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A aparência de Kim Novak, no Oscar, leva a discussão sobre excesso de plásticas

Com o rosto marcado por procedimentos estéticos, a atriz de 81 anos foi violentamente criticada nas redes sociais. Os comentários levaram ao debate sobre as consequências do excesso de intervenções para parecer mais jovem

Por Da Redação - 3 mar 2014, 20h46

Assim que a atriz Kim Novak, de 81 anos, apareceu no palco do teatro Dolby para entregar o Oscar de melhor animação ao filme Frozen: Uma aventura Congelante, teve início um bombardeio de críticas a sua aparência. Centenas de comentários no Twitter relacionaram o rosto da atriz ao título do filme vencedor, ironizando sua aparência “congelada” por plásticas e intervenções cirúrgicas. O empresário americano Donald Trump foi mais longe e escreveu em seu Twitter pessoal que ela deveria processar seu cirurgião plástico.

Nesta segunda-feira, surgiram manifestações de apoio a Kim. A atriz Rose McGowan defendeu a colega, assim como duas colunas nos sites das revistas The Atlantic e Slate, lembrando que, em Hollywood, tudo gira em torno da beleza da juventude. A crítica americana de filmes Farrah Nehme dedicou a ela um post em seu blog chamando a atenção para o fato de que, ao entrar no mundo do cinema, nos anos 1950, Kim Novak alterou toda a sua aparência: nome, cabelo, dieta, dentes. Nada mais natural que mudar também o rosto num universo que valoriza a aparência dos mais jovens.

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Excesso de plástica – Protagonista do filme “Um Corpo que Cai”, de 1958 de Alfred Hitchcock, e constantemente comparada à atriz Marilyn Monroe, Kim estava afastada dos flashes há duas décadas. Voltou na cerimônia do Oscar após ter tido um câncer de mama diagnosticado em 2010 e enfrentado uma discussão sobre do número cada vez maior de intervenções cirúrgicas para mascarar o envelhecimento. Nos Estados Unidos, país campeão de cirurgias plásticas no mundo, são realizados 1,6 milhão de procedimentos anuais. No Brasil, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgiões Plásticos Estéticos, o número está em torno de 1,5 milhão. Quem se submete a cirurgias plásticas antienvelhecimento no rosto passa a aparentar idade mais jovem – em média, três anos a menos. No entanto, isso não faz com que a pessoa fique mais atraente, de acordo com estudo feito no Canadá e publicado no periódico JAMA Facial Plastic Surgery, em 2013.

A questão, de acordo com os críticos, tem mais a ver com intervenções que não sejam aparentes, do que com a falta de tratamentos cosméticos. “Não é nenhum segredo que a sociedade ao mesmo tempo encoraja e estigmatiza a cirurgia estética em mulheres. As pessoas têm muitas opiniões diferentes sobre isso – talvez devêssemos parar de encorajá-las; talvez devêssemos parar de estigmatizar”, escreveu Spencer Kornhaber, editor de entretenimento do site da revista The Atlantic. Comentando as opiniões favoráveis à aparência das atrizes Sally Field, de 67 anos, e de Meryl Streep, 64 anos, após a cerimônia no teatro Dolby, a jornalista de celebridades Amanda Hess lembrou em seu post no site da revista Slate que não se sabe o que elas fazem para manter sua aparência. “Significa evitar cirurgias plásticas óbvias, mas também pode querer dizer gastar toda a vida investindo em hábitos, dietas, cremes e tratamentos que adicionam um visual ‘natural’ na velhice”, afirma.

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