Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

IMPERDÍVEL – Novo disco mostra que Blink-182 sobrevive a Tom DeLonge

‘California’, sétimo disco dos americanos, chega às lojas nesta sexta-feira, depois de a banda perder líder para ETs

O Blink-182 sofreu um grande baque em janeiro de 2015, quando um de seus fundadores, o vocalista e guitarrista Tom DeLonge, deixou o grupo para buscar indícios de vida extraterrestre. Os ex-parceiros Travis Barker e Mark Hoppus contrataram Matt Skiba, da banda Alkaline Trio, para o seu lugar e a vida segue. E segue bem, como mostra o sétimo disco do Blink, California, que mantém o espírito da banda. A fórmula é a mesma, como se percebe logo na música de abertura: Cynical, com uma introdução curta melódica que explode em acordes rápidos e andamento veloz. A voz de Skiba – e seu jeito de cantar – remetem ao antigo vocalista, inclusive no abuso de “uh uh uh” e outras onomatopeias. A mesma coisa acontece no single Bored to Death, de refrão explosivo, típico da banda, e rock radiofônico. O clima nostálgico, que lembra hits como All the Small Things, prossegue em She’s Out of Her Mind, com um riff ao estilo de Always, single de 2004, que se alterna com acordes mais encorpados e pesados em certas estrofes.

LEIA TAMBÉM:

IMPERDÍVEL – Disco marca retorno e despedida do Hot Hot Heat

Ex-vocalista do Blink-182 deixou a banda para investigar alienígenas

Banda Blink-182 promete lançar novo disco

No fim, parece que o novo Blink, com Skiba, é um tributo ao antigo, com DeLonge. O estilo muda pouco, mas agrada ao se apoiar no alegre pop-punk já consagrado e esmiuçado pela banda no passado. Até mesmo os temas são parecidos, com letras marcadas por doses de conotação sexual, como em Brohemian Rhapsody, e piadas escrachadas, como Built this Pool, uma paulada de apenas 16 segundos sobre uma piscina com garotos pelados. Skiba ainda consegue soar suave, assim como DeLonge em I Miss You, na melódica Home is Such a Lonely Place, e acompanhar no gogó o ritmo característico e agitado dos californianos, caso da ótima Rabbit Hole, uma das melhores do disco. No fim, a mudança de formação dos americanos parece ter sido menos traumática e impactante do que se pensou a princípio. Azar dos ETs.