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Imagem não é tudo: Grupo Especial começa com desfiles belos mas pouco empolgantes

Grande Rio e Império da Tijuca foram as melhores surpresas da noite de domingo. Mangueira se perdeu com samba pouco cantado. Beija-Flor e Salgueiro estão na briga pelo título, apesar das falhas nas apresentações

Por Rafael Lemos - 3 mar 2014, 10h47

Na primeira noite de desfiles do Grupo Especial, as escolas de samba que brilharam foram aquelas que impressionaram pelos aspectos visuais. Beija-Flor de Nilópolis, Salgueiro e Grande Rio destacaram-se graças às alegorias e fantasias luxuosas e impactantes, diante de enredos pouco inspirados e sambas incapazes de incendiar a Marquês de Sapucaí. A conclusão óbvia é de que, a despeito do impacto de público das invencionices, enredos fracos ainda são um caminho ‘seguro’ para desfiles e sambas igualmente ruins.

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Com o criticado enredo O astro iluminado da comunicação brasileira, a Beija-Flor homenageou José Bonifácio Sobrinho, o Boni. O publico chegou a ensaiar uma vaia momentos antes do início do desfile, mas teve o grito sufocado por uma comissão de frente que vai entrar para a história do Carnaval. A escola ousou e trouxe o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha, como estrelas da comissão de frente. Eles bailavam dentro de uma estrutura que remetia a um estúdio de TV, enquanto bailarinos vestidos de beija-flores eram suspensos num voo emocionante.

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A partir daí, a Beija-Flor perfilou alas e carros alegóricos muito luxuosos e com riqueza de detalhes. A escola é uma das favoritas ao título, mas teve falhas. Nos últimos setores, houve uma acentuada queda na qualidade das alegorias e fantasias, o que pode custar alguns décimos no julgamento. Um samba fraco e o tema, que chegou ao cúmulo de dedicar uma ala às uvas porque Boni é apaixonado por vinhos, são outros pontos frágeis. A Beija-Flor, apesar disso, é sempre tecnicamente competente, e não se pode dizer que esteja fora da disputa.

Outro forte candidato ao título, o Salgueiro conquistou o olhar do público com um conjunto fantástico de alegorias e figurinos de muito bom gosto. Mais uma vez, o talento do carnavalesco Renato Lage fez a diferença. Com um enredo patrocinado por uma montadora de automóveis, a escola apresentou um enredo socioambiental: Gaia – A vida em nossas mãos. A estratégia escolhida foi recorrer aos orixás para ilustrar as forças da natureza e também trazer mitos da criação do planeta Terra. A manobra funcionou, sobretudo esteticamente.

Beija-Flor e Salgueiro saem fortalecidos na briga pelo título, mas deixaram brechas para concorrentes como Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense, que homenageiam o piloto Ayrton Senna e o jogador Zico, respectivamente. Ambas desfilam nesta segunda-feira.

Na abertura da noite, a recém-chegada Império da Tijuca surpreendeu. Foi uma das poucas agremiações a pisar forte na Avenida, com um desfile que encantou esteticamente e também pelo canto dos seus componentes. O samba teve o melhor desempenho entre os apresentados neste domingo. Campeã do Grupo B em 2013, a escola estreou na elite do Carnaval com o enredo afro intitulado “Batuk”. A boa performance afeta sobretudo a São Clemente, que se credenciou a um possível rebaixamento após um desfile entediante sobre “Favela” e com falhas no quesito Evolução.

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Já a Grande Rio deixou os espectadores boquiabertos com um desfile vibrante, com figurinos e alegorias luxuosas e de extremo bom gosto. Méritos do jovem carnavalesco Fábio Ricardo, que enfim assumiu uma agremiação com orçamento robusto. Com um patrocínio de 3 milhões de reais, a Grande Rio falou sobre o município de Maricá. Escolheu uma abordagem complicada, a partir do olhar da cantora Maysa, que morou na cidade na década de 1970. O naturalista Charles Darwin, que visitou Maricá durante uma expedição, também serviu de inspiração para o desfile. Na confusão entre passado, presente, futuro, cultura brasileira e ciência, o saldo foi positivo – afinal, o non-sense por vezes vai muito bem com o mundo do samba.

A comissão de frente da Grande Rio retratava a chegada dos colonizadores, os índios tamoios e piratas. A grande sensação do desfile foi justamente um dos piratas, um chileno que era arremessado por um enorme canhão para delírio do público. Com uma apresentação de alto nível, a Grande Rio praticamente carimbou seu passaporte para o Sábado das Campeãs.

A Estação Primeira de Mangueira empolgou com sua bateria, mas teve um desempenho abaixo das expectativas e correr sério risco de ficar de fora do Desfile das Campeãs. Com dificuldades financeiras, a verde-e-rosa apresentou um conjunto de alegorias pouco luxuoso, mas com o toque valioso da talentosa carnavalesca Rosa Magalhães. O samba, que era apontado como um dos pontos fortes da escola, simplesmente não aconteceu na Avenida. O enredo “A festança brasileira cai no samba da Mangueira”, um tema mais do que batido, foi, mais uma vez, o vilão.

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