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O coral de Copacabana à espera de Stevie Wonder

Show no Imperator para pouco mais de mil pessoas serviu de ensaio para o espetáculo da noite desta terça-feira, para o qual são esperadas 500 mil pessoas

Assistir a um show de Stevie Wonder sem notar algumas lacunas é como acreditar em Papai Noel. Os sucessos não cabem mesmo em uma noite, e sempre haverá hits deixados de fora, preferências pessoais atropeladas ou algum clássico esquecido. Na apresentação do último domingo, no Imperator, para pouco mais de mil pessoas, faltaram, por exemplo ‘For Once in My Life’, ‘Part-Time Lover’ e ‘Isn’t She Lovely’, para ficar apenas nas mais reproduzidas no Brasil. No caso desta última, é improvável que os cariocas deixem a Praia de Copacabana sem ouvi-la na noite desta terça-feira, em um show maior e certamente com setlist mais popular. O presente de Natal do Rio será a apresentação gratuita de Stevie precedida de um show de sucessos de Gilberto Gil – igualmente imperdível.

O evento na Praia de Copacabana, para o qual são esperadas 500 mil pessoas, promete entrar para a lista de espetáculos memoráveis da cidade. Stevie passou pelo Rio há bem pouco tempo. E transformou a gigantesca plateia do Rock in Rio, em 2011, em um coral para ‘Garota de Ipanema’.

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É certo, certíssimo, que a multidão nas areias de Copacabana vai repetir o “olha, que coisa mais linda” e se entregar às graças de Stevie Wonder, que fez no caríssimo show do Imperator – beneficente, com ingressos a 800 reais – um ensaio para a noite desta terça-feira. ‘Garota de Ipanema’ teve seu momento, entre tantos outros pedidos de “cantem assim”, “repitam comigo” e “limpem a garganta, vocês estão fracos”. Pela apresentação do Imperator, no entanto, o público que sonhava em ver Stevie executando e cantando ‘Você Abusou’ deve continuar na vontade. No IMperator, Mais uma vez ele brincou com o refrão da canção de Antônio Carlos e Jocafi. Mas não emendou, indicando que não preparou esse número. Vale o registro: se Stevie estiver escondendo o ouro, será uma noite ainda mais encantadora e surpreendente.

Se na praia a tendência se repetir, os fãs de maior conhecimento sairão beneficiados. Stevie convidou Gilberto Gil para cantar ‘The Secret Life os Plants’, e os dois foram prejudicados pelo vilão da noite: um problema no sistema de som, fruto da incompatibilidade de equipamentos trazidos dos Estados Unidos com o sistema da casa, que os técnicos não conseguiram resolver. O problema causou atraso de duas horas no início do espetáculo. E obrigou Gilberto Gil a encurtar seu repertório.

O público da praia não deve passar por esse problema. Nem por outro gravíssimo, para os fãs inquietos em uma noite de dose dupla da música negra: espaço para dançar. A plateia do Imperator se comportou como pôde, até que a sequência de ‘Aquele Abraço’ e ‘Palco’ fez das cadeiras objetos inúteis. Com Stevie Wonder, o senta-levanta foi interminável: em alguns momentos, o público se calava absolutamente para escutar as minúcias e prestar atenção aos pedidos do maestro. Em outros, avançava para a frente do palco, como no encerramento do show.

O número “matador” foi a execução frenética de ‘Sir Duke’ que, pouco depois da metade da música, é emendada em ‘Signed, Sealed, Delivered, I’m Yours’. Copacabana vai tremer.