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Tijuca e Salgueiro duelam na primeira noite do Grupo Especial na Sapucaí

Campeã e vice do ano passado, escolas da Zona Norte do Rio fizeram as melhores apresentações do domingo. Problemas com alegorias atrapalharam o carnavalesco Paulo Barros da luta pelo bi

Por Rafael Lemos, do Rio de Janeiro - 11 fev 2013, 08h17

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro reeditou o duelo que decidiu o Carnaval do ano passado. A Unidos Tijuca e o Salgueiro, atuais campeã e vice-campeã, destacaram-se neste domingo pela criatividade e competência de seus carnavalescos. No entanto, problemas com dois carros alegóricos na pista ameaçam o possível bicampeonato da Tijuca. Nesta segunda-feira, as atenções se voltam para Vila Isabel e Beija-Flor, as duas promessas da noite.

Depois da boa estreia da Inocentes de Belford Roxo, o Salgueiro apresentou seu enredo sobre a fama. O tema foi visto com desconfiança pelos sambistas mais conservadores. Na avenida, viu-se o contrário. Quem esperava um desfile de subcelebridades na Marquês de Sapucaí foi surpreendido pela ausência de famosos, com raras exceções como a rainha da bateria, Viviane Araújo. Na abordagem proposta pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, em vez de atores ou ex-BBBs, as grandes personalidades são a própria escola e seus componentes. Em tom crítico, o desfile retratou com irreverência a busca da humanidade pela fama ao longo da história, desde o Egito Antigo até a era do Photoshop. O visual esteve impecável, repleto de luzes, brilho, painéis de led e certo ar ‘hight-tech’ que consagrou Renato Lage na década de 90, ainda na Mocidade Independente de Padre Miguel.

Na comissão de frente, Amy Winehouse tira Marilyn Monroe de cena para monopolizar a atenção dos paparazzi. A encenação, que levou o público ao delírio, acontece numa espécie de tapete vermelho no teto de uma limusine. Na sequência, o abre-alas trouxe uma gigantesca câmera fotográfica, com pessoas tentando entrar na lente. Ainda no primeiro setor, estrelas brilhantes montadas sobre cadeiras de rodas pareciam flutuar ao redor dos componentes de uma das alas.

Logo depois do Salgueiro, veio a esperada Unidos da Tijuca, do carnavalesco Paulo Barros. O enredo, que era para ser sobre a Alemanha, acabou se transformando numa viagem conduzida pelo Deus Thor, personagem da mitologia germânica – que, depois, deu origem super-herói da Marvel. Mais uma vez, Barros deu um jeitinho de transformar um tema patrocinado em uma oportunidade de aplicar sua receita de sucesso: elementos da cultura pop, truques de mágica e alegorias humanas.

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O abre-alas trouxe o Deus Thor e emitia sons de raios e trovões. O carro teve problemas para entrar na pista e, numa manobra mal executada, teve a lateral esquerda danificada. Na dispersão, a alegoria voltou a apresentar dificuldades para ser retirada e teve que ser cortada com uma serra elétrica. O segundo carro, “A Floresta Encantada”, sofreu um princípio de incêndio, controlado pelos bombeiros.

Apesar dos problemas, a Tijuca se mantém firme na briga pelo título sobretudo graças à criatividade de Paulo Barros. Um bom exemplo é a ala em que os componentes se juntavam para formar uma torta alemã, com suas cabeças sendo a “cereja no bolo”. Na mesma linha, integrantes de outra ala montavam réplicas de fuscas ao unir suas peças em plena avenida.

No entanto, a maior ousadia talvez tenha sido o carro “Playmobil”, no qual componentes escorregavam por um tobogã e caíam numa piscina. O resultado final foi para lá de questionável. O homem na Lua e a cerveja também mereceram suas próprias alegorias.

Com uma homenagem a Vinícius de Moraes, a União da Ilha fez um desfile abaixo do apresentado no ano passado. A escola pecou no conjunto alegórico, demasiadamente simples para o Grupo Especial, ainda que de bom gosto. A bateria dos mestres Odilon e Riquinho foi o grande destaque e, inclusive, ajudou a melhorar o fraco samba-enredo da escola.

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Já a Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou um desfile apenas razoável sobre o Rock in Rio. O ponto fraco foram as alegorias, que devem cair no esquecimento antes mesmo da Quarta-feira de Cinzas. O conjunto de fantasias, no entanto, estava bem elaborado e ajudando a contar o enredo para o público.

Última a entrar na avenida, a Portela apostou tudo no seu samba-enredo, cheio de ginga. Na tentativa de empolgar público e componentes, a bateria acelerou demais, chegando a prejudicar o canto da escola. Com um dos barracões mais atrasados do Grupo Especial, a agremiação apresentou alegorias comparáveis às do grupo de acesso. De qualquer forma, a maior campeã da história do Carnaval carioca, com enredo sobre que contava no enredo 400 anos de Madureira e também os 90 anos da escola, mostrou novamente sua capacidade de superação e conseguiu deixar uma boa impressão.

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