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Morre o compositor Elton Medeiros, aos 89 anos

O velório acontece na capela do cemitério do Catumbi, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e o sepultamento está marcado para às 15h30 no mesmo local

O compositor Elton Medeiros morreu na madrugada desta quarta-feira, 4, no Rio de Janeiro. O músico estava internado havia dois dias com pneumonia na Casa de Saúde Pinheiro Machado. O velório já está acontecendo na capela do cemitério do Catumbi, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O sepultamento ocorrerá a partir das 15h30 no mesmo local. Os familiares do sambista estão chegando no local. 

Nascido na Glória, bairro do Rio, tomou contato com a música desde cedo. Seu pai promovia reuniões musicais em casa e saía em ranchos carnavalescos. Medeiros teve ainda como professor o grande maestro e compositor Heitor Villa-Lobos. “Ele dava ingressos para a gente assistir aos concertos dominicais da Orquestra Sinfônica Brasileira. E fazia até chamada oral sobre o concerto”, lembra.

Medeiros era tão elegante quanto suas composições. Vestia-se de maneira sóbria e sua erudição era conhecida e respeitada entre os músicos. Também odiava a folclorização que se fazia do sambista. “Tem gente que imagina que para se fazer samba é preciso frequentar botequim. Eu até sei bater uma caixinha de fósforo, mas não faço tipo para corresponder à idealização das pessoas.”

O primeiro samba foi composto aos 8 anos, para um bloco de garotos da rua onde morava, no subúrbio de Brás de Pina. Dez anos depois, ele entrou de vez para o mundo da música. Tocou trombone em gafieira, fundou o bloco carnavalesco Tupi de Brás de Pina, foi integrante da ala de compositores da escola de samba Aprendizes de Lucas. Também participou, ao lado de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, do espetáculo Rosa de Ouro, que resultou em dois discos antológicos que reuniam Aracy Cortes, Clementinha de Jesus, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento e Anescarzinho do Salgueiro. Medeiros integrou ainda os grupos A Voz do Morro e Os Cinco Crioulos.

A parceria com Paulinho da Viola, que gerou Samba na Madrugada (1968), iniciou-se no Zicartola. O restaurante do compositor Cartola e sua mulher, dona Zica, reunia os grandes nomes da música no Rio. Samba na Madrugada é um álbum antológico, que traz parcerias de Medeiros com Cartola, Zé Keti, Mauro Duarte, Hermínio Bello de Carvalho e o próprio Paulinho. Entre as principais composições desse clássico da MPB está O Sol Nascerá, de Medeiros e Cartola, que mereceu mais de sessenta regravações.

Medeiros, que lançou seu primeiro disco-solo em 1973, era um sambista militante. Lutava pela qualidade da música brasileira. Numa entrevista que deu para VEJA, no início dos anos 2000, criticou a diretoria da escola de samba Portela por esta ter apagado um mural onde figuravam todos os seus compositores. O sambista, como poucos, reclamou do descaso com a música no Brasil e por muitas vezes lembrou da importância da educação musical nas escolas. “Villa-Lobos levou os corais para as favelas, o ensino musical estava nas escolas públicas. Tudo isso resultou em uma qualidade altíssima na produção artística, e mesmo os compositores dos morros foram envolvidos nesse movimento”. Mas a boa música de Elton Medeiros permanece. O Sol Nascerá é tema de Bom Sucesso(2019), novela que está no ar atualmente, na faixa das 19 horas, na Rede Globo.

 

Em nota, a equipe de Elton Medeiros lamentou a morte do “amigos e mestre” Elton Medeiros:

“É com pesar que informamos que o amigo e mestre Elton Medeiros faleceu nesta terça feira (3), por volta das 20h15, em uma clínica em Laranjeiras, onde estava internado devido a complicações causadas por uma pneumonia.

Um dos Grandes do samba, dos melodistas mais puros, sai de campo aos 89 anos para um lago mais tranquilo. Esteja sempre em paz, Elton, e obrigado por toda sua arte. Nos deixa uma obra irreparável e única.

O enterro acontece nesta quarta (4), às 15h30 no Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, na cidade do Rio de Janeiro (Rua de Catumbi, 120, Capela Í)”, diz o comunicado.