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IMPERDÍVEL: ‘Macunaíma’ ganha edição que vale a revisita

Clássico de Mario de Andrade retorna em livro com capa e intervenções em pop-up artesanais

(Ateliê, 172 páginas, 290 reais) Se há uma editora que se esmera em ser, se não uma substituta, ao menos uma honrada discípula do fabuloso legado da Cosac Naify, é a paulista Ateliê. A versão quase artesanal de Macunaíma, o clássico de Mario de Andrade, que sai agora, é uma comprovação disso. Entre as páginas do romance sobre o herói sem caráter que representaria como ninguém o povo brasileiro, o leitor encontra, como espécies de pop-ups, ilustrações do designer Gustavo Piqueira que podem ser desdobradas e dialogar com o texto. Piqueira, da Casa Rex, onde foi feito de forma manual o processo de colagem, assina todo o projeto gráfico do livro, de edição limitadíssima — são apenas 300 exemplares, numerados. O designer também assina um posfácio em que revê a produção gráfica em torno de Macunaíma, de Carybé aos quadrinhos de Angelo Abu e Dan X e analisa o olhar estrangeiro sobre o livro — e o Brasil. “As capas das edições estrangeiras trazem com frequência uma imagem que fala muito mais de um Brasil primitivo do que especificamente da obra de Mário de Andrade”, anota. O volume encerra com um breve texto ensaístico de José de Paula Ramos, doutor em Literatura Brasileira pela USP e coordenador da Coleção Clássicos Ateliê, sobre a origem e a sobrevida do clássico.