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Leandro Hassum fala sobre o pai traficante a Marília Gabriela

Ator conta que o pai fazia parte da máfia italiana e que ficou preso por onze anos. História pode ser levada aos cinemas pelo comediante

O comediante Leandro Hassum é o convidado do Marília Gabriela Entrevista que vai ao ar no dia 6 de dezembro, às 23 horas, no canal pago GNT. No programa, ele fala sobre o pai, que atuava como traficante e fazia parte da máfia. “Meu pai foi preso por tráfico internacional de drogas, ele era o responsável pelo transporte da droga do Brasil para a Europa e para os Estados Unidos. Ele fazia parte da máfia italiana”, disse. “Ele foi preso em 14 de novembro de 1994. Eu não tinha a menor noção. Mas, hoje, olho para trás e me pergunto como eu não percebi alguns sinais.”

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Hassum conta que a família dele era bem sucedida e que seu pai tinha uma empresa de importação e exportação, uma papelaria e uma agência de automóveis. “Na época, fiquei com a sensação de que por 21 anos havia vivido uma mentira. Mas não foi. Eu tive um pai que me amou muito, que era um grande pai. Só que ele lidava com a questão do tráfico como uma profissão. Até a morte, ele dizia: ‘Eu nunca fui traficante, fui comerciante'”, disse.

O ator afirma também que pretende levar a história do pai, que passou onze anos preso, para o cinema. “É um conselho da minha psicóloga, acho que vou expurgar muita coisa”, disse. “Eu comecei a pensar nessas coisas. Às vezes, meu pai aparecia na escola e falava: ‘Vamos embora para a Europa, passar vinte dias por lá’. Eu achava meu pai demais. Depois, descobri que estava fugindo.”

Na época, Hassum ainda não tinha ficado famoso, mas já estava fazendo teatro. “No dia em que ele foi preso, eu estava estreando uma ópera lá no Metropolitan, uma casa de shows do Rio. Quando aconteceu a prisão do meu pai, ele saiu na capa do Caderno Policial e eu saí na capa do Segundo Caderno”, lembrou.

O ator afirma que, dois anos após ser libertado, seu pai foi preso de novo por ajudar um rapaz a levar uma mochila cheia de drogas para uma favela. “Com isso, eu falei: ‘Para mim, chega’. Hoje, eu entendo que ele não conseguia pensar em ser sustentado, ele queria sustentar a família, ter a independência dele”, disse. “Não visitei mais. Em 2007, quando ele saiu, apareceu na minha casa e pediu para conversar comigo. Falei tudo o que eu tinha para falar para ele e ele também falou tudo.”

Ele conta que os dois nunca mais tiveram uma relação tão próxima. “Mesmo não se dando comigo, ele ligava para a minha mãe para saber se eu estava bem. Era um pai amoroso, carinhoso, que nunca botou a mão em uma arma. Ele realmente lidava com isso de uma forma muito louca. E fez questão que a gente não soubesse de nada até ele ser preso”, afirmou.

(Da redação)