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‘Maze Runner 2’ se afunda em mar de referências clichês

Franquia distópica volta a exagerar na mistura de elementos que atraem bilheteria, com cenário pós-apocalíptico, experimento científico e, por que não, personagens zumbis

É necessária muita paciência para chegar ao fim de Maze Runner: Prova de Fogo, o segundo capítulo da saga distópica, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira. Concorrente à vaga de substituto do sucesso Jogos Vorazes, a franquia dirigida por Wes Ball teve um começo interessante, ao narrar a misteriosa história de um grupo de adolescentes sem memória, preso em um terreno cercado por muros gigantescos que separam o local de um sinistro labirinto. O bom potencial se perde quando o autor da trama na literatura, James Dashner, insere uma salada de referências batidas, somada a um cenário pós-apocalíptico e uma organização governamental para lá de suspeita. A sensação de déjà vu ficou pior.

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A sequência acontece minutos depois do fim do primeiro filme, quando os rapazes liderados por Thomas (Dylan O’Brien) e Teresa (Kaya Scodelario) escapam do labirinto e são resgatados por pessoas armadas e uniformizadas. Os jovens são levados para uma construção considerada segura, liderada por Janson (Aidan Gillen, o Littlefinger de Game of Thrones). Lá encontram outros adolescentes, que também estavam presos em labirintos espalhados sobre o que restou da Terra. Aqui, abre-se um parêntese para a novidade. Fora dos labirintos e de construções como esta, a vida é impraticável. O mundo foi devastado e se tornou um lugar árido, sem leis, sem água, sem uma ordem social e com um adendo e tanto: o vírus Fulgor, que transforma as pessoas em famintos e rápidos zumbis.

Thomas descobre que seus salvadores, na verdade, são parte da mesma organização que os manteve presos no labirinto, a qual atende pela sugestiva sigla Cruel (Catástrofe e Ruína Universal: Experimento Letal). Os jovens ali presos são imunes ao tal vírus, por isso, podem ser um canal de cura – enquanto são dissecados e pendurados por tubos. Os rapazes, experientes em corridas, como já mostra o primeiro filme, armam uma mirabolante fuga da fortaleza e logo depois se encontram no selvagem mundo que se tornou a Terra. A missão deles é descobrir a veracidade sobre um possível grupo de resistência que se reúne nas montanhas.

A partir daí, a produção de mais de duas horas de duração serve apenas como espetáculo de efeitos visuais e uma boa injeção de adrenalina. Mesmo assim, é necessária uma dose de abstração para chegar até o fim e encarar cenas que parecem cópias mal feitas de produções do passado, como a série Lost e o filme Matrix. Os clichês também são abundantes e nenhuma surpresa ou reviravolta é inesperada. Porém, um dos maiores problemas do longa é sua falta de nexo como um todo. O segundo filme e o primeiro em pouco se relacionam. A geografia da cidade não faz sentido. E o protagonista acredita piamente ser um herói da DC Comics. A sensação final é que, se zumbis e um planeta destruído não for suficiente, o terceiro filme, previsto para 2017, pode ter vampiros ou outro elemento popular para conquistar mais bilheteria.