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Morre, aos 89 anos, a lenda do blues BB King

A notícia da morte provocou uma série de homenagens de músicos de todas as gerações, que consideravam King uma referência

A lenda do blues B.B. King, um dos maiores guitarristas de todos os tempos e que inspirou gerações de músicos durante sua longa carreira, faleceu aos 89 anos na quinta-feira. O rei do blues, que fez shows até o ano passado, informou no dia 1º de maio em um comunicado que estava recebendo tratamento médico paliativo em sua casa de Las Vegas, nos Estados Unidos.

Relembre os sucessos do músico americano B.B. King

A notícia da morte de King provocou uma série de homenagens de músicos de todas as gerações, que consideravam King uma referência. “BB, qualquer um poderia interpretar mil notas e nunca chegar a dizer o que você dizia com apenas uma delas. #RIP”, escreveu no Twitter o músico Lenny Kravitz.

O cantor canadense Bryan Adams também fez sua homenagem no Twitter: “RIP BB King, um dos melhores guitarristas de todos os tempos, talvez o melhor. Ele podia fazer mais que qualquer um com apenas uma nota.”

A genialidade de B.B. King, em poucos acordes

Biografia – Riley B. King nasceu na cidade de Itta Bena, arredores de Indianola, no estado americano de Mississippi, em 16 de setembro de 1925. Quando completou quatro anos, seus pais se divorciaram e ele foi morar com a mãe e a avó. Aos 10, já trabalhava nos campos de algodão, principal atividade econômica daquele Estado, e ganhava 35 centavos de dólar por dia. Nas plantações, ouvia os cantos entoados pelos trabalhadores, que lhe serviram de influencia para compor o seu próprio blues. Uma de suas tias possuía um fonógrafo, artigo para poucos na época, e desde cedo a sua maior diversão passou a ser escutar os discos de Blind Lemon Jefferson e Mississippi John Hurt. Aos 12 anos, comprou a sua primeira guitarra. Em 1947, mudou-se para Memphis decidido a se tornar músico e, três anos depois, já era considerado um artista em ascensão. Adotou, então, o nome artístico de B.B. King: o B.B. significa ‘blues boy’ (garoto do blues, em tradução livre).

Em Memphis, o programa de rádio do qual participava na estação WDIA e os shows ao lado dos amigos Johnny Ace e Bobby “Blue” Band fizeram sua reputação crescer no meio musical. Uma de suas primeiras gravações, Three O’Clock Blues, para o selo RPM, estreou como sucesso nacional em 1951 e durante os anos seguintes seus discos e shows já tinham vendas consistentes. O primeiro disco veio em 1957, sob o título Singin’ the Blues.

De todos os filões da música negra que prosperaram neste período nos Estados Unidos, o blues foi o mais marcado pela memória da escravidão. Não à toa, o termo em inglês também significa tristeza ou melancolia e o gênero remetia às vidas nas senzalas ou à fase difícil vivida pelos negros mesmo após a abolição. Durante o movimento pelos direitos civis dos negros americanos em 1960, King foi rechaçado por parte da população e se ocupou de encontrar outro público. Seu disco Live at the Regal, de 1965, é considerado um dos álbuns centrais para o gênero. Ao produzi-lo, ultrapassou fronteiras e apresentou o seu estilo musical às plateias brancas. No ano seguinte, ele estava constantemente em circuitos de shows de rock e rádios. Outros hits do soul music vieram, como Paying the Cost to Be the Boss, Why I Sing the Blues e The Thrill Is Gone.

As grandes músicas de King são incontáveis e, por consequência, o seu reconhecimento também. Ele entrou para o Blues Foundation Hall of Fame em 1980, e para o Hall da Fama do Rock and Roll em 1987. Em 1990, ganhou o prêmio por toda sua obra no Hall da Fama dos Compositores. É dono de uma rede de restaurantes, a B.B. King Blues Club & Grill, mas a música sempre foi seu principal negócio: estima-se que ele tenha vendido mais de 40 milhões de discos ao redor do mundo.

Nos anos iniciais da década de 1990, ele gravou diversas faixas em parcerias com músicos de sua época ou que foram influenciados por ele, como o grupo U2, que resultou na popular When Love Comes to Town. Ainda, colaborou com Gary Moore, Vernon Reid, John Lee Hooker e o resultado foi o aclamado disco Lucille & Friends. Em 2000, continuou a produzir importantes trabalhos, como o álbum Riding with the King, parceria com o discípulo Eric Clapton. Sua discografia completa conta com mais de cinquenta títulos.

Em 2003, a revista Rolling Stone o considerou o terceiro guitarrista mais importante da história, atrás de Jimi Hendrix e Duane Allman, mas à frente de Eric Clapton.

Em 2012, a vida do músico se tornou tema do documentário B.B. King: The Life of Riley, dirigido por Jon Brewer. O filme mostra a difícil trajetória do músico desde o trabalho nos campos de algodão até o estrelato. “Todos nós temos ídolos. Toque como alguém que você goste, mas enquanto faz isso tente ser você mesmo”, disse King em uma das cenas.

(Da redação)