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Malhação faz 20 anos – e a fila anda

Os atores e as tramas passam, mas o fôlego de Malhação não se esgota: há duas décadas a novela é uma usina de inovações para a Globo

Um anúncio nos jornais convocava jovens que gostassem de escrever para participar de um curso de autores da Globo. Era 1994, o carioca Emanuel Jacobina tinha 31 anos, inscreveu-se nessa tradicional porta de entrada para novos roteiristas da emissora e foi aprovado. Antes de ser contratado, contudo, precisava passar por uma prova: a criação da sinopse de um novo programa. Jacobina encarou a tarefa em dupla com a conterrânea Andrea Maltarolli. Mas, enquanto Jacobina sonhava com um programa sobre adolescentes do subúrbio, a parceira preferia criar uma série para adultos ambientada em uma academia de ginástica. A solução foi fazer um híbrido: um seriado sobre adolescentes tendo como cenário uma academia. Malhação entraria no ar em abril de 1995, tempo recorde para os padrões da emissora. Vinte anos depois, a invenção de Jacobina e Andrea (que morreu em 2009) é o projeto dramatúrgico mais longevo da história da TV brasileira. Com 5 135 episódios a ser completados nesta segunda-feira, já supera em quase nove vezes o total de Redenção, novela dos anos 60 que detinha esse recorde com seus 596 capítulos. Para um programa que nasceu sem pretensões, Malhação revelou-se de um fôlego invejável.

O segredo da vida longa é que, apesar de Malhação ser classificada como novela, seu formato lembra mais o das séries americanas de antologia: quando a receita parece se esgotar, a Globo muda elenco, trama e cenário para buscar a sintonia com a juventude de cada hora. Do culto às academias que lhe deu origem, Malhação conserva só a menção no nome. Desde então, sucederam-se tramas que refletiam questões pontuais de comportamento, do debate sobre a aids à paixão pelos vampiros da série Crepúsculo. A tática de eterna reinvenção possibilitou tirar lições de expedientes bem-sucedidos e sobreviver a equívocos. Em suma: a fila de Malhação anda que é uma maravilha.

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