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Em Oscar morno, Brasil consegue indicação inédita

Longa ‘O Menino e o Mundo’ está entre os selecionados da categoria de animação

Cena do filme 'O Menino e o Mundo' Cena do filme ‘O Menino e o Mundo’

Cena do filme ‘O Menino e o Mundo’ (/)

Em um ano de filmes mornos, o Oscar 2016 presenteou o Brasil com uma indicação inédita na categoria de melhor animação. O filme O Menino e o Mundo, do diretor paulistano Alê Abreu, está entre os cinco concorrentes, que conta também com as produções Divertida Mente; Anomalisa; Shaun: O Carneiro; e Quando Estou Com Marnie.

Na produção, feita de forma artesanal, com lápis de cor, giz de cera e colagem, um garoto sofre pela falta do pai e deixa sua aldeia. Durante a jornada, ele descobre um mundo diferente, dominado por máquinas e seres estranhos, uma referência à modernidade. Na aventura, ele vai encontrar problemas até então desconhecidos, como o desemprego e a desigualdade social. O filme brasileiro levou dois dos principais prêmios do Festival de Animação de Annecy de 2014, na França, cerimônia considerada o epicentro mundial do cinema de animação.

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Já entre os indicados à categoria principal, de melhor filme, estão as comédias A Grande Aposta e Perdido em Marte (sim, o longa é uma comédia). Enquanto o primeiro é uma produção de orçamento médio, sobre a crise econômica americana de 2008, o segundo é uma superprodução com orçamento de 110 milhões de dólares, verba utilizada para recriar o ambiente de Marte, onde o personagem de Matt Damon precisa sobreviver sozinho durante um ano. Em 2015, o espaço para comédias também foi pequeno, com dois representantes: O Grande Hotel Budapeste e Birdman. O último, porém, saiu vencedor.

Já os dramalhões voltaram a dominar a categoria, com Ponte dos Espiões (drama de guerra de Steven Spielberg); Brooklyn (romance sobre imigrantes na década de 1950); O Regresso (sobre um homem que tenta sobreviver sozinho em um ambiente hostil); Spotlight – Segredos Revelados (que mostra a investigação de jornalistas sobre o caso de padres pedófilos); e O Quarto de Jack (sobre uma mãe que tenta desviar a atenção do filho da realidade em que eles vivem). Exceto por O Quarto de Jack, os demais indicados dramáticos possuem orçamentos interessantes, sendo o mais caro O Regresso, que teria gasto, segundo estimativas, 135 milhões de dólares.

Por fim, destoando dos demais, está indicado Mad Max: Estrada da Fúria. O longa de ação dificilmente levará o prêmio, uma pena. Quarto filme da franquia de mesmo nome, o filme é uma estonteante experiência cinematográfica que deve, ao menos, render uma estatueta de melhor diretor para seu criador, George Miller.

Da categoria principal, as apostas pairam sobre O Regresso, do mexicano Alejandro G. Iñárritu, que já passou o rodo no Oscar no ano passado, com Birdman. Contudo, a premiação segue sem franco favoritos. O mesmo se repete entre os atores indicados. A torcida mais forte segue para Leonardo DiCaprio, que pode, pela primeira vez, após cinco indicações, levar a estatueta para casa.

‘A Grande Aposta’

O filme narra a história de alguns empresários americanos que preveem a crise econômica de 2008 anos antes de ela eclodir nos Estados Unidos. Eles são vistos como malucos, já que apostam na falência do mercado imobiliário, que até então era a fonte de segurança da economia do país. O longa conta com um elenco de peso, incluindo Brad Pitt, Christian Bale, Ryan Gosling e Steve Carell. Seus personagens descobrem essa fonte de lucro por diferentes caminhos, e a história de cada um influencia a dos demais. Dirigido por Adam McKay (Tudo Por um Furo), o longa tem um enredo divertido e lança mão de técnicas não convencionais para deixar o assunto mais palatável para leigos em economia. Quando, por exemplo, o diretor usa cenas com celebridades que nada tem a ver com a história, como Selena Gomez, e que surgem para esclarecer algum tópico. A ótica pouco usual sobre o período transforma um dos momentos mais tensos da história recente americana em comédia e lembra que não há nada como superar um trauma com risadas. 

Estreia no Brasil em 14 de janeiro de 2016

‘Ponte dos Espiões’

O filme marca a volta da dupla formada pelo diretor Steven Spielberg e um de seus atores preferidos, Tom Hanks. Ele interpreta James B. Donovan, um corretíssimo advogado de Nova York designado para um caso que ninguém gostaria de pegar: o de Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião russo preso na Nova York de 1957, em plena Guerra Fria. As autoridades querem apenas fazer um teatro para mostrar ao mundo como os Estados Unidos são justos, mas Donovan não se adequa à fachada e faz de tudo para aliviar a punição de Abel e livrá-lo da pena de morte. Em paralelo, o roteiro dos irmãos Coen mostra jovens pilotos recrutados para espionar áreas da União Soviética (URSS). Um deles, Francis G. Powers, tem o avião abatido em missão e pousa de paraquedas na Rússia, onde é feito prisioneiro. O personagem de Tom Hanks, então, é chamado pela CIA para negociar a troca do prisioneiro russo pelo americano, mas sem deixar de se importar com Abel, com quem desenvolve uma amizade em tom de fábula.

