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Irã: onde homens não choram e meninas não gritam

Filme da diretora Pouran Derakhshandeh põe dedo na ferida de um tabu no país

Cena do filme 'Shhh... Meninas Não Gritam' Cena do filme ‘Shhh… Meninas Não Gritam’

Cena do filme ‘Shhh… Meninas Não Gritam’ (/)

Minutos antes de se casar, a jovem Shirin comete um assassinato e aparece na sessão de fotos que precedia a cerimônia com o vestido branco maculado de sangue e uma expressão transtornada. Essas são as chocantes cenas iniciais do filme iraniano Shhh… Meninas Não Gritam, em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A experiente diretora Pouran Derakhshandeh chega ao seu 11º longa já com uma carreira consolidada no circuito de cinemas e festivais do Oriente Médio, mas infelizmente ainda pouco conhecida no Ocidente. No entanto, este último trabalho, tem potencial para mudar essa percepção, pois o filme foi bem acolhido pela crítica e entrou em circuito comercial em países como EUA, Canadá, Alemanha, França e Grã Bretanha.

Voltando à história, Shirin vai presa pelo homicídio e aguarda seu julgamento que prevê a pena máxima, o enforcamento. Em estado de choque, ela se recusa a falar e a explicar o motivo pelo qual cometeu o crime. Sua sorte começa a mudar depois da entrada em cena de uma advogada persistente e já habituada a lidar com mulheres traumatizadas. Narrado com fragmentos de flashbacks, o enredo faz constantes pontes entre passado e presente para explicar a origem do crime de Shirin. E é aí que o tema principal do filme entra com força arrebatadora. Quando criança, a personagem fora constantemente abusada por um funcionário de seus pais, muito negligentes.

Partindo do drama pessoal da protagonista, a diretora põe o dedo na ferida de um tabu no país. Numa sociedade totalitária e extremamente machista como a iraniana, casos de pedofilia costumam ser acobertados pela própria família da vítima que preferem o silêncio à “desonra” perante à sociedade. No Irã, uma vez revelado que uma garota foi abusada, ela será rejeitada do convívio social (e até mesmo da família) e dificilmente poderá se casar, pois é considerada uma criança “suja”. O grau do machismo vigente é descortinado em algumas cenas curtas, mas muito significativas. Numa delas, após sair do tribunal, a advogada que defende Shirin é abordada por uma equipe de TV e, antes de dar entrevista sobre o caso, pergunta se suas respostas serão transmitidas. Sintomático, pois no Irã as mulheres são constantemente censuradas e não aparecem na TV falando contra homens. E outra cena, o noivo arrasado por ter seu casamento destruído é reprimido por ser pai, que o insulta e diz: “Recomponha-se, homens não choram!”. Aqui temos um indício de que o machismo é perpetuado de pai para filho e não apenas em relação às mulheres, mas ainda contra a sensibilidade masculina.


Com isso, filmado de uma perspectiva humanista, o enredo ganha força ao não cair na tentação de adotar um ponto de vista sexista e contar uma história não apenas com mulheres fortes, mas também com homens sensíveis ao inferno de Shirin. Outra característica que contribui com o poderoso impacto emotivo do filme é a maneira com que ele foi gravado, com muitas tomadas – sobretudo aquelas em que Shirin está em cena – registradas com uma câmera de mão, trêmula e nervosa, e abusando dos closes para mostrar a expressão dos atores. O elenco afinado e convincente contribui, as atuações de Tannaz Tabatabaei (Shirin) e de Babak Hamidian (o pedófilo) são marcantes.

Os espectadores que recentemente se surpreenderam e se encantaram com o também iraniano A Separação, de Ashgar Farhadi, certamente irão apreciar Shhh… Meninas Não Gritam. Em 2012, o filme de Farhadi conquistou importantes láureas como o Urso de Ouro em Berlim, o britânico Bafta e os americano Globo de Ouro e Oscar de melhor filme estrangeiro com o drama de uma família em que a mulher quer fugir do repressivo Irã para dar melhores condições de vida à filha, e o marido que pretende ficar pois precisa tomar conta de seu pai, que sofre de Alzheimer. Agora é a vez da Pouran Derakhshandeh mostrar ao mundo uma faceta ainda mais oculta do regime extremista dos Aiatolás, a conivência com o machismo e a pedofilia. Não é um tema de fácil digestão, tampouco matéria-prima para um filme leve. Mas a diretora teve o talento de contar uma história que se revela aos olhos do espectador de forma entrecortada, suavizando sua repulsa mas não a ponto de enfraquecer o tema, objeto de reflexão e denúncia.

