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Fotos de Kurt Cobain morto podem vir a público

Francis Bean Cobain e a mãe, Courtney Love, escreveram uma carta ao tribunal de Seattle, nos Estados Unidos, pedindo para que as imagens não sejam divulgadas

Fotografias do corpo de Kurt Cobain podem vir a público após mais de vinte anos de sua morte, em 4 de abril de 1994. Courtney Love, viúva do músico, e sua filha com ele, Francis Bean Cobain, pediram à juíza Theresa Doyle, do tribunal de Seattle, Washington (EUA), que recuse o pedido de divulgação das imagens feito por Richard Lee, apresentador de um programa de televisão na cidade. Segundo o jornal The Seattle Times, Courtney e Francis serão ouvidas pela justiça nesta sexta.

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Lee não acredita que Cobain se matou e quer as imagens para provar que o músico foi assassinado. A prefeitura de Seattle diz que o material não deve ser divulgado para manter a privacidade dos familiares do cantor. Courtney e Francis escreveram à corte sobre os impactos psicológicos que elas podem sofrer caso as imagens venham à tona.

“Eu tenho que lidar com muitos problemas por causa da morte do meu pai. Ter que lidar com a possiblidade das fotografias se tornarem públicas já é muito difícil. Com a divulgação, a possível sensacionalização delas nos causaria uma dor indescritível”, escreveu Francis.

Segundo a filha de Cobain, ela já sofreu com fãs obcecados por seu pai. No texto, Francis descreve uma passagem, sem citar quando isso aconteceu: “Uma pessoa entrou em minha casa na Califórnia quando eu não estava lá. Ele me esperou por três dias até eu voltar, porque acreditava que a alma do meu pai tinha entrado em meu corpo”.

Smells Like Teen Spirit, Nirvana (1991)

A faixa de abertura do disco Nevermind chegou ao 6º lugar da Billboard pouco depois de lançada como single e se tornou hino de uma geração, além de demarcar a ascensão do Nirvana ao status de mainstream. Assumidamente inspirada em músicas do Pixies, banda de rock alternativa relevante dos anos 1980, Smells Like Teen Spirit embala agora o revival do grunge.

Jeremy, Pearl Jam (1991)

Carro-chefe do disco Ten, lançado em 1991, Jeremy tem como inspiração as histórias de dois estudantes americanos: um que cometeu suicídio diante da própria turma e outro que atirou contra colegas. Cantada com vigor por Eddie Vedder, a música retratou a apatia e as dificuldades de adequação social de jovens e adolescentes.

Rooster, Alice in Chains (1993)

Com letra inspirada nos traumas do pai do guitarrista Jerry Cantrell, que serviu na Guerra do Vietnã, Rooster é também uma canção sobre angústia e desesperança. Sentimentos que assolaram a geração expoente do grunge, oriundas de uma Seattle sem perspectivas. Impulsionou a carreira do Alice in Chains, que anos mais tarde perderia seu vocalista Layne Staley para as drogas.

Spoonman, Soundgarden (1994)

Chris Cornell, vocalista do Soundgarden, é um dos pilares do grunge e em Spoonman revelou sua boa veia também para a composição. Tratando de julgamento alheio e valores, com base na história de um músico de rua, a canção ajudou a impulsionar a carreira da banda e deu fôlego ao grunge, que poucos meses depois enfrentaria o suicídio de Kurt Cobain, do Nirvana.

Plush, Stone Temple Pilots (1993)

Inspirada na história de uma garota encontrada morta na Califórnia, notícia que Scott Weiland, o vocalista do grupo, leu em um jornal, Plush também faz as vezes de canção de amor fracassado. Lançada em 1993, a música alçou a banda ao sucesso, chegou ao primeiro lugar em importantes rádios de rock e ganhou em 1994 o Grammy de melhor canção de hard rock.

Hunger Strike, Temple Of The Dog (1990)

Formado em 1990, o Temple of the Dog nasceu como homenagem ao vocalista Andrew Wood, morto naquele ano. A banda juntava membros do Soundgarden e do Pearl Jam, como os vocalistas Eddie Vedder e Chris Cornell, além dos músicos Matt Cameron (bateria), Mike McCready (guitarra), Jeff Ament (baixista) e Stone Gossard (guitarrista). É considerado o supergrupo do gênero.

Babydoll, Hole (1991)

Música do disco de estreia da banda, Pretty on the Inside, que teve produção de Kim Gordon, baixista da banda Sonic Youth, Babydoll revelava uma vocalista de voz esganiçada e versos cantados com desespero. Era Courtney Love, que formara a banda pouco antes e mais tarde se tornaria a primeira-dama do grunge, ao casar com Kurt Cobain, vocalista do Nirvana.

Nearly Lost You, Screaming Trees (1992)

Formada em 1985, a banda correu por fora entre as que alcançaram fama global como expoentes do grunge. Mas leva em suas músicas as marcas do movimento: letras angustiadas, vocais rasgados e melodias com influência de rock alternativo, punk e hard rock à Led Zeppelin. Muito da força do grupo se devia ao vocal e à performance de Mark Lenegan. A banda acabou em 2000.

Touch Me, I’m Sick, Mudhoney (1988)

Lançada em 1988 pela gravadora SubPop, que mais tarde abrigaria os maiores nomes do grunge, com produção de Jack Endino, logo transformado em um dos símbolos do movimento, a música do Mudhoney é uma espécie de prenúncio da estética que caracterizava o gênero. Suja, pesada e distorcida, a canção fez relativo sucesso em rádios universitárias.

Shove, L7 (1990)

Liderada por Donita Sparks, a banda lançou em 1990 a canção Shove, que mais tarde entraria na coletânea Grunge Years, lançada pela gravadora SubPop. Era, junto com o Hole, de Courtney Love, a ascensão das mulheres à frente de bandas relevantes do grunge. O grupo não reailza shows desde 2000, embora nunca tenha anunciado oficialmente seu fim.

Em 1995, a polícia de Seattle liberou imagens da cena do suicídio. Uma mostrava uma caixa com objetos usados para consumo de drogas, como uma colher e algo que se parecia com uma agulha. Na segunda, a mesma caixa aparece fechada ao lado de notas de dinheiro, um maço de cigarros e uma carteira.

No mesmo ano, Courtney recebeu a permissão de manter a carta de suicídio escrita por Cobain, e outra nota que foi usada para análise de caligrafia. De acordo com o texto endereçado ao tribunal, elas nunca viram fotos do corpo de Cobain.

(Da redação)