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Morre o percussionista Naná Vasconcelos, aos 71 anos

Por Da Redação - 9 Mar 2016, 08h51

O músico Naná Vasconcelos, 71, morreu na manhã quarta-feira. O percussionista estava internado em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo do hospital Unimed III, no Recife, desde a segunda-feira, 29 de fevereiro, após passar mal em um show em Salvador. Segundo o jornal Bom Dia Brasil, da rede Globo, ele morreu por complicações de um câncer de pulmão, descoberto em agosto.

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No segundo semestre de 2015, Naná Vasconcelos ficou internado mais de 20 dias passando por um tratamento contra o câncer. Ele procurou a emergência do hospital após voltar de uma viagem ao Rio de Janeiro, onde apresentou o show O Bater do Coração. “Pegou todos de surpresa porque ele havia feito um raio-x do pulmão no ano passado e uma revisão geral há dois meses e nada foi encontrado. Foi tudo muito rápido, um susto”, ele declarou na época.

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Após o período, o percussionista foi liberado e foi otimista. “Eu tenho essa situação, e tenho que enfrentar com força, pensamento positivo. E vou enfrentar com o pensamento de que eu vou chegar lá”. Apesar da doença, Naná fez questão de participar da abertura do Carnaval do Recife no Marco Zero este ano. Foi acompanhado por seus 400 batuqueiros.

História – Naná nasceu Juvenal de Holanda Vasconcelos, no Recife, em 2 de agosto de 1944. Envolvido desde os 12 anos de idade com música, paixão impulsionada pelos movimentos de maracatu da região, Naná se tornou uma autoridade em instrumentos de percussão. Tanto que ganhou fama mundial na área e se tornou o único brasileiro a conquistar oito prêmios no Grammy, principal honraria da música mundial.

Autodidata, aprendeu a tocar todos os instrumentos de percussão, mas se especializou no berimbau durante os anos 1960, quando se mudou para o Rio de Janeiro, onde a carreira deslanchou. Na época, gravou com nomes como Milton Nascimento e Geraldo Vandré.

Na década de 1970, foi convidado pelo saxofonista de jazz argentino Gato Barbieri para uma turnê internacional. Eles se apresentaram nos Estados Unidos e na Europa, com destaque para o tradicional festival de jazz de Montreux, na Suíça. Naná decidiu ficar em Paris, onde morou por cinco anos e lançou seu primeiro disco Africadeus, em 1971. Se dividiu entre o Brasil e o mundo até 1986, quando retornou de vez ao país.

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Durante seu período fora, incrementou o currículo. Trabalhou com músicos como B.B. King, o francês Jean-Luc Ponty, e fez trilhas sonoras de filmes como Procura-se Susan Desesperadamente, estrelado por Madonna, e Down By Law, do controverso cineasta Jim Jarmusch.

No Brasil, durante a década de 1980, passou a explorar a sonoridade de instrumentos eletrônicos, lançou novos discos, se envolveu com festivais de música e ainda colaborou com cantores como Marisa Monte, Caetano Veloso e Mundo Livre S/A. Entre os anos 1980 e 90, foi eleito dez vezes o melhor percussionista do ano pela revista americana Down Beat, considerada a “bíblia” do jazz e do blues. O último disco de Naná foi Sinfonia & Batuques, lançado em 2010. O músico deixa duas filhas, Jasmim Azul e Luz Morena.

(Da redação)

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