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‘Tatuagem’

Após receber o prêmio de melhor filme no último Festival de Gramado e abrir o Festival de Cinema de Recife, Tatuagem chega a São Paulo sob expectativas. A história narra o relacionamento amoroso homossexual entre Clécio (interpretado por Irandhir Santos), líder de um grupo teatral, e o soldado Fininha (Jesuíta Barbosa). Se não bastasse o tema delicado, o enredo se desenvolve no Recife de 1978, com a ditadura militar em seus últimos suspiros, mas ainda dando sinais de sua força repressiva.

Mais: Brasil, 2013, 110 minutos
Direção: Hilton Lacerda
Elenco: Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa, Rodrigo García, Sílvio Restiffe, Sylvia Prado
Sessões: 25/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1,  21h10
26/10, Reserva Cultural 1, 23h55
 

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‘Um Toque de Pecado’

Considerado hoje o maior nome do cinema chinês, Jia Zhang-Ke vem arrebatando o mundo com seu cinema documental e profundamente humano. Foi assim em Plataforma (2002), O Mundo (2004) e Em Busca da Vida (2006). Com uma câmera quase jornalística, ele mostra histórias aparentemente simples em uma China sofrendo profundas transformações. Neste filme, com várias histórias que de alguma maneira se tocam, o diretor faz um reflexão da vida contemporânea na China, permeada pela corrupção e violência. Vencedor do prêmio de melhor roteiro no último festival de Cannes.

Mais: China, 2013, 133 minutos
Direção: Jia Zhang-Ke
Elenco: Jiang Wu, Meng Li, Lanshan Luo
Sessões: 26/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, 23h50
27/10, Reserva Cultural 1, 21h45
31/10, Cine Sabesp, 14h00
 

Imagem do filme 'O Homem das Multidões', de Marcelo Gomes, em destaque na Mostra Internacional de Cinema de SP 2013 Imagem do filme ‘O Homem das Multidões’, de Marcelo Gomes, em destaque na Mostra Internacional de Cinema de SP 2013

Imagem do filme ‘O Homem das Multidões’, de Marcelo Gomes, em destaque na Mostra Internacional de Cinema de SP 2013 (/)


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‘Cortinas Fechadas’

O iraniano Jafar Panahi chamou a atenção do circuito dos festivais de cinema ao vencer, em 1995, o prêmio de diretor estreante em Cannes com O Balão Branco. Depois, disso O Círculo (2000) e Ouro Carmim (2003) voltariam a conquistar louros em festivais importantes. Seu mais recente filme, dirigido em parceria com Kambuzia Partovi, narra a história de três fugitivos das irracionais leis extremistas islâmicas, um homem com seu cachorro (cachorros são proibidos por serem considerados “sujos”) e uma moça que participara de uma festa clandestina. Panahi sabe o que descreve, pois ele mesmo vive em prisão domiciliar por criticar o regime dos aiatolás, sendo proibido de deixar o país. O filme venceu o prêmio de melhor roteiro no festival de Berlim.

Mais: Irã, 2013, 106 minutos
Direção: Jafar Panahi , Kambuzia Partovi
Elenco: Kamboziya Partovi, Maryam Moghadam, Jafar Panahi
Sessões: 24/10, Reserva Cultural 1, 18:10
27/10, Espaço Itaú de Cinema – Augusta 4, 19:30
28/10, Cinesesc, 17:00
30/10, Reserva Cultural 1, 19:30

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‘O Garoto que Come Alpiste’

A Argentina durante a crise no início dos anos 2000 produziu cinema de qualidade, com obras refletindo a situação econômica depressiva do país. Com a Grécia parece estar acontecendo fenômeno semelhante. A Mostra exibe produções gregas recentes, do ano passado e deste ano, mas o filme de Ektoras Lygizos é o destaque. Em Atenas, Yorgos é um cantor desempregado em situação desesperadora. Ele se alimenta nas latas de lixo, de caridade alheia e come alpiste de seu canário. Apaixona-se por uma recepcionista de hotel, mas seu futuro não lhe reserva surpresas. O garoto que come alpiste é o representante grego que tentará concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014.

