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A receita do Rio para melhorar o carnaval de rua: encolher os blocos

Com 500 mil foliões a mais que no ano passado, cidade vive seu limite e manobra para minimizar transtornos como o xixi e o caos no trânsito

Por Cecília Ritto e Rafael Lemos, do Rio de Janeiro - 2 mar 2011, 11h46

“Não existe nenhuma possibilidade de aumentar o número de blocos no ano que vem. Se houver alguma alteração, será para reduzir”, diz o prefeito Eduardo Paes

Para melhorar o carnaval de rua no Rio de Janeiro, o plano da prefeitura é reduzir o número de blocos para o próximo ano. Em 2011, 424 blocos vão desfilar- uma redução de 10% em relação ao ano anterior.A expectativa é de que três milhões de pessoas pulem o carnaval pelas ruas, o que representará 500 mil foliões a mais do que em 2010. Com o aumento desse número, alguns problemas já foram detectados pela secretaria municipal de Turismo, como a impossibilidade de permitir mais blocos na zona sul.

A solução para os problemas atuais é simples. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi enfático ao dizer que, para 2012, o governo municipal não investirá no crescimento do carnaval. “Não existe nenhuma possibilidade de aumentar o número de blocos no ano que vem. Se houver alguma alteração, será para reduzir”, afirmou. Para Paes, a Avenida Rio Branco- uma das principais vias do centro, por onde passou o Cordão do Bola Preta, na última sexta-feira- não pode ser transformada em um corredor de blocos. “É preciso observar os limites do centro da cidade para o número de blocos”, disse.

Para o secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, também devem ser analisadas, em especial, a capacidade de Ipanema e Leblon. Ajustes serão feitos para 2012. Os primeiros a sentir isso serão os blocos mais novos. “Cada bairro tem a sua capacidade de carga. Não vou mudar um bloco tradicional de lugar. Alguns mais recentes que saem pela zona sul e cresceram além do imaginado devem ser realocados”, afirmou. Assim que terminar o carnaval deste ano, o secretário vai estudar quais blocos têm menos ligação com o bairro, em quais houve mais incidentes e quantas pessoas cada um arrastou pelas ruas.

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Por enquanto, ainda não houve nenhuma grande confusão pelas ruas e as delegacias não tiveram aumento exponencial de casos. No entanto, no fim de semana, 214 foliões foram detidos urinando na rua, 266 veículos rebocados e 753, multados. Esses números devem aumentar significativamente, uma vez que eles foram registrados em apenas dois dias, antes do início efetivo do carnaval.

A questão dos banheiros químicos sempre foi um dos principais problemas da folia no Rio. A cada ano, mais deles são colocados nas ruas. Mas a multidão de turistas e de cariocas que tem optado por passar o carnaval na cidade também cresce. Em 2008, havia 700 banheiros. Em 2009, passou para 900; em 2010, para 4.200 e, em 2011, chegou a 13 mil banheiros químicos. Ainda assim, a quantidade de foliões que insistem em urinar na rua é alta. “É uma questão cultural o xixi na rua. Dom João VI parava a carruagem e urinava. Agora, começou a diminuir por causa da punição e da mudança no comportamento do folião. Nessa guerra contra o xixi na rua, a população tem que estar do nosso lado”, disse Antônio Pedro.

A conclusão do secretário é de que houve “belas melhorias”, como chamou, mas mudanças são necessárias. “Não dá para um bloco que espera mil pessoas sair com sete mil”, argumenta. Já considerado o maior carnaval de rua, os blocos do Rio ainda precisam se organizar, ainda mais quando a tendência é de atrair cada vez mais pessoas. “O carnaval do Rio não tem custo, não tem discriminação, não tem abadá nem corda. Nem permitiremos que venha a ter. A rua é do povo”, disse o secretário de Turismo. Para manter a promessa, o jeito mesmo será encolher a festa.

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