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Participação de Judith Butler em evento causa protestos

Autora do termo 'performatividade de gênero' vem ao país para seminário sobre democracia

A filósofa americana Judith Butler esteve no Brasil em 2015. Sua participação na série de seminários Os Fins da Democracia, que o Sesc Pompeia vai promover entre os dias 7 e 9 de novembro não é, portanto, sua estreia no país. Desta vez, porém, Butler, será recebida de forma “calorosa”: grupos fazem campanha na internet contra a vinda da filósofa, uma das principais referências nas discussões sobre identidade de gênero.

“Não podemos permitir que a promotora dessa ideologia nefasta promova em nosso país suas ideias absurdas, que têm por objetivo acelerar o processo de corrupção e fragmentação da sociedade”, prega um dos abaixo-assinados disponíveis na internet pedindo o cancelamento do seminário.

Judith Butler é “acusada” por grupos conservadores de “inventar” a “ideologia de gênero”.

Judith Butler redesenhou o campo de estudos de gênero na década de 1980, ao propor a identificação de uma pessoa como “homem” e “mulher” como algo socialmente construído, fluido, e não uma “consequência” automática do sexo biológico. A tese ficou conhecida como Teoria Queer, que aborda nos livros Problemas de Gênero – Feminismo e Subversão da Identidade, Relatar a Si Mesmo, entre outros. Atualmente, Butler dá aulas na Universidade de Berkeley, na Califórnia.

Para Judith Butler, ninguém nasce com um determinado gênero (masculino ou feminino), mas o compõe de forma performativa. A filósofa, uma referência mundial no tema, é citada por diversos livros e estudos universitários e também em texto explicativo da mostra Histórias da Sexualidade, em cartaz agora no Masp, que contou com a curadoria da antropóloga Lilia Schwarcz.

“’Performatividade de gênero’ é uma expressão cunhada pela filósofa estado-unidense Judith Butler e que se relaciona ao modo como construímos nosso corpo e nossas atitudes a partir da subjetividade e dos contextos em que vivemos”, diz o texto da exposição. “Para Butler, gênero é um ato intencional, um gesto performativo que produz significados. Portanto, o gênero não seria reproduzido por nós com base em uma natureza ou sexo biológico determinados, mas seria desempenhado de modo efetivo como um comportamento que tem implicações físicas e anatômicas no corpo e em seus acessórios (as roupas, por exemplo).”

O seminário Os Fins da Democracia será gratuito, mas está com as vagas esgotadas. Sua programação completa pode ser encontrada no site oficial do Sesc Pompeia. No evento, Judith Butler participará de palestras e mesas-redondas com Vladimir Safatle, Susan Buck-Morss, Monique David-Ménard, Rahel Jaeggi, Wendy Brown, Natalia Brizuela e Christian Dunker, entre outros pensadores contemporâneos.

Algumas das reações na web:

Comentários

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  1. Pedro Thompson

    Um cara no facebook definiu bem a atual definição desta revista: é a Carta Capital, só que usando desodorante.

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  2. Rodrigo Oliveira

    Esta mulher não tem peru, portanto nunca será um homem por mais que queira ser. E o homem não tem ovário então nunca será mulher. Simples assim. Pensar diferente disto é debilidade mental.

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  3. JEFFERSON NUMER De LIMA

    Eis um dos motivos pelos quais deixei de ser assinante da Veja…

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  4. Ah não vaí não

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