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TEDx SP: boas ideias nascem em bate-papos, diz organizador

Nos Estados Unidos, a TED Conference (Technology, Entertainment and Design) – que deu origem à versão brasileira – reúne há 25 anos algumas das cabeças mais privilegiadas do mundo: em cerca de 15 minutos, elas devem expor “ideias que merecem ser espalhadas” para, de alguma forma, mudar o mundo. Ao final do evento, um palestrante é eleito pensador de destaque e recebe 100.000 dólares para avançar com seus projetos. Já falaram por lá nomes como o ex-presidente americano Bill Clinton, seu vice Al Gore, o cantor Bono, do U2, Bill Gates, fundador da Microsoft, e a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama. Cerca de 500 palestras estão disponíveis no site do evento e já foram acessadas por 50 milhões de pessoas de 150 países.

Por aqui, o TED aportou com uma questão tão relevante quanto ambiciosa: “O que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?”. O designer mineiro Helder Araújo – membro da comunidade TED internacional e um dos idealizadores do TEDx SP, realizado no último sábado – explica na entrevista a seguir os objetivos do encontro em terras tropicais.

Helder Araújo, organizador do TEDx SPConseguir a licença para o TEDx SP foi um processo demorado?

Na verdade, essa vontade já existia há algum tempo. Em março deste ano finalmente foi criado um programa que possibilitou a todos que fazem parte da comunidade TED desenvolver conferências locais, os TEDxs. As licenças são diferentes para cada caso e definem um limite de pessoas. Nós podemos ter acima de 400 participantes. Para isso, passamos por um longo processo de transparência, provando a viabilidade de colocar o projeto em prática e que não teríamos fins lucrativos.

O TEDx SP conta com um público seleto. Qual o objetivo de um questionário tão longo para a inscrição?

O nosso questionário foi baseado no que é feito lá fora. É uma forma de conhecer quem são as pessoas que vão participar do evento e como elas pensam. De qualquer maneira, é sempre difícil selecionar. Foi preciso cortar dois terços das pessoas inscritas: eram 2.200 para 700 vagas.

A maior parte dos participantes é de alguma área específica de conhecimento?

Encontramos de tudo, desde profissionais da área de propulsão nuclear para aeronaves e interessados em física quântica. Mas, até pela própria origem do TED (tecnologia, entretenimento e desing), acabamos tendo número grande de inscritos das áreas da comunicação. De toda maneira, ainda estamos na primeira edição, e o objetivo é incentivar a diversidade.

Vocês ressaltaram a importância dos intervalos entre palestras. O que esperavam que surgisse ali?

No TED original, boas ideias surgiram nas conversas mais despretensiosas. Um designer e um engenheiro elétrico se encontraram na conferência e descobriram muitas coisas em comum, até que desenvolveram juntos o projeto de uma motocicleta de alta performance. Nossa proposta é exatamente essa: possibilitar encontros não convencionais.

Como as pessoas que não participaram do evento podem conhecer e espalhar as ideias que surgiram ali?

É uma via de mão dupla. Vamos distribuir todo o conteúdo do evento na web gratuitamente no decorrer do ano, uma palestra por semana. Quem puder espalhar, contar, divulgar já está tendo uma grande participação. O que queremos promover através do evento, acima de tudo, é motivação. Que a pessoa olhe para aquilo, se inspire e se motive a fazer algo.

Qual é a relevância do TED brasileiro para o TED original?

Todo conhecimento divulgado pelo TED até agora é em inglês. Eles querem escutar ideias que venham de outras regiões, de quem talvez não tenha conhecimento da língua inglesa, mas possua ideias brilhantes. Com a possibilidade de as ideias serem espalhadas através do TED, a barreira da língua pode ser quebrada e a discussão se tornar global, com o objetivo nobre de mudar algo da sociedade.

O TEDx SP tem a ambição de ser mais que um evento pontual. Como pretendem dar continuidade à iniciativa?

A curto prazo, pretendemos produzir conteúdos que inspirem pessoas e deem vazão ao conhecimento que está sendo produzido. Aproximando empreendedores e cientistas, buscamos promover o fazer. Lá fora, o objetivo é disseminar, aqui precisamos materializar as ideias primeiro. Há muita coisa a ser feita ainda, este é apenas o início.