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Em estreia de ‘A Entrevista’, público defende liberdade de expressão

Comédia que contrariou ditador Kim Jong-un foi exibida em alguns cinemas nos EUA e também está disponível na internet para o público americano

Mais de 300 cinemas dos Estados Unidos exibiram nesta quinta-feira o filme A Entrevista, depois que o estúdio Sony voltou atrás e decidiu manter a estreia da comédia mesmo depois da ameaça de hackers. Várias sessões ficaram lotadas de pessoas que queriam assistir a sátira envolvendo um plano para assassinar o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Mais do que isso, queriam manifestar sua posição contrária à censura.

A Entrevista tornou-se um improvável símbolo de liberdade de expressão nos últimos dias depois que a Sony cancelou o lançamento da produção, diante da ameaça de hackers de atacar cinemas que exibissem o filme. O apoio para que a estreia fosse mantida, no entanto, veio até mesmo da Casa Branca. O presidente Barack Obama criticou a decisão do estúdio: “Não podemos ter uma sociedade na qual algum ditador de algum lugar pode começar a impor censura aqui nos Estados Unidos”, disse. No início desta semana, Sony recebeu sinal verde de duas redes que se dispuseram a exibir a comédia.

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Em um cinema de Los Angeles, o público foi surpreendido pela presença de Evan Goldberg e Seth Rogen, diretores do filme que apareceram para agradecer aos fãs. “Muito obrigado por terem vindo. Não fosse por cinemas como este e por pessoas como vocês, isso não estaria acontecendo agora”, disse Rogen, que estrela a comédia com James Franco.

Na imprensa americana, vários depoimentos deixaram claro qual a verdadeira motivação para assistir ao filme nesta quinta-feira de Natal. “Eu queria apoiar os produtores que vinham sendo censurados por um órgão estrangeiro, porque eu não acho que ninguém tem o direito de censurar um trabalho, seja uma sátira ou não”, disse um espectador à agência Reuters.

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“Este é um filme que eu provavelmente não viria ver, mas por causa da controvérsia eu achei que deveria vir aqui esta noite, apoia a liberdade de expressão”, disse uma mulher que aguardava na fila de um dos cinemas que resolveram exibir a comédia.

“Normalmente eu passaria o Natal fazendo música com meus garotos”, disse ao jornal The Washington Post Ron Oley, de 64 anos. Este ano, no entanto, o estúdio de gravação deu lugar à sala de cinema. “Este é um país livre. Lamento que eles não tenham isso no país dele, mas nós temos. E eu sou americano”, justificou.

Se as ameaças foram superadas, é verdade também que apenas pequenas salas de exibição colocaram A Entrevista em cartaz. O estúdio resolveu também disponibilizar a comédia na internet para o público americano, em plataformas do Google (YouTube e Google Play), Microsoft (Xbox) e em um site criado especificamente para este fim, seetheinterview.com.

Um grupo chamado Guardiães da Paz, que reivindicou o ciberataque aos computadores do estúdio Sony no final de novembro, advertiu que semearia o terror nos cinemas que exibissem o filme. O governo americano responsabilizou Pyongyang pelo ciberataque e prometeu uma “resposta proporcional”. Kim Jong-un negou envolvimento com a invasão à rede, mas elogiou os hackers. O ditador vinha criticando a produção, que considerou um “ato de guerra” dos Estados Unidos.

(Com agência EFE)