Mais: Grécia, 2012, 80 minutos
Direção: Ektoras Lygizos
Elenco: Yannis Papadopoulos, Lila Baklesi, Kleopatra Perraki
Sessões: 18/10, Cinespaço Granja Vianna 1, 21h30
19/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 4, 16h20
20/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 2, 13h00
25/10, Cinusp, 21h15
29/10, MIS – Museu da Imagem e do Som, 21h10
 

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‘Inside LLewyn Davis’

Veteranos de festivais, consagrados, entre outro, com a Palma de Ouro, com Barton Fink (1991), e o Oscar de melhor filme, com Onde os fracos não têm vez (2007), os irmãos Joel e Ethan Coen, em seu mais recente trabalho, voltam-se para universo musical do início da década de 60. Llewyn Davis é um jovem cantor de folk que tenta sobreviver com seu violão no agitado bairro nova yorkino Greenwich Village. Virando-se com seu talento e com eventuais bicos, ele finalmente consegue uma audição com um produtor de renome. O longa, que tem presença dos bonitões Justin Timberlake e Garret Hedlund, conquistou o grande prêmio do júri no último festival de Cannes.

Mais: EUA/França, 2013, 130 minutos
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, John Goodman, Garret Hedlund
Sessão: 21/10, Cine Livraria Cultura 1, 21h30
 

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‘Que Estranho Chamar-se Federico’

O diretor italiano Federico Fellini (1920-1993), autor de clássicos como A Doce Vida (1960), 8 e meio (1963) e Amarcord (1973) finalmente ganha um documentário à altura de sua filmografia. E quem assina a direção é seu conterrâneo Ettore Scola, outro nome indispensável do cinema italiano. Com uma colagem de memórias, fotos e filmagens de arquivos, Scola relembra com carinho da sua relação com o amigo, colega e inspirador. Excelente escolha para fechar o último dia da Mostra.

Mais: Itália, 2013, 93 minutos
Direção: Ettore Scola
Elenco: Vittorio Viviani, Sergio Rubini, Antonella Attili, Tommaso Lazotti, Giacomo Lazotti, Sergio Pierattini
Sessões: 31/10, Cine Livraria Cultura1, 21h00
31/10, Cinesesc, 21h00
31/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, 21h00

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‘A Gangue dos Jotas’

Famosa pela história em quadrinhos e posteriormente filme Persépolis (2007), a iraniana radicada na França Marjane Satrapi deixa os relatos de opressão de lado para aventurar-se em uma comédia. Dois amigos desembarcam no sul da Espanha para disputar um campeonato de badminton e acidentalmente trocam sua mala com uma misteriosa mulher. Depois de conhecer a mulher, ela os convence a viajar para ajudá-la a resolver um problema: acertar as contas com a máfia espanhola.

Mais: França, 2012, 74 minutos
Direção: Marjane Satrapi
Elenco: Marjane Satrapi, Stephane Roche, Ali Mafakheri, Mattias Ripa, Maria De Medeiros
Sessões: 18/10, Cine Sabesp, 21h10
25/10, Reserva Cultural 1, 23h45
26/10, Cine Sabesp, 23h50
29/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, 16h20
31/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 2, 19h00

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‘Confissão de Assassinato’

Candidato ao prêmio de melhor diretor estreante da mostra, o jovem sul-coreano Jung Byung-Gil, de apenas 34 anos, vem chamando a atenção dentro e fora de seu país com seu filme. Lee Du-Seok publica um livro confessando ser o assassino de dez mulheres em crimes acontecidos há mais de 15 anos. Com isso, torna-se uma celebridade instantânea, também atraindo atenção por sua beleza. O detetive responsável por investigar os assassinatos, Choi, marcado pelas falhas em seu trabalho, decide retomar o caso.
 

Mais: Coreia do Sul, 2012, 119 minutos
Direção: Jung Byung-Gil
Elenco: Jung Jae-Young, Park Si-Hoo, Choi Won-Young, Kim Young-Ae, Jeong Keon-Young
Sessões: 19/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 3, 19h50
20/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 2, 19h30
22/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, 21h20
23/10, MIS – Museu da Imagem e do Som, 16h00
24/10, Cine Sabesp, 21h45
 

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‘Hopper Stories’

A passagem da maior exposição de Edward Hopper já realizada na França, finalizada em janeiro deste ano em Paris, parece ter levado inspiração para o Velho Continente. Oito diretores europeus, entre eles o ator e realizador francês Mathieu Amalric, assinam curtas baseados em alguma obra do pintor americano. Com histórias filmadas em Berlim, Nova York, Washington, Paris, Londres e Cidade do México, os diretores tentam dar conta da solidão e desprendimento dos quadros de Hopper.

