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Thalita Rebouças investe na vingança dos pais – mas, por enquanto, não quer ser mãe

Escritora lança esta noite 'Fala Sério, Filha', dedicado aos adultos, e já prepara seu próximo livro, sobre Tetê, uma jovem excluída

“Eu sempre digo que ter filhos é fácil. Agora ser mãe é muito difícil. Acho que é uma função muito nobre para simplesmente bater o cartão e dizer: ‘tive filho’. Não é minha prioridade”

Por quase uma década, Thalita Rebouças, pela voz de Malu, enlouqueceu pais, professores e namorados das milhares de leitoras de seus livros. O “Fala sério” de Thalita está em cinco de seus 12 livros e é repetido centenas de vezes pela personagem Maria de Lourdes. Depois de botar a boca no mundo, chegou a vez de Malu ouvir. E a escritora que já vendeu mais de 1,2 milhão de livros no Brasil e em Portugal lançará, na noite desta quarta-feira, no Rio, a revanche dos adultos: Fala Sério, Filha! – A Vingança dos Pais, que terá noite de autógrafos na Livraria Argumento do Leblon, zona sul do Rio.

Thalita mostrou, ao longo da meteórica carreira como escritora, que sabe ouvir e entende o público adolescente. Daí a passar a ouvir também os pais foi um pulo. E a tornar-se expert no mercado editorial para jovem foi uma conseqüência natural. “Desde que eu lancei o Fala Sério, Mãe! e Fala Sério, Pai!, os pais me pediam muito para escrever sobre eles, falando que precisavam se vingar da Malu, que a Malu era muito abusada. Eles usavam muito a palavra vingança, falavam que precisavam usar o ‘fala sério’ para os filhos. Achei que eu ia continuar ouvindo muito isso, mas que eu não ia escrever. Quando vi, eu tinha um monte de histórias boas para contar”, conta a escritora.

A maioria das histórias é inventada. Mas, como quase todos os trabalhos, o livro contém referências familiares. “Tem muita coisa a ver comigo. Uma queixa da minha mãe é quando eu joguei a chupeta na jaula do urso no jardim zoológico. Eu não dei a minha chupeta para o Papai Noel, dei para o urso. O problema é que joguei junto com meu cordão de ouro. Minha avó teve que voltar no zoológico no dia seguinte para resgatar a correntinha”, diverte-se.

Assista ao ‘trailer’ criado pela autora para ‘Fala Sério, Filha!’:


Além de sua própria família e dos pais de seus leitores, Thalita diz ter sido inspirada por alguns amigos. Marcius Melhem é um deles. O ator e roteirista do humorístico Os Caras de Pau, da Rede Globo, é “co-autor” da crônica sobre a conversa fictícia entre o pai de uma jovem e uma perna. “O Marcius falou para mim que tinha pânico de que a irmã menor dele namorasse um menino com perna cabeluda, porque isso seria sinal de que ela já estava namorando homens. Daí eu criei um diálogo do pai da Malu com a perna cabeluda de um namorado. E eu gostei muito de inventar isso, porque foi muito bom botar uma perna falante no livro. Eu me diverti muito escrevendo e imaginando o pânico do pai de uma menina de 15 anos namorando um homem barbado”, explica Thalita.

Apesar da intimidade que demonstra com o universo adolescente, Thalita afirma que não se vê tão cedo passando pela mesma preocupação. Diz que a maternidade não está em seus planos. E que, caso tenha filhos no futuro, abdicará de parte de sua carreira para se dedicar plenamente à maternidade. “Eu sempre digo que ter filhos é fácil. Agora ser mãe é muito difícil. Acho que é uma função muito nobre para simplesmente bater o cartão e dizer: ‘tive filho’. Não é minha prioridade. Tem um monte de coisas que quero fazer antes. Eu escrevo o dia inteiro, seja no Twitter, seja na respondendo e-mail, seja escrevendo livro, escrevendo no blog”, justifica. “Se um dia eu for mãe, vou querer dar prioridade total para aquela pessoa”, diz.

Do futuro próximo, ela faz planos para aumentar – ainda mais – o seu público. Acredita que Fala Sério, Filha! potencializa o seu público adulto, e que os pais de seus jovens leitores podem representar até 20 % dos compradores da obra. “Os adolescentes são o meu público alvo e a grande maioria dos livros será comprada por eles, ou a pedido deles. Mas acho que os pais ficarão curiosos para ler. Os pais dos pirralhinhos de três, quatro, cinco ou seis anos, que ainda não são meus leitores podem se interessar pelo meu trabalho por conta desse título. Para saber o que espera por eles quando os filhos chegarem à adolescência”, acredita.

O que é certo, por enquanto, é que o filão adolescente, com os dramas de uma fase da vida em que tudo está em transformação, ainda pode render muito à criadora de Malu. “Meu próximo livro é sobre uma adolescente meio excluída. Ela não é esquisita. Ela tem uma família toda desestruturada. Apesar de todos os problemas, ela é uma pessoa muito bacana, que ri dela mesma. Esse personagem está começando a nascer na minha cabeça, o nome dele é Teresa, Tetê”, conta. “Não vai ser um livro sobre bullying. É a segunda vez que vou falar no assunto. Falei no Ela Disse, Ele Disse, e, agora, de novo. Mas ela vai sofrer bullying de leve e vai se unir com os outros excluídos. É a única coisa que sei dela até agora”, adianta.