Estreou no Brasil em 22 de outubro de 2015

‘Brooklyn’

Baseado no best-seller Brooklyn, de Colm Tóibín, o filme se passa no início da década de 1950 em dois locais: o bairro homônimo de Nova York e em uma pequena cidade da Irlanda. A história é focada em Eilis Lacey (Saoirse Ronan), que imigra da Irlanda aos Estados Unidos em busca de um lugar que lhe ofereça mais oportunidades, deixando para trás a mãe e a irmã. Em meio aos problemas enfrentados no novo país, especialmente a solidão e a saudade de casa, ela conhece e se envolve com o italiano Tony Fiorello (Emory Cohen). Juntos, eles passam a vislumbrar uma vida em família no futuro, mas são interrompidos quando Eilis é convocada para retornar à sua cidade natal. A personagem se vê dividida entre o conforto do lar, onde se depara com um novo pretendente, e o namorado italiano que a deixou em Nova York – um convite irresistível para que a plateia se junte à protagonista em seus questionamentos. 

Sem data de estreia no Brasil

‘Mad Max: Estrada da Fúria’

O quarto filme da franquia pós-apocalíptica marca a volta do diretor George Miller à sérier iniciada em 1979 que teve Mel Gibson como protagonista. A nova produção reforça o mundo caótico de poeira, sangue e loucura de Miller, mas agora se valendo de uma presença feminina mais forte, com a personagem Imperatriz Furiosa, vivida por Charlize Theron. Gibson é substituído por Tom Hardy no papel de Max Rockatansky, um homem desequilibrado, movido pelo instinto de sobrevivência em um mundo onde se disputam água e petróleo. Na primeira sequência, ele é perseguido e capturado por uma gangue das estradas, que o leva para a Cidadela, dominada por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, também o vilão no primeiro Mad Max). O filme tem cenas viscerais, mas tão bem filmadas que nem a pior das mortes leva alguém a querer fechar os olhos. A bela fotografia de John Seale, que também recebeu indicação ao Oscar 2016, distancia o filme de um mero longa de ação com excesso de poeira. 

Estreou no Brasil em 14 de maio de 2015

‘Perdido em Marte’

O filme, que marca a volta do diretor Ridley Scott (Prometheus) ao espaço, foi um dos destaques do Globo de Ouro de 2016 – venceu na categoria de melhor filme de comédia e de melhor ator pelo trabalho do protagonista Matt Damon. O longa narra a trajetória de Mark Watney, membro de uma missão em Marte que é dado como morto durante uma tempestade que força a evacuação da tripulação comandada por Melissa Lewis (Jessica Chastain). Quando se descobre sozinho, o astronauta passa a explorar ao máximo os conhecimentos científicos para sobreviver, já que a próxima missão está prevista para dali a quatro anos. Watney, além da racionalidade, tem outra arma poderosa: o humor. Enquanto isso, a Nasa descobre por meio de fotografias que ele sobreviveu e começa a tentar arrumar um jeito de salvá-lo. Trata-se de um longa humanista, em que pessoas de diferentes cores, credos e culturas se juntam para salvar apenas um homem. 

Estreou no Brasil em 1º de outubro de 2015

‘O Regresso’

O filme lidera o número de indicações ao Oscar neste ano: são doze categorias, incluindo as de melhor filme e ator, com grandes chances de Leonardo DiCaprio, enfim, levar a estatueta. Dirigido pelo mexicano Alejandro Iñarritú (Birdman), o longa é baseado no livro de Michael Punke sobre Hugh Glass, um guia do norte dos Estados Unidos que é atacado por índios quando leva um grupo de mercadores de pele a uma região dominada por nativos. Glass, interpretado por DiCaprio, passa por numerosos testes de sobrevivência e violentas situações, incluindo o ataque de uma ursa e o assassinato de seu filho. Ao buscar o responsável pelo crime, ele segue sua dolorosa e silenciosa jornada, enfrentando nevascas, falta de alimentos e ferimentos.

Estreia no brasil em 21 de janeiro de 2016

‘O Quarto de Jack’

A adaptação do livro Room, de Emma Donoghue, tem como um de seus maiores trunfos a atuação de Brie Larson (Anjos da Lei), indicada a melhor atriz no Oscar deste ano e vencedora do Globo de Ouro na mesma categoria. No longa, ela interpreta Ma, uma jovem mulher que foi sequestrada por um homem psicótico que comete abusos diários contra ela. A protagonista e seu filho, Jack, de 5 anos, são forçados a viver dentro de um quarto. Aquele espaço minúsculo, que ainda tem banheiro e fogão, é o que Jack conhece como o mundo, e as cenas mostram o esforço da protagonista de esconder a verdade da criança. Quando a situação se torna insustentável, Ma bola um plano para fugir com Jack, proporcionando ao espectador observar a trajetória dessa criança na descoberta de um novo mundo, onde tudo – de janelas a carros – se transformam em informações devastadoras. 

Estreia em 18 de fevereiro de 2016 no Brasil

‘Spotlight – Segredos Revelados’

Desde a sua estreia, o longa foi considerado um dos favoritos para o Oscar de melhor filme. Dirigido por Tom McCarthy, Spotlight narra o processo de apuração do jornal americano Boston Globe em torno das acusações ao padre John Geoghan, que teria molestado mais de 80 meninos enquanto estava à frente de uma paróquia, entre os anos 1970 e 80. A equipe que assume a investigação é formada pelo editor Walter ‘Robby’ Robinson (Michael Keaton) e pelos repórteres Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matt Carroll (Brian D’Arcy James). O trabalho leva meses, tomando proporções inimagináveis, e o resultado é uma reportagem vencedora do cobiçado prêmio Pulitzer de jornalismo. Ao contrário de outros filmes sobre investigações jornalísticas, a produção evita colocar a profissão como heróica e ainda culpa a imprensa por assistir à proliferação do crime com vendas nos olhos. 

Estreou no Brasil em 7 de janeiro de 2016