Mais: França, 2013, 50 minutos
Direção: Dominique Blanc, Hannes Stöhr, Martin De Thurah, Mathieu Amalric, Sophie Barthes, Sophie Fiennes, Valérie Mréjen, Valérie Pirson
Elenco: Clemence Poesy, Michael Stuhlbarg, Marilyne Canto, Rita Lengyel, Daniela Schmidt, Mauricio Garcia Lozano
Sessões: 18/10, Cine Livraria Cultura 1, 23h50
23/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 3, 18h00
24/10, Cinesesc, 15h00
27/10, Cinesesc, 20h50
29/10, Cine Livraria Cultura 1, 14h00

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‘O Grande Mestre’

Depois de uma incursão bem sucedida em Hollywood, com o filme Um Beijo Roubado (2007), o diretor Wong Kar Wai retorna à sua Hong Kong para realizar seu mais novo trabalho. Ele conta a história verídica de Ip Man (interpretado por Tony Leung), mestre de artes marciais que ficou conhecido por ter treinado Bruce Lee. No final dos anos 1930, com a Segunda Guerra Mundial se intensificando, a bela Gong Er (vivida Zhang Ziyi) jura vingar seu pai, que fora derrotado por Ip Man. O filme abriu o festival de cinema de Berlim de 2013, mas ficou fora da competição pois o presidente do júri era justamente Kar Wai. Aclamado pela crítica, o longa chamou atenção pela beleza plástica das cenas e pela forma intimista com que o diretor filmou as artes marciais.

Mais: Hong Kong, 2013, 120 minutos
Direção: Wong Kar Wai
Elenco: Tony Leung, Zhang Ziyi, Chang Chen
Sessões: 26/10, Cine Livraria Cultura 1, 18h00
27/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 3, 21h50
28/10, Espaço Itaú de Cinema – Pompéia 1, 21h30
29/10, Reserva Cultural 1, 19h10
31/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 4, 16h00

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‘Pais e Filhos’

Hirokazu Kore-Eda é o diretor japonês de maior sucesso na atualidadde, tanto de público quanto de crítica. Enquanto o seu Ninguém Pode Saber (2004) arrebanhou prêmios internacionais, Seguindo em Frente (2008) obteve, além de troféus, uma das maiores bilheterias da história recente do Japão. Neste filme atual, premiado em Cannes, Ryota, sua mulher Midori e seu filho Keita vivem em harmonia familiar. Um inesperado telefone, porém, rompe com a tranquilidade da família ao informar que o hospital trocara Keita, com agora seis anos, por outra criança. Depois disso, o casal se vê diante da possibilidade de desfazer a troca, numa escolha absolutamente complexa.

Mais: Japão, 2013, 120 minutos
Direção: Hirokazu Kore-Eda
Elenco: Masaharu Fukuyama, Machiko Ono, Yoko Maki, Lily Franky
Sessões: 26/10, Reserva Cultural 1, 21h35
27/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 2, 21h20
30/10, Espaço Itaú de Cinema – Augusta 1, 20h05

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‘Todos os Dias’

Diretor já com a carreira consolidada, Micheal Winterbottom virou ídolo de roqueiros indie após A Festa Nunca Termina (2002), que conta a história do rock em Manchester no final da década de 1970, com o apogeu e queda das bandas Joy Division e Happy Mondays. Winterbottom dirigiu também o “pornô-indie” Nove Canções (2004), que alterna imagens de cenas de sexo com shows de rock. Em Todos os Dias, temos o drama familiar protagonizado por Karen, que durante cinco anos levava seus filhos para visitar o pai, Ian, preso em uma penitenciária. É interessante notar que o filme foi rodado em cinco anos para que os personagens Karen e Ian envelhecessem naturalmente.

Mais: Grã-Bretanha, 2012, 94 minutos
Direção: Michael Winterbottom
Elenco: Shirley Henderson, John Simm, Shaun Kirk
Sessões: 22/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 4, 17h40
25/10, Reserva Cultural 1, 14h00
26/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 5, 23h15
30/10, Espaço Itaú de Cinema – Augusta 1, 16h00

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‘3X3D’

Ultimamente, todos os filmes lançados pelo veterano e iconoclasta diretor francês Jean-Luc Godard vêm quase sempre acompanhados de expressões como “hermético”, “caótico” e “metalinguístico”. 3X3D pode receber os mesmos adjetivos, mas vale a pena conferir. Godard, o britânico Peter Greenaway e o português Edgar Pêra assinam três curtas sobre o uso da tecnologia 3D no cinema, todos centrados em Guimarães, Portugal. Enquanto Greenaway foca a história da cidade de mais de 2.000 anos, Pêra se concentra nas ações e reações do público diante da nova tecnologia. Já Godard… bem, ele é Godard. Seu curta é um vídeo-ensaio sobre a questão da perspectiva na evolução das artes e o futuro do cinema projetado em três dimensões.

