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B52’s traz hits ao Brasil — e prova que nem toda década de 80 merece ser esquecida

Sem planos de gravar novo disco, mas ainda sem falar em aposentadoria da estrada, banda volta ao país para shows nesta sexta, no Rio, e sábado, em SP

Por Sérgio Martins - 4 out 2013, 15h54

Os anos 1980 foram o período em que o estilo sofreu. Quem viveu naqueles tempos presenciou autênticos crimes contra o bom gosto, como as ombreiras, os collants nas aulas de aeróbica e bandas de new wave com gel no cabelo e camisas verde-limão. Por outro lado, foi na década de 80 que o país se livrou da ditadura militar, a televisão brasileira abrigou programas inovadores como Armação Ilimitada e TV Pirata e o Rock in Rio colocou o Brasil na rota dos megashows. Kate Pierson, vocalista dos B52’s, até hoje sente saudades do festival. O quinteto americano – que além de Kate tinha em sua formação os cantores Cindy Wilson e Fred Schneider, o guitarrista Ricky Wilson e o baterista Keith Strickland – se apresentou em duas noites, para um público estimado em 200 000 pessoas. “Os seguranças me aconselharam a não sair do hotel. Mas eu os ignorei e fui fazer compras, conhecer os brasileiros. Foi inesquecível”, diz. Vinte e oito anos e dois retornos — nos anos 1990 e 2000 — depois, o B52’s está de volta ao país para dois shows, em locais mais modestos que o descampado do festival. Nesta sexta-feira, eles tocam no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, e neste sábado se apresentam no HSBC Brasil, em São Paulo.

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A formação atual incluiu apenas Kate, Cindy e Schneider. Ricky Wilson morreu de complicações decorrentes da aids nove meses após o Rock in Rio e Keith Strickland (que assumiu a guitarra após a morte de Wilson) desistiu da vida na estrada. O trio é reforçado pelo guitarrista Paul Gordon, pela baixista Tracy Wormworth e pelo baterista Sterling Campbell. O B52’s surgiu em 1976 na cidade americana de Athens, estado da Georgia. “Não havia cena musical ali, posso te afirmar que ela foi criada por nós”, diz Kate. O grupo mantém muitas das características musicais daqueles tempos, como o casamento das vozes agudas de Kate e Cindy com o registro grave de Schneider e canções que esbarram no kitsch. O nome B52’s, aliás, nasceu do penteado bolo de noiva (e extremamente cafona) que as americanas utilizavam nos anos 60.

No início de carreira, o grupo se deslocou de Athens para Nova York a fim de tentar uma oportunidade no CBGB, casa que abrigou os pioneiros do punk e da new wave nos Estados Unidos. “Eles nos recusaram. Fomos então tentar a sorte em outra casa famosa, a Max’s Kansas City, que nos deu uma oportunidade. Tocamos, voltamos para Athens e quando chegamos havia um recado do pessoal da Max’s pedindo que a gente fizesse outro show. Não tivemos outra solução senão cair na estrada de novo.”

A Warner contratou o B52’s em 1979. Quatro anos depois, eles lançaram Whammy!, seu quarto álbum, e o mais bem-sucedido em terras brasileiras. Um dos motivos foi a canção/clipe Legal Tender. “Soube que na última vez em que tocamos no país o público ficou muito frustrado com a ausência de Legal Tender no repertório de nossos shows. Pois ela estará nessa turnê”, promete Kate. Após a morte de Ricky Wilson, o grupo passou por um período de baixa popularidade e criatividade. Eles se recuperaram apenas em 1989, com o disco Cosmic Thing, que trouxe sucessos como Roam e Love Shack. “Cosmic Thing foi a maneira que encontramos de homenagear Ricky. E tivemos a sorte de trabalhar com Nile Rodgers, que considero um gênio.”

O último lançamento do B52’s é Funplex, de 2008. E, se depender de Kate e de seus companheiros de grupo, ele será realmente o álbum derradeiro do grupo. “Eu não posso garantir que não gravaremos mais juntos, mas hoje todos têm outras prioridades. Keith mora na Flórida e tem se envolvido com a cena eletrônica local, Cindy tem a banda dela e Fred Schneider acaba de gravar um disco de Halloween, com a apresentadora de programas de terror Elvira. Eu também terminei de gravar um disco com a cantora de jazz Sia Furler”, conta.

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Outra ocupação que tem tomado o tempo da vocalista é ser de dona de hotel. Ela e sua companheira, Monica Coleman, são donas do Lazy Meadow, localizado perto de Woodstock, cidade do estado de Nova York. “Eu comprei aquele terreno após dar um passeio por ali e me encantar com a paisagem.” O hotel – se é que pode ser chamado assim – é composto por nove chalés, com a decoração cafona-chique dos B52’s. Kate ainda é proprietária de outro hotel, o Lazy Desert, composto de seis trailers localizados perto do deserto da Califórnia.

Enquete:

Qual foi o melhor disco de rock brasileiro dos anos 1980?

Mas enquanto não troca definitivamente a carreira artística pelo ramo hoteleiro, Kate Pierson mostra uma vitalidade surpreendente para os seus 65 anos de idade em sucessos como Rock Lobster, Private Idaho e Party Out of Bonds. Canções que provam que nem tudo que aconteceu nos anos 80 são dignos de esquecimento.

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