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Macaquinho carismático de ‘Amazônia’ abre Festival do Rio

Longa conta a aventura de animal domesticado solto na imensidão da floresta

Um macaquinho cheio de carisma, com olhar mais expressivo do que o de muito ator humano, é o protagonista de uma história de descobertas em Amazônia – Planeta Verde, coprodução França-Brasil dirigida por Thierry Ragobert, que abre o Festival do Rio na noite desta quinta-feira, no Cine Odeon. A sessão de estreia é apenas para convidados, mas haverá exibições para o público na sexta-feira, às 19h30, no Cine Carioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão, e no sábado, às 16h30, no São Luiz 3, no Largo do Machado.

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Criado em cativeiro, o pequeno macaco-prego de repente se vê sozinho na imensidão verde da floresta depois que o avião onde estava cai entre as árvores. Abraçado ao seu macaquinho de pelúcia, ele tem medo de tudo. “Eu escrevia o roteiro de dia e lia para as minhas filhas, Carolina e Mariá, à noite. A caçula, Mariá, de 9 anos, foi quem deu a ideia de ele ter um bichinho de pelúcia”, conta o roteirista Luiz Bolognesi, lembrando que as filhas vibravam a cada momento da aventura. “Isso me deu certeza de que estava no caminho certo.”

Aos poucos, o macaquinho se arrisca atrás de água e comida. Enfrenta perigos, como uma onça pintada faminta e uma cobra enorme. Chega a viajar em alucinações após comer um cogumelo suspeito. E encontra um bando de macacos-prego como ele. No início, é difícil a aproximação, já que o macho-alfa do grupo não é muito receptivo a novos membros. O ‘herói’, então, fica a uma distância segura, aprendendo a se virar na floresta imitando os outros.

O tempo passa, marcado na tela pelas estações da seca e da cheia. O bichinho, que nem sabia subir em árvore, já consegue saltar de uma para outra. Encontra o amor, na figura de uma macaquinha dourada e quase tão expressiva quanto ele. E arranca a coleira vermelha que o diferenciava dos demais. “O filme apresenta a Amazônia sob o ponto de vista do macaquinho e conta a sua história”, afirma Fabiano Gullane, um dos produtores do longa.

Público – A fábula do animal domesticado que reencontra sua própria natureza foi pensada para o público infanto-juvenil, mas encanta adultos na mesma medida. Totalmente rodado na Floresta Amazônica, e em 3D, ao custo de 26 milhões de reais, foi recebido com entusiasmo no Festival de Veneza, onde fechou o evento. Não há diálogos. As únicas vozes humanas são as de duas meninas, no início e no fim do longa, que chamam: “Macaquinho! Macaquinho!”.

No resto dos 83 minutos de filme, o que se ouve são a trilha sonora e, principalmente, os sons da floresta. “Todo mundo sabe o que é a Amazônia, mas pouquíssima gente, do Brasil ou fora dele, vai até lá. A ideia era propiciar esse encontro com a floresta”, explica Gullane. Para isso, foram necessários quase cinco anos de trabalho da equipe. O primeiro, todo dedicado a descobrir onde haveria bandos de macacos-prego, antas, tucanos, botos e todos os animais que estrelam o longa.

Além dos quatro animais que se revezam no papel principal – um protagonista e três dublês, segundo o produtor – e da onça, nenhum animal foi levado para as filmagens ou retirado de seu habitat. Os cerca de 180 membros da equipe, com suas 45 toneladas de equipamentos, iam até eles. Depois, foram mais seis meses de presença da equipe nas locações, para que os animais se acostumassem.

No dia da filmagem da onça, novo desafio. “Montamos umas jaulas para a equipe ficar, com buracos do tamanho das lentes das câmeras. Do lado de fora, soltos, só a onça e o responsável por ela. Acabou sendo tranquilo. Os mosquitos foram o pior. Vários membros da equipe pegaram malária e leishmaniose”, lembra o produtor, contando que as filmagens foram todas fiscalizadas por órgãos como o Ibama, ligados à proteção do meio ambiente: “Não queríamos causar danos aos animais. O filme passa, a floresta fica”.

Estreia – Amazônia já foi vendido para 28 países. Ainda não há data definida para a estreia nos cinemas brasileiros, mas a previsão é de que ela ocorra durante as férias de verão, em dezembro ou janeiro próximos.

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