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Morre o produtor musical André Midani, aos 86 anos

Produtor foi fundamental para a criação e a promoção da Bossa Nova, do Tropicalismo e do rock brasileiro

Morreu na madrugada desta sexta-feira o produtor musical André Midani, aos 86 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, no Rio de Janeiro. A assessoria de imprensa do hospital confirmou a morte, mas afirmou que a família do produtor não autorizou a divulgação de mais informações.

Midani era um dos principais nomes da indústria fonográfica, tendo sido fundamental para a criação e promoção da Bossa Nova nos anos 50, para o tropicalismo na década seguinte e para o rock nos anos 80.

Trabalhou com músicos como Elis Regina, Tom Jobim, João Gilberto, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tim Maia, Nara Leão, e bandas como Titãs, Kid Abelha, Barão Vermelho e Os Mutantes.

O produtor nasceu em 25 de setembro de 1932, em Damasco, na Síria, e se mudou para a França quando tinha 3 anos. Foi no país europeu que começou a carreira na indústria fonográfica. Chegou ao Brasil em 1955 e deu continuidade ao trabalho com a música.

Fundou em 1977 a filial brasileira da gravadora Warner, depois de ter trabalhado para a Odeon, para criar o selo Capitol Records por aqui, e Philips (atual Universal Music). Na década de 1990, tornou-se o presidente da Warner para a América Latina e se mudou para Nova York, onde ficava o escritório da gravadora.

Nos anos 2000, voltou para o Brasil e, em 2006, deixou a carreira musical. O último disco que produziu foi De Bem com a Vida, de Martinho da Vila. Começou, então, a fazer trabalhos sociais, como na ONG Viva Rio, que promove a inclusão social e luta contra a violência na cidade.

Em 2015, porém, voltou à cena musical com o lançamento do projeto Inusitado, que consistia em trazer artistas cantando músicas inesperadas para seu repertório tradicional ou então em parceria com outros músicos de diferentes estilos. Em 2016, por exemplo, juntou Anitta, Arnaldo Antunes e Arlindo Cruz. Em entrevista à BBC Brasil, elogiou a cantora, que ensaiava uma guinada pop, mas ainda era considerada do funk. “Ela é afinada, musical, com muitas qualidades”, disse.

Repercussão

Músicos brasileiros lamentaram a morte de André Midani nesta sexta. “Revolucionou com seu trabalho o modo de se conceber, produzir, distribuir, comercializar e curtir a nossa música popular”, escreveu Arnaldo Antunes em seu perfil no Twitter. “Talvez o maior nome da indústria musical brasileira”, homenageou Leo Jaime.

Confira a repercussão:

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Nosso querido André Midani se foi. O mestre dos mestres. Com ele aprendemos muito. Eu não teria feito tudo que fiz sem seus ensinamentos e a liberdade que me deu para criar. A música no Brasil não seria o que foi sem a sua presença, seu entusiasmo, seu olhar artístico, sua sensibilidade e sua firmeza de não permitir ingerências de fora. Seu pragmatismo fazia com que as coisas acontecessem. Sua ligação com a Bossa Nova, o seu apoio à Tropicália, sua aposta no Rock e outras coisas que vieram depois, deixam claro sua importância. Sorte daqueles que puderam observar de perto seu jeito de trabalhar e viver. Obrigado André por tudo que você fez por mim, pelas pessoas, pela música e pela arte. Você sempre lembrado com o maior carinho por todos nós. Descanse em paz querido André.🙏

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