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Até Aparecida do Norte tem um sopro de Olimpíada

É lá, em um centro de esportes dentro da basílica, que treinam as campeãs russas de ginástica rítmica

Por Maria Clara Vieira - 13 ago 2016, 10h15

Sede da basílica da santa padroeira do Brasil, o segundo maior templo católico do mundo, e centro de peregrinação de 12 milhões de fieis por ano, a cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo, parece não ter nada a ver com a Olimpíada. Mas tem. É lá, em um centro esportivo construído dentro do complexo do Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida, que está treinando a equipe de ginástica rítmica da Rússia, atual campeã do mundo da modalidade.

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A delegação de 36 pessoas quase não é vista na cidade. O treino começa por volta das 8h e acaba por volta das 19h, com pausa de uma hora e meia para almoço e descanso. Na última quarta-feira, parte da equipe deu um tempo nos ensaios e foi conhecer a basílica. Algumas meninas também foram vistas no supermercado próximo. Fora isso, é pura concentração.

“Acho que a comoção na cidade só vai acontecer mesmo quando elas começarem a competir”, prevê Rafael Vasconcelos, gerente do Hotel Rainha do Brasil, administrado pelo santuário, onde a equipe russa ocupa os 22 apartamentos do segundo andar. As únicas exigências do seu cardápio são frutas orgânicas e iogurte natural. No mais, comem o mesmo que todos os hóspedes. Aos sábados, o restaurante D’Ágape tem uma bancada com feijoada, mas ninguém chegou nem perto.

As russas chegaram em Aparecida no dia 27 de julho, quando um estrondoso escândalo de doping ainda ameaçava a participação dos atletas do país na Olimpíada. Só no dia 4 de agosto anunciou-se a liberação de 271 russos para os Jogos, entre eles toda a delegação de ginástica. A essa altura, elas já treinavam duro no pavilhão de esporte da Basílica, escolhido por suas dimensões, de 1 450 metros quadrados, e principalmente pelos 20 metros de altura.

No sábado passado, praticantes de ginástica rítmica do Vale do Paraíba – onde o esporte é muito popular – puderam assistir a um treino aberto e ver de perto as melhores do mundo, Simpática, a estrela Margarita Mamun, 27 medalhas de ouro, convenceu a segurança a permitir alguns selfies. “Foi uma emoção indescritível”, conta Aline Gomes, de 23 anos, que já venceu disputas regionais “sem nunca chegar nem perto do que as russas sabem fazer”.

A equipe ficará em Aparecida até a próxima terça-feira, quando segue para o Rio, onde têm provas marcadas a partir do dia 19. Também treinam no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida algumas ginastas da França, Coréia do Sul e Japão. Mas a prioridade dos ensaios é das russas, primeiras a alugar o espaço. A presença delas amenizou certa mágoa da cidade por não ter sido escolhida para a passagem da tocha olímpica.

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