Mais: Portugal 2013, 70 minutos
Direção: Edgar Pêra, Jean-Luc Godard, Peter Greenaway
Elenco:  Nuno Melo, Leonor Keil, Keith Esher Davis, Jorge Prendas, Miguel Monteiro
Sessões: 23/10, Cinesesc, 22h00
25/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, 23h40
26/10, Cinesesc, 22h50
27/10, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, 13h00
30/10, Cinemark – Shopping Cidade Jardim 6, 21h00

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‘Shhh… Meninas Não Gritam’

Depois de terminadas as aulas, Shirin, de 8 anos, não sabe o que fazer. Só de pensar em ir para casa ela se sente mal. As angústias e temores afetam o desenvolvimento da criança. Mais tarde, prestes a se casar, ela assassina um homem. A causa do crime, revelada aos poucos na história, tem raízes em um contexto machista, totalitário e tolerante com a pedofilia. O diretor iraniano Pouran Derakshandeh é mais um sério candidato a ser perseguido pelo regime dos aiatolás após esse filme, que ganhou projeção global ao entrar em circuito comercial nos EUA e em países da Europa.

Mais: Irã, 2013, 106 minutos
Direção: Pouran Derakshandeh
Elenco: Shahab Hosseini, Merila Zarei, Tannaz Tabatabaei
Sessões: 18/10, Cinemateca – Sala Petrobras, 20h40
19/10, Matilha Cultural, 18h15
24/10, CCSP – Sala Lima Barreto, 19h00
26/10, Cine Livraria Cultura 2, 14h00
30/10, Espaço Itaú de Cinema – Augusta 4, 22h00

Rubem Braga: Olho as nuvens vagabundas Rubem Braga: Olho as nuvens vagabundas

Rubem Braga: Olho as nuvens vagabundas (/)

‘A Morte Passou por Perto’

Stanley Kubrick tinha apenas 27 anos quando lançou este filme, o segundo de sua filmografia. Em preto e branco, a narrativa acompanha Davey Gordon, um boxeador em fim de carreira em Nova York, e sua namorada, a dançarina Gloria. Ambos são perseguidos física e psicologicamente por Davey, um ex-chefe de Gloria que tentou estuprá-la. É interessante ver esse longa e notar como a carreira do diretor evoluiu no decorrer dos anos. Aqui, Kubrick faz um filme noir, cheio de sombras e contrastes, muito diferente do restante da sua obra.

Mais: EUA, 1955, 67 minutos
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Frank Silvera, Jamie Smith, Irene Kane
Sessão: 18/10, Cine Olido, 19h30

‘Tumulto no Reino Celestial’

Desenho animado inspirado numa lenda clássica da mitologia chinesa, a história do Rei Macaco. O monarca símio possui grande força física, mas em contrapartida não tem nenhuma arma para lutar, por isso rouba o cajado dourado do Rei Dragão. O furto provoca um tumulto no reino celestial. Esta cópia de 2012 é uma versão restaurada, com nova trilha sonora, da animação chinesa de 1961. Programa para curtir com as crianças.

Mais: China, 2012, 90 minutos
Direção: Tang Cheng , Wan Laiming
Vozes: Li Yang, Chen Kaige, Chen Daoming, Zhang Guoli
Sessão: 19/10, Cine Olido, 15h00
 

‘Marcas da Juventude’

Jovens bonitos e saudáveis vivendo o cotidiano de uma escola e enfrentando os dilemas típicos da adolescência. Sim, Marcas da Juventude é um filme de Sessão da Tarde, mas feito na China. Por isso, é curioso acompanhar a enorme pressão que os estudantes sofrem às vésperas de prestar exames para entrar na faculdade. O longa, aparentemente leve e descompromissado, descreve um período dificílimo na vida de muitos jovens chineses, além de construir um bom panorama da atual sociedade urbana do país.

