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Paola Oliveira estrela filme baseado em livro de Ziraldo

Por AE

São Paulo – Gente doce não faz filme amargo – a definição é do próprio Ziraldo, sobre a adaptação do seu livro “Uma Professora Muito Maluquinha”. Ziraldo refere-se aos diretores César Rodrigues e André Alves Pinto, aos atores Paola Oliveira e Joaquim Lopes. Paola é um encanto e superou suas mais íntimas expectativas sobre a professora maluquinha, que é, é bom lembrar, uma personagem real. Lopes é tão bom que Ziraldo, machão de carteirinha, faz uma confissão inesperada: “Até eu queria casar com ele”.

O filme estreia em salas de todo o Brasil em 7 de outubro, às vésperas do Dia da Criança. Como o francês “O Pequeno Nicolas”, de Laurent Tirard, “Professora Muito Maluquinha” também é um infantil com atrativos para adultos. O encanto do filme está neste voltar-se para o passado, para os anos 1940, numa cidade interiorana. Foi feito em São João Del Rei, onde Paola desfila o mais vaporoso guarda-roupa recente do cinema brasileiro. Ela confessa que foi um prazer usar todos aqueles modelitos.

O filme tem um quê de “O Padre e a Moça”, o clássico do Cinema Novo que Joaquim Pedro de Andrade adaptou do poema de Carlos Drummond de Andrade. Negro Amor de rendas brancas… Como foi criar a personagem? “Ah, não teve muita invenção, não. Embora filtrada pela ficção do Ziraldo, a personagem é real e, quando a personagem é real, o que a gente tem de fazer é torná-la verdadeira.” Paola foi escolhida pelo próprio Ziraldo, que a recomendou para o produtor Diller Trindade, impressionado com a semelhança física da moça com a professora Cate da vida. Antes, Paola já havia feito cinema, um papel importante com Reynaldo Gianecchini em “Entre Lençóis”, transposição, para o Brasil, de um filme chileno.

Embora a personagem tenha um comportamento adiante de sua época – e faça uma escolha ousada, no desfecho -, a professora maluquinha é carola, sobrinha do bispo, papel interpretado por Chico Anysio. “Chico foi maravilhoso no set, todo o elenco foi muito bacana. César (Rodrigues) e André (Alves Pinto) escolheram as crianças por meio de teste e a gente teve um período, uma semana, para se ambientar e começar a trabalhar junto. Mas, durante as filmagens, muitas vezes com aquela confusão dentro da sala de aula, eu tinha de bancar a professora de verdade, impondo a disciplina.”

Como era Paola na escola? Baderneira? “Que nada! Eu era totalmente introspectiva, cdf e muito, mas muito envergonhada. Meu ideal era passar despercebida, que ninguém me visse.” E a Paola teve uma professora muito maluquinha em sua vida? “Não digo que fosse maluquinha, mas a D. Samira, na 5ª série, foi muito importante. Ela foi especial porque foi um pouco como a Cate para mim. Era inspiradora, fazia a gente aprender alguma determinada coisa e ir além do que estava dentro da aula e da escola. Ela era um pouco como a minha heroína.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.