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No Dia da Mulher, atrizes pedem sororidade e convocam protestos

Marina Ruy Barbosa criticou rivalidade feminina, enquanto Débora Falabella e Bruna Linzmeyer divulgaram texto de manifesto feminista internacional

O Dia Internacional da Mulher de 2019 começou especialmente politizado no Brasil. Atrizes e personalidades brasileiras foram às redes não para homenagear suas “irmãs” ou celebrar, mas sim para protestar — seja contra a violência e as injustiças, seja contra as rivalidades fabricadas, na mídia ou no inconsciente coletivo, sempre que duas mulheres dividem o holofote.

Marina Ruy Barbosa, atriz da Globo recentemente envolvida no escândalo virtual em torno da separação da atriz Débora Nascimento e do ator José Loreto, concentrou sua mensagem na segunda opção e destacou a ideia de sororidade (sentimento de solidariedade entre as mulheres).

“Não seja uma mulher opressora”, pediu em sua conta no Instagram. “Colocar em prática atitudes feministas diante de uma sociedade que todos os dias propaga a rivalidade e competitividade entre as mulheres não é fácil. Mas é um esforço diário, e um olhar atento para todas as atitudes que temos. Devemos ter atenção, ninguém sabe a dor que a outra sente, problemas, angústias, cobranças… Antes de acusar, julgar, expor, procure saber, vá atrás da verdade, pois suas atitudes e comentários podem trazer um mal irreversível para outra mana”.

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Oito de março é o dia da mulher. Mas muitas vezes a gente passa por essas datas sem nem entender direito, até porque tudo hoje em dia acaba indo por um viés comercial e superficial. Esse dia existe para relembrar nossas conquistas sociais, políticas e culturais ao longo dos anos. (Tudo bem que ainda falta muito, mas…) E pra relembrar também o quanto devemos unir nossas forças. Vamos desaprender o que a sociedade ensinou sobre as mulheres. Precisamos juntas desconstruir essa rivalidade que criaram entre nós. Comece por VOCÊ a mudança que quer ver em outra mulher. Hoje em dia, uma das coisas que mais penso antes de dizer algo sobre outra é que quando eu atinjo uma mulher estou automaticamente me atingindo. Não seja uma mulher opressora. Com certeza o falar é mais fácil do que o agir. Colocar em pratica atitudes feministas diante de uma sociedade que TODOS os dias propaga a rivalidade e competitividade entre as mulheres não é fácil. Mas é um esforço diário, e olhar atento pra todas as atitudes que temos. Devemos ter atenção, ninguém sabe a dor que a outra sente, problemas, angústias, cobranças… Antes de acusar, julgar, expor, procure saber, vá atrás da verdade, pois suas atitudes e comentários podem trazer um mal irreversível pra outra mana. Uma das coisas que eu aprendi com o feminismo é não atacar outra mulher, mesmo até que ela faça isso comigo. O que nós precisamos fazer é PARAR DE NOS CULPAR. É acreditar na irmandade e solidariedade entre mulheres. Em uma sociedade que estimula a competição entre nós, a SORORIDADE vai na contramão desse conceito. #juntassomosmaisfortes #8M #feminist

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Débora Falabella também publicou um post com viés feminista, mas preferiu uma abordagem mais política, chamando a atenção para o projeto Agora É Que São Elas, coletivo criado em 2015 para dar voz a mulheres em espaços profissionais normalmente ocupados por homens. Citando um projeto de lei que pode reduzir as vagas obrigatórias para candidatas em partidos, a atriz declarou apoio a um manifesto feminista internacional que vem circulando pela internet e ganhando força neste 8 de março, convocando suas seguidoras a assinarem o documento. Leandra Leal também apoiou a ideia, no Twitter.

O texto, que pode ser lido na íntegra no site internacionalfeminista.org, define os focos do movimento “contra os feminicídios e toda forma de violência de gênero; pela autodeterminação de seus corpos e acesso ao aborto seguro e legal; por igualdade salarial para trabalhos iguais; pela livre sexualidade (…) contra os muros e fronteiras; o encarceramento em massa; o racismo, a islamofobia e o anti-semitismo; a desapropriação das terras de comunidades indígenas; a destruição de ecossistemas e a mudança climática”. Mais adiante, o grupo se posiciona contra governos de direita que cerceiam os direitos de mulheres e pessoas LGBTQ+ em nome de “valores tradicionais”.

Outras famosas aderiram ao movimento, inclusive convocando o público a participar de manifestações nas ruas que acontecerão durante todo o dia ao longo desta sexta-feira, em diversas capitais do País. Nanda Costa recomendou: “Vista-se de você, e bora pra rua com a gente!”, enquanto Bruna Linzmeyer convidou: “Vamos juntes [sic] rumo a uma marcha internacional feminista?” — a palavra “juntes” apareceu em diversas mensagens e hashtags, como um recado de inclusão a pessoas de todos os gêneros.

Por meio de stories, nomes como Elisa Lucinda, Dira Paes, Cleo Pires, Maria Clara Araújo, Nathalia Dill, Letícia Sabatella, Carolina Ferraz e Astrid Fontenelle também se posicionaram em apoio à mobilização.

Confira outras mensagens neste Dia Internacional da Mulher:

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Na véspera do 8M, o @AgoraÉQueSãoElas_ pauta o debate sobre os dois projetos de lei que pretendem alterar as regras que obrigam os partidos a destinar 30% das vagas e dos recursos para as candidatas. Querem nos excluir da política, e nós não vamos permitir! Nos unimos às lideranças feministas que estão convocando as mulheres para uma ofensiva internacional contra os governos da extrema-direita! "A nova onda feminista é a linha de frente na defesa contra o fortalecimento da extrema-direita. Hoje, as mulheres estão liderando a resistência a governos reacionários em inúmeros países.", diz o manifesto feminista, escrito por Nancy Frazer, Cinzia Arruza e Tithi Bhattacharya e assinado por Angela Davis (EUA), Jupiara Castro (BRA), Marta Dillon (ARG), Julia Cámara (ESP), Luna Follegati (CHI), Enrica Rigo (ITA), Veronica Cruz Sanchez (MEX), Morgane Merteuil (FRA), Julia Cámara (ESP) e a nossa editora Antonia Pellegrino (BRA), entre tantas outras. O Brasil faz parte da articulação e convida todas para assinarem ao manifesto também, através do site www.internacionalfeminista.org COMPARTILHA! #8M2019 #MaisJuntesQuenunca #FeminismoSemFronteiras #AgoraÉQueSãoElas

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#8M #8M2019 #MaisJuntesQueNunca

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