Mais: China, 2013, 88 minutos
Direção: Siu Hung Cheung , Zhong Shao Xiong
Elenco: Alex Fung, Qiao Qiao, June Wu, Yi Lu, Jaki Tan
Sessões: 20/10, Matilha Cultural, 16h00
24/10, Cine Olido, 15h00

‘Presa na Internet’

O diretor Chen Kaige, famoso e laureado por Adeus, Minha Concubina (1993) volta-se para uma história atual e com um quê de humor negro. Ye Lanqiu, uma jovem secretária, recusa-se a ceder seu assento no ônibus para um idoso. Sua falta de educação é filmada por um celular e o vídeo torna-se viral. Noticiários locais transmitem o vídeo e Ye passa a se esconder para evitar a reação negativa das pessoas nas ruas. Filme selecionado como representante da China no Oscar 2013.

Mais: China, 2012, 117 minutos
Direção: Chen Kaige
Elenco: Gao Yuanyuan, Yao Chen, Mark Zhao
Sessões: 26/10, Cine Olido, 15h00
31/10, Faap, 15h00
 

‘São Silvestre’

A corrida de rua mais popular do Brasil, disputada desde 1925 no último dia do ano, é o tema deste documentário de Lina Chamie. O filme narra de maneira sensorial a experiência da prova: movimentos, respiração, ritmo, suor, barulhos e a disputa com outros competidores e com a cidade de São Paulo, com suas ladeiras íngremes.

Mais: Brasil, 2013, 80 minutos
Direção: Lina Chamie
Sessão: 21/10, vão livre do Masp, 19h30

‘Não por Acaso’

Um dos melhores filmes nacionais dos últimos tempos não teve a atenção que merecia e permaneceu por pouco tempo em cartaz. Com um elenco de primeira, Rodrigo Santoro, Letícia Sabatella e Leonardo Medeiros, o diretor Philippe Barcinski conta uma história de amor urbana com o trânsito de São Paulo como pano de fundo. Um acidente automobilístico propicia o encontro entre o marceneiro e jogador profissional de sinuca Pedro (Santoro) e Lúcia (Letícia), uma executiva do ramo de commodities. O filme é feliz ao retratar como o acaso (a sorte ou o azar) pode influenciar decisivamente em nossas vidas.

Mais: Brasil, 2007, 90 minutos
Direção: Philippe Barcinski
Elenco: Rodrigo Santoro, Leonardo Medeiros, Letícia Sabatella
Sessão: 28/10, vão livre do Masp, 19h30
 

‘Dark Blood’

O último filme gravado com o ator River Phoenix foi interrompido após sua morte, em 1993, No ano passado, o diretor George Sluizer decidiu finalizar a obra. Boy (Phoenix) é um jovem viúvo descendente indígena que mora num deserto contaminado por testes nucleares. Abatido, ele espera pelo “fim do mundo” quando seu refúgio é invadido por um casal, Harry e Buffy, em crise que tenta salvar seu relacionamento. Vislumbrando uma chance de fugir com Buffy e mudar de vida, Boy sequestra o casal.

Mais: EUA/Grã Bretanha/Holanda, 2012, 86 minutos
Direção: George Sluizer
Elenco: River Phoenix, Judy Davis, Jonathan Pryce, Karen Black
Sessão: 29/10, FAAP, 19h00

‘Trilogia da Vingança – Lady Vingança, Mr. Vingança e Oldboy’

Só num evento como a Mostra é possível ver no cinema, no mesmo dia, os três filmes que compõem a trilogia da vingança. Os filmes não são a mesma história, por isso, a seleção fora da ordem cronológica não interfere na compreensão. Em Lady Vingança (2011), Geum-Ja Lee passa 13 anos presa por um crime que não cometeu. Ao sair, ela caça o verdadeiro culpado e tenta reaver sua filha, adotada por outra família. Mr. Vingança (2002) conta a história de Ryu, um rapaz surdo que tanta ajudar sua irmã, que necessita de um transplante de rim. O plano para conseguir o dinheiro para a operação falha e desencadeia uma reação vingativa dos afetados. Já em Oldboy (2003), Oh Dae-Su fica em cárcere privado por 15 anos sem saber o motivo. Quando ele é solto, parte para encontrar seu algoz e em busca de sua filha.

Direção: Park Chan-Wook
Sessões: 30/10, Faap, 11h00, Lady Vingança
30/10, Faap, 15h00, Mr. Vingança
30/10, Faap, 19h00, Oldboy