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Em ‘Operação Sombra’, o principal inimigo de Jack Ryan está no roteiro

No quinto filme baseado no personagem do escritor americano Tom Clancy, o agente infiltrado da CIA lida com problemas virtuais e deixa a ação em segundo plano

Doze anos depois de A Soma de Todos os Medos, quando foi interpretado por Ben Affleck, Jack Ryan está de volta na pele do ator Chris Pine (Star Trek), em mais um thriller político de espionagem. O longa é o quinto que apresenta o icônico personagem do escritor americano Tom Clancy, já vivido no cinema por Aleck Baldwin em Caçada ao Outubro Vermelho (1990) e Harrison Ford em Jogos Patrióticos (1992) e Perigo Real e Imediato (1994). Diferente das produções anteriores, Operação Sombra – Jack Ryan, que chega ao Brasil nesta sexta-feira, não foi baseado em nenhum livro de Clancy – morto em outubro de 2013, aos 66 anos. Trata-se de uma história original, assinada pelo roteirista David Koepp (Anjos e Demônios) e o estreante Adam Cozad, e talvez por esse motivo seja o mais fraco da série baseada no agente da CIA. Apesar de algumas boas sequências de ação, a história é pouco envolvente e não traz nada inovador em relação aos filmes do gênero.

O longa tem início quando o americano Jack Ryan, ainda estudante de economia na Universidade de Londres, assiste pela televisão ao ataque às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, pela televisão. Assim que vê seu país ameaçado, ele se alista no Exército para servir no Afeganistão. No entanto, durante uma das missões, o helicóptero em que viaja é atingido por um míssil, e, no desastre, Ryan perde a mobilidade das pernas. O rapaz é levado aos Estados Unidos para se recuperar em um centro de reabilitação de soldados da CIA pela doutora Cathy Muller (Keira Knightley). Ao final do tratamento ele volta a andar e, de quebra, se casa com a médica.

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Durante o tratamento, ele conhece também o agente veterano Thomas Harper (Kevin Costner), que o contrata para trabalhar como analista infiltrado do órgão de espionagem americano. Certo dia, Ryan descobre o complô de uma empresa russa para desvalorizar a moeda americana, organizado pelo empresário Viktor Cherevin (Kenneth Branagh, também diretor do filme). O analista então vai a Moscou, sem explicar o real motivo a Cathy, para evitar que Cherevin conquiste seu objetivo e cause uma possível segunda Guerra Fria. A trama ganha um tempero a mais quando a esposa de Ryan, desconfiada, viaja para encontrar o marido e acaba se envolvendo na operação de espionagem.

A trama, apesar de inédita, esbarra na carência de momentos de ação empolgantes. Durante o longa podem ser citados, no máximo, três situações que justificam a ida dos apaixonados por aventura ao cinema. No restante, a história é focada apenas nos pequenos dramas pessoais vividos pelo casal, inclusive a suspeita de traição por parte de Cathy, e em Ryan fazendo análises financeiras e hackeando computadores.

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Essa ideia do diretor de fazer o personagem lidar com problemas modernos pode decepcionar os fãs que esperam grandes sequências de perseguição, tiros e lutas. É certo que as poucas cenas desse tipo cumprem o objetivo de prender a atenção do espectador, no entanto, não destoam daquelas já presentes nos demais filmes de ação do mercado. Os diálogos também não fogem do comum, com exceção da cena aflitiva em que Cathy é encarregada de distrair Cherevin – um viciado em álcool e mulheres – durante cerca de quinze minutos em um restaurante, enquanto seu marido invade o escritório do empresário para obter os dados de que precisa.

A atuação de Chris Pine no papel de Jack Ryan, apesar de não ser algo de tirar o chapéu, não decepciona em nenhum momento. Ele segue com fidelidade os passos de seus antecessores. A seriedade, a destreza nas cenas de luta e a inteligência do personagem são transmitidas de maneira precisa.

Operação Sombra: Jack Ryan pode ser uma opção de entretenimento razoável, mas não passa de um filme de ação como qualquer outro, com diálogos e sequências que seguem à risca a cartilha do gênero, sem surpresas. Para piorar, o resultado deve estragar as expectativas dos fãs de Tom Clancy, que provavelmente vão achar essa releitura do personagem decepcionante em comparação às anteriores.