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Escritoras acusam de plágio a série ‘Macho Man’, da Rede Globo

Série que estreou no início de abril usaria enredos semelhantes às situações descritas em livro lançado em 2010

As autoras do livro Cuidado! Seu Príncipe Pode Ser uma Cinderela (BestSeller), que ajuda a identificar pseudo-heterossexuais, enviaram uma notificação extrajudicial à Globo acusando de plágio a série Macho Man, escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado. A produção, que estreou dia 8 de abril, é protagonizada por Marisa Orth e Jorge Fernando e dirigida por José Alvarenga Junior.

Ticiana Azevedo e Consuelo Dieguez reclamam – ainda sem resposta do canal – que trechos do livro lançado em 2010 foram usados sem autorização no enredo da série. O principal deles seria aquele em que um gay se torna heterossexual após bater a cabeça, exatamente como se dá em Macho Man. “Esso é o capítulo final do nosso livro. É quando questionamos a possibilidade da existência de ex-gays”, explicou Consuelo, ouvida pelo site de VEJA.

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Ainda de acordo com as autoras, as coincidências vão além. Em um dos capítulos da série, Nelson (Jorge Fernando) pede que Valéria (Marisa Orth) bata em sua cabeça com um martelo para reverter a súbita heterossexualidade. “No nosso livro, brincamos com as leitoras, alertando-as para não saírem por aí batendo com martelo na cabeça de gays na esperança de que virem heterossexuais, porque ainda não inventaram ‘martelinho’ de condão.”

A Rede Globo não se pronunciou sobre o assunto. Ticiana e Consuelo decidiram não processar a emissora judicialmente. “Seria como uma luta entre Davi e Golias”, explicou Ticiana.

Confira abaixo um trecho do livro que teria sido plagiado:

“Sofia: Então tá, queridas, pra vocês verem que não sou tão radical assim, Euzinha da Silva vou contar-lhes uma história de ex-gay, para encerrar esse guia numa boa com meus críticos. Ah, eu tinha jurado que ex-gay não existia? Pois é, mas eu só soube desse caso inacreditável (!) quando o guia estava praticamente concluído. E não é lorota, não, há várias testemunhas. Vejam só: O cara, um gay, óbvio, pois se é disso que estamos falando, leva um megatombo de bicicleta e é projetado metros à frente. Bate com a cabeça no meio-fio e tem traumatismo craniano. Fica naquele semicoma por algum tempo, até que vai despertando, lentamente. Quando acorda, está com amnésia. Não lembra quem é o pai, a mãe, nada, nada. Mais alguns meses de tratamento, e recobra a memória. Até lembrar-se de tudo. Menos de que era gay! Não é fantástico?! Podem pasmar à vontade como eu pasmei, queridas. Isso não aconteceu ontem, já faz alguns anos. Sua heterosexualidade está mais do que consolidada, por assim dizer. O cara simplesmente a-do-ra mulheres. É um tremendo namorador. De minha parte, ainda que não o conheça, ficarei torcendo para ele não ter uma recaída. Mas, pelo amor de Deus, graciosas, não vão inventar agora de sair por aí dando martelada na cabeça dos bonitões gays. Ainda não inventaram martelinho de condão. Por favor!”

Clique aqui e assista a um trecho do primeiro episódio em que o personagem de Jorge Fernando bate a cabeça e vira heterossexual.