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Gloria Groove, uma drag queen no mundo do rap

Artista nascida na periferia de São Paulo grava música ao lado de Anitta

O rap tem entre seus inúmeros méritos criar letras que dissecam a rotina da periferia – e como ela pode massacrar alguns e elevar outros a condição de heróis. Ou heroínas. Nascido Daniel Garcia na Zona Leste de São Paulo, o antigo cantor mirim se consolida no mercado musical como Gloria Groove -a primeira drag queen a percorrer com sucesso gênero conhecido pelo domínio masculino. “Eu sempre amei rap e hip hop, gêneros sempre associados aos machos. Mas os tempos mudaram”, avalia Gloria, de 23 anos.

No último ano, a arte drag ganhou projeção com o reality show RuPaul’s Drag Race. “A Ru mudou o limite de onde nós podemos chegar”, diz. Depois da drag americana, claro, vieram muitas outras – no Brasil, há o fenômeno Pabllo Vittar. Nenhuma, no entanto, sobe no palco para cantar rap.

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Gloria foi criada em uma família de artistas – a mãe era backing vocal do grupo Raça Negra. Ainda na infância, o garoto fez propaganda para salgadinhos e integrou o time de jovens talentos do Programa Raul Gil. Participou também da montagem do musical Hair, em 2011, e, mais recentemente, deu expediente como backing de Elza Soares.

A aposta de abandonar esses trabalhos para se dedicar à carreira de cantora deu certo. Sua música Bumbum de Puto soma 28 milhões de visualizações no YouTube. “Eu invisto todo o dinheiro que ganho para fazer clipes superproduzidos”, diz. A artista tem feito seis shows por mês. O sucesso e a voz conquistados junto à comunidade fizeram com que fosse convidada para lançar uma música com Anitta. Na verdade, trata-se de uma regravação de Show das Poderosas. A regravação integra a Warner Pride, em homenagem ao orgulho LGBTQ, organizado pela Warner Music

“Olha só, a Anitta é uma pessoa que respeito demais por sempre dar espaço aos gays em seu palco”, diz ela. “Consciência não tem volta: quando as pessoas descobrem seus direitos, elas vão reivindicá-los.” A artista namora há três anos um professor de artes, diretor de seus clipes Dona e Império. Com o dinheiro (suado e montado) do rap, o casal vive em um apartamento no centro de São Paulo.