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Cinquentão, Homem-Aranha se destaca como o herói mais rentável da história

O alter ego de Peter Parker sobrevive ao teste do tempo e se mantém como um dos personagens mais populares e disputado do casting da Marvel

Em 1961, o roteirista de histórias em quadrinhos Stan Lee estava desanimado com a profissão. Pensou em pedir demissão da Atlas Comics, que mais tarde se chamaria Marvel. Já tendo o Quarteto Fantástico no currículo, Lee decidiu dar mais uma chance à carreira e vislumbrou um novo tipo de herói. Ele seria adolescente, magrelo, usaria óculos grandes, o cabelo bem penteado e seria um alvo fácil de bullying no colégio – uma figura bem distante dos heróis conhecidos até então. O jovem ganharia poderes após ser picado por uma aranha radioativa

Com os traços do desenhista Steve Ditko, em junho de 1962, nascia o Homem-Aranha, herói que estava destinado a salvar o mundo nos quadrinhos e também fora deles. O garoto levantou a empresa, que não ia muito bem, e reanimou Stan Lee, que em seguida criaria o Homem de Ferro, os X-Men e reuniria os Vingadores. Quarenta anos depois, em 2002, Homem-Aranha chegaria ao cinema para se tornar a franquia de herói mais lucrativa da história de Hollywood.

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A história, narrada no livro Marvel Comics – A História Secreta, de Sean Howe, editado no Brasil pela Leya, mostra a gênese do personagem que lavou a alma dos nerds e adolescentes renegados, grandes leitores de HQs, até então deixados de lado pela ficção. “O Homem-Aranha é o mais humano dos heróis, com os mesmos dilemas e alegrias que fazem parte da nossa vida: a primeira namorada, o primeiro emprego, a necessidade de arranjar grana para um encontro com a namorada”, diz Levi Trindade, editor sênior da Panini, que publica as HQs do personagem no Brasil. “Ele é altruísta, bem-humorado e humano. As crianças se identificam com ele. Os jovens também. Os adultos, idem. Ele atinge todas as gerações. É praticamente um astro. Um dos mais populares heróis dos quadrinhos que existe.”

Tal popularidade faz com que o Homem-Aranha resista bem ao teste do tempo. A chegada ao cinema, tardia se comparada a outros heróis, foi feita de forma arrebatadora pelas mãos do cineasta Sam Raimi, com o ator Tobey Maguire no papel principal. A trilogia, finalizada em 2007, arrecadou 2,5 bilhões de dólares em bilheteria pelo mundo.

Herói bilionário – Ainda com a imagem fresca de Maguire no macacão azul e vermelho na cabeça dos fãs, a Sony decidiu recomeçar a franquia e lançou, em 2012, uma nova versão do herói com o filme O Espetacular Homem-Aranha, dirigido por Marc Webb, com Andrew Garfield no papel principal. Apesar da proximidade com a última trilogia e de apresentar um personagem mais fanfarrão e descolado que o de Maguire, o longa foi muito bem em bilheteria: 752 milhões de dólares, valor próximo dos alcançados pelos filmes anteriores.

A pressa em fazer um novo filme do herói tem a ver com a necessidade das empresas envolvidas em manter a licença do personagem, cobiçada especialmente pela gigante Disney, que já detém o direito de lançar produtos do herói e é a dona de boa parte do elenco da Marvel no cinema. Logo, a Sony precisa produzir de tempos em tempos filmes que envolvam o aracnídeo para não perdê-lo.

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Com O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que acaba de estrear no Brasil, o herói deve ultrapassar Batman em bilheteria. O Homem Morcego soma, segundo dados do site especialzado Box Office Mojo, 3,7 bilhões de dólares com sete filmes, e o herói aracnídeo já alcançou 3,25 bilhões apenas com quatro longas. O novo filme, ao que tudo indica, não terá problemas em arrecadar os 500 milhões de dólares de diferença – e há mais dois filmes já programados, um para 2016 e outro para 2018. Para comparação, a trilogia do Homem de Ferro não passou dos 2,5 bilhões de dólares. X-Men, com cinco filmes, não chegou aos 2 bilhões de dólares.

Nova fase – Querido por crianças e adultos, o Homem-Aranha se reinventa ao longo dos anos. As diferenças entre os atores Garfield e Maguire corroboram essa necessidade de adaptação. Se Maguire foi o precursor do movimento nerd que fez a turma de The Big Bang Theory ser hoje uma das mais famosas da TV, Garfield é mais desenvolto, charmoso e anda de skate pela escola. Contudo, os dois possuem características que são inerentes à popularidade do personagem: adolescentes desajustados, fracos, que só querem sobreviver a mais um ano letivo e, depois da escola, descobrir como pagar o aluguel.

“O Batman e o Super-Homem, heróis famosos na época do lançamento do Homem-Aranha, tinham consciência da escolha de usar seus poderes para o bem. Peter Parker se tornou um herói por acidente”, conta M. Thomas Inge, professor de literatura e especialista em quadrinhos ao site da BBC. “Ele tinha 15, 16 anos, era impopular na escola, tinha espinhas e um monte de problemas. Não teve escolha a não ser assimilar que os poderes foram confiados a ele. Todos nós podemos ser Peter Parker”, diz.