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Problema do filme ’50 Tons’ é o mesmo do livro: a autora

Apesar da história inverossímil, adaptação do best-seller erótico ganha pontos pela direção, bons atores e cenas de sexo leves, mas suficientes

Exceto pela retomada da clássica série Star Wars, que estreia seu episódio 7 em dezembro, não é exagero dizer que a adaptação cinematográfica de Cinquenta Tons de Cinza é o filme mais aguardado de 2015. A espera de dois anos pelo longa baseado no best-seller de E.L. James chega ao fim nesta quinta-feira, quando a produção assinada pela cineasta Sam Taylor-Johnson entra em cartaz em 1.090 salas.

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A fantasia para moças recatadas começa com Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma garota desajustada, tímida e virgem, que substitui uma amiga em um trabalho da faculdade de jornalismo e, assim, tem a missão de entrevistar Christian Grey (Jamie Dornan). O rapaz é um bilionário bonitão, jovem, de corpo malhado e olhar penetrante. Em poucos minutos, e sabe-se lá por quê, a mocinha sem graça se torna objeto de desejo do partidão cobiçado – trama que remonta aos primórdios de Cinquenta Tons, nascido como fanfic da puritana saga vampiresca Crepúsculo, na qual a menina de baixa autoestima Bella vira alvo do garoto mais desejado do colégio, o vampiro Edward.

Ao esmiuçar a produção, percebe-se que a diretora Sam Taylor-Johnson se mostrou esforçada e que merece bons adjetivos. O mesmo serve para falar do casal de protagonistas Dakota Johnson e Jamie Dornan. Porém, o grande problema do filme erótico é o que sempre existiu: o texto pobre e inverossímil da escritora E.L. James. A fidelidade aos livros- que venderam mais de 100 milhões de cópias no mundo – foi motivo de discussão entre a cineasta e a autora britânica, que possui total controle sobre a história, como reza o restritivo contrato assinado por ela com o estúdio Universal, o responsável pela adaptação. O jeito foi seguir o script e adicionar um pouco de plasticidade às cenas, com pitadas de ironia, o que fez da produção um soft porn classudo e deu aos personagens rasos um tom mais divertido.

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O que deixa levemente interessante essa história sofrível é a tentativa de explorar o misterioso universo do sadomasoquismo. No cinema, os elementos sexuais aparecem rápido, quando, no primeiro encontro oficial, Grey leva Anastasia de helicóptero para a sua cobertura em Seattle. Lá, a jovem se mostra disposta a “fazer amor” com seu par, e logo é advertida por ele: “Eu não faço amor”. O bilionário pergunta se a jovem quer saber mais sobre seus gostos peculiares. A resposta positiva da donzela virginal serve como chave para o Quarto Vermelho, que abriga todos os “brinquedos” de Grey. Mal a garota se recupera da surpresa, ele já explica os termos do possível relacionamento. Se quiser desfrutar da companhia do empresário, Anastasia deve assinar um contrato aceitando ser sua submissa. Pelo acordo, ela diz também se concorda ou não em ter uma relação sexual, seu tipo de alimentação e os médicos que deve consultar, se preciso, entre outros detalhes.

Um tanto confusa, mas muito segura para uma mulher que nunca teve uma relação sexual na vida e que acaba de conhecer um homem afeito a chicotes, Anastasia revela que ainda é virgem. Situação rapidamente resolvida pelo magnata, que abre uma exceção e transa — do jeito convencional — com ela em seu quarto pessoal.

As faladas cenas de sexo ficam dentro do esperado para um filme comercial, que almeja bilheteria estrondosa e possui censura quase livre. Sem nus frontais, quem se expõe mais é Dakota. A atriz passa bastante tempo sem roupa e até deixa à mostra alguns (muitos) pelos pubianos – depilação à la Cláudia Ohana, amplamente debatida com a diretora antes de ser filmada. A preocupação dos fãs em relação à química entre os atores é dissipada nos primeiros minutos. Em um sincronizado pas de deux, Dakota e Dornan provam que mereciam os papeis e mostram desenvoltura no jogo de falas, olhares e, o mais importante, na pegação. Destaque para a cena em que Anastasia leva o tal contrato para uma reunião de negócios na empresa de Dornan. A fotografia com iluminação avermelhada cria o tom certo para a conversa sensual da dupla. Momentos raros que deveriam fazem valer a pena o valor do ingresso, mas, que, infelizmente, são mesmo raros.