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‘Nada Será Como Antes’: um melodrama para contar a história da TV

Minissérie da Rede Globo tem tom metalinguístico e estilo de novelão para reviver o surgimento da TV e da telenovela no Brasil

Nesta terça-feira, a Rede Globo estreia a minissérie Nada Será Como Antes, que pretende contar de forma ficcionalizada o surgimento da televisão no Brasil. Criada por Guel Arraes e Jorge Furtado, o roteiro metalinguístico usa a história (aquela com H maiúsculo) apenas como pano de fundo para apresentar o tipo de história (aquela que antes se escrevia com E) que o telespectador mais gosta de ver: um novelão melodramático, cujo casal protagonista é interpretado pelo casal real Murilo Benício e Débora Falabella.

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Nada Será Como Antes se passa nos anos 1950, década da chegada da TV. O protagonista é Saulo Ribeiro (Murilo Benício), um vendedor de rádios que se apaixona pela voz de uma locutora no interior paulista, e faz um desvio em sua viagem ao Rio de Janeiro apenas para conhecê-la. Assim ele encontra Verônica (Débora Falabella), e logo se dispõe a torná-la a maior atriz de radionovela do Brasil. Em entrevista ao site de VEJA, Benício descreve o protagonista como “um retalho das tantas histórias que aconteceram com as pessoas que fizeram a televisão”. Segundo ele, Saulo, que é ficcional, é “uma homenagem aos pioneiros da comunicação”.

O primeiro capítulo conta com um salto de dez anos e traz os dois já casados na capital fluminense. Ela alcançou o sonho, e ele, empreendedor, busca um patrocinador para ajudar a fundar a primeira emissora nacional, a TV Guanabara. Porém, o executivo descobre que é infértil e por isso decide se separar da esposa, que sonha em ter filhos. Comandando outro núcleo da trama, está Bruna Marquezine, que vive a sedutora Beatriz, uma cantora que inicia um relacionamento com empresário Otaviano (Daniel de Oliveira), mas se encontra às escondias com a irmã dele, Julia (Letícia Colin).

A produção não tem a intenção de ser didática, já que é apenas levemente inspirada em fatos reais e possui licença artística. Na história real, o responsável por trazer a televisão ao Brasil foi Assis Chateaubriand, que fundou a TV Tupi, em São Paulo, em 18 de setembro de 1950. “A série é uma ficção, os personagens e suas histórias pessoais são totalmente fictícios, mas os acontecimentos históricos, sociais e políticos do Brasil são reais, e muitas das histórias dos bastidores da TV, também. Tomamos algumas liberdades com a cronologia. Por exemplo, nossos personagens criam uma telenovela, ainda na década de 50, quando a primeira telenovela de fato só surgiu na década de 60”, explica Jorge Furtado.

A minissérie possui uma produção caprichada na fotografia, figurino e direção de arte, graças ao diretor artístico José Luis Villamarim — que acabou de se destacar na ótima Justiça. O elenco também foi um acerto, com nomes fortes como Benício e Débora — cujo companheirismo na vida real traz um peso ao drama vivido na ficção –, Daniel de Oliveira, Cássia Kiss e Daniel Boaventura, com sua poderosa voz. Bruna Marquezine, que o público se acostumou a ver no papel de mocinhas inocente, pode inicialmente parecer estranha como a sedutora e manipuladora Beatriz, mas esta é a chance da atriz mostrar se tem capacidade para interpretar uma forte personagem ou não.

Nada Será Como Antes é um produto para prestar um tributo à própria televisão, e tentar conquistar o público com o bom e velho drama romântico, com algumas pitadas de sensualidade permitidas pelo horário, misturando de forma agradável aos olhos a ficção e a realidade. “Eu e o Guel trabalhamos em televisão há mais de 30 anos, sabemos de muitas histórias sobre os tempos heroicos, trabalhamos com alguns dos pioneiros e faz tempo que queríamos fazer uma série que contasse a saga destes televisionários. A televisão brasileira se tornou uma grande indústria, uma paixão nacional, mas ninguém ainda havia contado a aventura dos seus criadores”, completa Jorge Furtado.