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IMPERDÍVEL: Letieres Leite e sua bela africanidade orquestrada

Em 'A Saga da Travessia', disco que sai pelo selo Sesc, produtor musical de Ivete Sangalo avança em sua pesquisa rítmica junto à Orkestra Rumpilezz

Por Maria Carolina Maia - Atualizado em 20 Aug 2016, 11h37 - Publicado em 20 Aug 2016, 08h49

Nem só de axé se faz a música baiana de hoje. E não se trata aqui de falar de Pitty e de seu rock já manjado, nem sempre digno de nota. Mas de uma figura conhecida, aliás, da maior das divas dos trios elétricos: o produtor e arranjador musical Letieres Leite, diretor de projetos de Ivete Sangalo por 13 anos, desde seu início na Banda Eva, e responsável por inserir metais na axé music. Leite, que também trabalhou com Olodum, Daniela Mercury, Timbalada e Cheiro de Amor, investe agora em algo ainda mais sofisticado que os arranjos de metais em hits de Carnaval: uma pesquisa rítmica que retrabalha a sonoridade africana com roupagem jazzística e orquestral, junto à Orkestra Rumpilezz, da qual é maestro sem o ser. “É um trabalho de regência, mas a orientação é pela oralidade, com onomatopeias rítmicas, ‘Pá, pum, tá’, então, é um pouco diferente e mais livre”, diz ele no making off do disco A Saga da Travessia (Sesc), que recria em toques de berimbau, tambor e agogô, e ritmos como maracatu (Feira de Sete Portas), frevo (Dasarábia) e ijexá (Professor Luminoso, dedicada a Gilberto Gil), a diáspora africana. As faixas que abrem o disco — Banzo partes 1, e 3 — imaginam o pesadelo dos que cruzaram o oceano em navios negreiros, entre tempestades e epidemias, até chegar a Salvador. Segundo disco de Letieres Leite e sua Orkestra Rumpilezz, projeto que teve início em 2009, é uma das melhores notícias da música brasileira neste ano.

 

 

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