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Folia vai dar ‘lucro’ à Prefeitura de Salvador pela 1ª vez

A Prefeitura de Salvador anunciou nesta segunda-feira que o Carnaval deste ano será, pela primeira vez, “lucrativo” para a administração municipal. De acordo com as contas da prefeitura, os custos estimados para a realização do evento em 2014, que terá duração de uma semana, são de 28 milhões de reais e a captação líquida com patrocínios desta vez chegou a 38 milhões de reais — ante 11 milhões de reais em 2013.

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Os patrocinadores oficiais da festa foram apresentados pelo prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), o ACM Neto, em evento realizado em um hotel do centro da capital baiana. Além dos contratos que já haviam sido anunciados — com Banco Itaú, Brasil Kirin (Schin), Grupo Petrópolis (Itaipava), Petrobras e governo do Estado –, ACM Neto incluiu no rol o grupo de telecomunicações Net.

Os investimentos diretos das empresas no Carnaval chegam a 45 milhões de reais. Além desse montante, as empresas ainda aportam 10 milhões de reais em outros projetos culturais na cidade. As maiores cotas foram adquiridas pelas cervejarias: as duas firmaram contratos de 10 milhões de reais para o Carnaval e 5 milhões de reais para outras parcerias com a prefeitura da capital. “Estamos aproveitando o Carnaval para ampliar os benefícios obtidos com a captação de recursos, que vão abranger outras áreas da cultura e do turismo”, afirma o prefeito de Salvador.

Em contrapartida, as fabricantes de bebidas terão direito à exclusividade de vendas dos produtos de seu portfólio — cervejas, água, refrigerantes, isotônicos, entre outros — nos circuitos oficiais da folia soteropolitana. O Grupo Petrópolis abastecerá o Circuito Dodô (Barra-Ondina), na Orla, enquanto a Brasil Kirin espalhará os produtos pelo Circuito Osmar (Campo Grande), no centro, e pelas áreas menos concorridas do evento soteropolitano, como o Circuito Batatinha (Pelourinho) e as festas de Carnaval de bairro.

Fiscalização — A prefeitura soteropolitana promete coibir qualquer tentativa de venda de outros produtos nos circuitos oficiais da festa. De acordo com Bellintani, as áreas nas quais os eventos de Carnaval acontecem serão “fechadas” e o acesso será feito por pórticos, onde fiscais municipais e policiais revistarão os comerciantes e o público. Além disso, os pontos de venda dos 3.500 ambulantes cadastrados serão padronizados — equipamentos e uniformes serão fornecidos pelas empresas. “Será mais fácil de fiscalizar porque quem estiver com isopor solto estará ilegal”, avisa.

Segundo ACM Neto, 4.000 fiscais do município atuarão na festa. “Vamos cumprir, exemplarmente, o que está estabelecido nos contratos, o compromisso de entregar aos parceiros privados o que foi firmado”, promete. “Por outro lado, também estamos atentos com o preço dos produtos. Não é porque existe a exclusividade que vai se poder cobrar qualquer valor. Mas nossos parceiros têm o compromisso de garantir preços compatíveis com os praticados no mercado.”

O diretor de Mercado do Grupo Petrópolis, Douglas Costa, afirma que “ninguém vai ficar sem beber no Carnaval por causa do preço”, mas diz que os valores praticados nos circuitos ainda não foram definidos. “Como estamos chegando agora ao Nordeste (a primeira fábrica da empresa na região foi inaugurada em novembro), nosso maior interesse é que as pessoas experimentem e conheçam nossos produtos”, diz. “Neste momento, isso é mais importante que a exposição da marca para a empresa.”

Desconto — Durante a apresentação, a Prefeitura de Salvador afirmou que, dos contratos apresentados, o único que ainda não havia sido formalmente firmado era o acordado com o governo da Bahia, no valor de 4,1 milhões de reais. Representando o governador Jaques Wagner (PT), o secretário de Comunicação do Estado, Robinson Almeida, tentou obter um abatimento no valor. “O investimento total do governo na festa, em áreas como Segurança Pública e Saúde, chega a 55 milhões de reais”, disse. “Pela apresentação, dá para ver que a prefeitura pode receber um valor menor”, argumentou, arrancando risos da plateia.

Em seguida, Bellintani respondeu. “Exatamente por entender que o governo é um parceiro importante na festa, por saber que sem essa parceria não seria possível fazer esse evento, que o contrato que a prefeitura apresentou ao governo é o único que tem o mesmo valor que teve no ano passado.”

(Com Estadão Conteúdo)