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Whitney Houston, uma voz de ouro ofuscada pelas drogas

Com um físico de modelo e uma voz potente e luminosa, a americana Whitney Houston, que morreu no sábado em Beverly Hills, teve uma das carreiras mais brilhantes no mundo contemporâneo do pop, mas sua trajetória foi ofuscada por problemas com as drogas abundantemente retratados pela imprensa.

Aos 48 anos, a estrela, vencedora de 26 American Music Awards e seis Grammy, tinha a seu lado números astronômicos para comprovar o sucesso.

Segundo o site oficial da cantora, Whitney vendeu 170 milhões de discos em 25 anos e foi a primeira artista a emplacar sete singles consecutivos no topo das paradas, segundo a imprensa especializada.

Influenciada desde cedo pelas cantoras de gospel, da soul music e do rithm n’ blues, Whitney Houston nasceu em 9 de agosto de 1963 em Newark (Nova Jersey). Prima da célebre cantora Dionne Warwick, ela integrou um coral, como a mãe Cissy Houston, durante a adolescência, acompanhando artistas como Chaka Khan e Lou Rawls.

Depois de ter trabalhado como modelo e de ter feito algumas participações em sitcoms, em 1983, aos 20 anos, Houston assina o primeiro contrato com uma gravadora, a Arista.

Lançado em 1985, “Whitney Houston” preanunciava um segundo álbum, de título ainda mais sóbrio (“Whitney”, 1987), e vários anos de sucesso.

Já estabelecida como ícone musical, incursionou pelo mundo do cinema como “O Guarda-Costas” (1992), ao lado de Kevin Costner. A trilha sonora do filme se tornou uma das mais vendidas do planeta, em parte graças à balada soul “I Will Always Love You”, na que Houston demonstra o encanto de uma voz extraordinariamente ágil, potente e até explosiva, de grande fôlego e insolentes agudos.

Nos anos 1990, a cantora apareceu menos. Participou em algumas trilhas sonoras de filmes, mas deixou passar oito anos entre os álbuns “I’m Your Baby Tonight” (1990) e “My Love is your Love” (1998).

Nos anos 2000, a cantora passou a ocupar mais espaço nos tabloides sensacionalistas do que nas páginas de cultura. Vítima de um vício em drogas como cocaína e maconha, ela se submeteu a vários tratamentos de desintoxicação e chegou a afirmar que era sua “pior inimiga”.

Em 2005, seu marido, Bobby Brown, preso diversas vezes por atos de violência, direção sob o efeito do álcool e consumo de drogas, se exibe em família durante um reality show na televisão. No ano seguinte, Houston pede o divórcio. Endividada, em 2007 é obrigada pela justiça a vender bens pessoais, como vestidos e instrumentos musicais.

Após anos de ostracismo artístico, durante os quais seu espaço foi ocupado por artistas mais jovens, como Mariah Carey em um primeiro momento e depois Beyoncé e Rihanna, em setembro de 2009 retorna com um novo álbum álbum, “I Look to You”.

De maneira geral, o disco foi bem recebido pela crítica, apesar da voz menos potente da cantora.

“Posso resistir à dor, mas minhas vida não se limita a isto”, canta Whitney Houston em “Nothin’ But Love”, single que deu nome a sua última turnê mundial, em 2010. As apresentações foram interrompidas pelos problemas de saúde da artista.