em Washington D.C. (EUA), mas criada no Rio de Janeiro, revelou que demorou quase uma hora para sair da Vila Pan-Americana. “Tenho que fazer maquiagem, arrumar o cabelo e a unha. Tudo tem que estar perfeito, porque não posso sair feia na foto, né?” Também disse que passou à noite em claro e nem comeu. “Não queria correr o risco de ter uma dor de barriga”.